Há duas vias para o ensino e a ação: a da luz e a das trevas. A distância entre estas duas vias é grande. […] A via das trevas é tortuosa e semeada de maldições. É o caminho da morte e do castigo eterno, e nele se encontra tudo quanto pode arruinar uma vida: idolatria, arrogância, orgulho do poder, hipocrisia, duplicidade de coração, adultério, assassínio, roubo, vaidade, desobediência, fraude, malícia […], cupidez, desprezo de Deus. Por aí vão os que perseguem as pessoas de bem, os inimigos da verdade […], os que são indiferentes à viúva e ao órfão […], os que não dão atençãoLeia mais →

«Quem é o meu próximo?» Para responder, o Verbo, a Palavra de Deus, expõe, sob a forma de uma narrativa, a história da misericórdia: conta a descida do homem, a emboscada dos salteadores, o arrancar das vestes imperecíveis, as feridas do pecado, o poder da morte sobre metade da natureza (pois a alma permanece imortal) e a passagem em vão da Lei, uma vez que nem o sacerdote nem o levita cuidaram das chagas do homem que tinha sido vítima dos salteadores, pois «é impossível que o sangue dos touros e dos bodes apague os pecados» (Hb 10,4); só o podia fazer Aquele que revestiuLeia mais →

Aconselhado pelas minhas leituras a debruçar-me sobre mim mesmo, entrei no fundo do meu coração, conduzido por Ti. Pude fazê-lo porque Tu és o meu apoio. Entrei em mim e vi, não sei com que olhos, mais alta do que o meu pensamento, uma luz imutável. Não era a luz habitual que os olhos do corpo apreendem, nem sequer uma luz do mesmo tipo mas mais poderosa, mais brilhante, que enchesse tudo com a sua imensidade. Não, não era isso, era uma luz diferente, muito diferente de tudo isso. Também não estava acima do meu pensamento como o azeite fica por cima da água, ouLeia mais →

«No meio da noite, ouviu-se um brado». Este brado é aquele de que fala o apóstolo Paulo: «Num instante, num abrir e fechar de olhos, ao som da trombeta final — pois a trombeta soará –, os mortos ressuscitarão incorruptíveis e nós seremos transformados» (1Cor 15,52). E que aconteceu depois de se ouvir este brado, que soará a meio da noite? «As virgens levantaram-se». Que quer isto dizer? O próprio Senhor no-lo explica: «É chegada a hora em que todos os que estão nos túmulos hão de ouvir a sua voz e sairão» (Jo 5,28) […]. Que querem dizer estas palavras: «Não levaram azeite consigo»?Leia mais →

Se Deus é bem-aventurado, como afirma o apóstolo Paulo (cf 1Tim 1,11. 6,15), e se os homens participam dessa bem-aventurança pela sua semelhança com Ele, mas lhes é impossível imitarem-no, a bem-aventurança é irrealizável para a condição humana. Mas o homem pode imitar a Deus de certa maneira. Como? A meu ver, a pobreza em espírito designa a humildade. O apóstolo Paulo dá-nos como exemplo a pobreza de Deus, que, «sendo rico, Se fez pobre por nós, para nos fazer participantes da sua riqueza» (2Cor 8,9). Tudo aquilo que podemos entrever acerca da natureza divina ultrapassa os limites da nossa condição, tudo menos a humildade,Leia mais →

Quereis saber como é que, longe de revogar a Lei e os profetas, Jesus vem confirmá-los e completá-los? Quanto aos profetas, fá-lo confirmando com as suas obras o que eles tinham anunciado; donde a expressão que Mateus utiliza com tanta frequência: «Para que se cumprisse a palavra do profeta…». Quanto à Lei, cumpriu-a de três maneiras. Primeiro, não omitindo nenhuma prescrição legal. Com efeito, disse a São João Batista: «Convém que se cumpra toda a justiça» (Mt 3,15); e aos judeus: «Quem de vós pode acusar-me de pecado?» (Jo 8,46). […] Em segundo lugar, cumpriu a Lei porque quis submeter-Se a ela pela nossa salvação.Leia mais →

Os discípulos «acordaram-no e disseram: “Mestre, não Te importas que pereçamos?”». […] Ó bem-aventurados, ó verdadeiros discípulos de Deus, tendes convosco o Senhor, vosso Salvador, e estais com medo? A Vida está convosco e a vossa morte preocupa-vos? Tirais o Criador do sono, como se Ele não pudesse, mesmo a dormir, acalmar as ondas, fazer cessar a tempestade? Que respondem a isto os discípulos bem-amados? Ainda somos crianças fracas. Ainda não somos homens vigorosos. […] Ainda não vimos a cruz; ainda não fomos solidificados pela Paixão do Senhor, a sua ressurreição, a sua ascensão aos Céus e a descida do Espírito Santo Paráclito. […] OLeia mais →

Vê o que Deus disse a Moisés, que ordem lhe deu sobre o caminho a escolher […]. Pensavas talvez que o caminho que Deus mostra é um caminho fácil, sem troços difíceis nem penosos; pelo contrário, trata-se de uma subida, e bem tortuosa. Com efeito, o caminho por onde chegamos às virtudes não é um caminho a descer, mas a subir, e a subida é íngreme e árdua. Escuta o que o Senhor diz no Evangelho: «Como é estreita a porta e apertado o caminho que conduz à vida». Como vês, o Evangelho está em harmonia com a Lei. […] Na verdade, até um cegoLeia mais →

Aquando da sua primeira vinda, Deus veio sem brilho, desconhecido da maioria, prolongando durante longos anos o mistério da sua vida oculta. Quando desceu do monte da Transfiguração, Jesus pediu aos seus discípulos que não dissessem a ninguém que Ele era o Cristo. Vinha como pastor à procura da ovelha perdida e, para recuperar esse animal rebelde, tinha de permanecer oculto. Tal como um médico que tenta não assustar o seu doente na primeira consulta, também o Salvador evitou dar-Se a conhecer logo no início da sua missão, só o fazendo pouco a pouco. O profeta tinha predito esta vinda sem brilho nestes termos: «DesceráLeia mais →

[João Batista dizia:] Na tua presença, Senhor Jesus, não me posso calar, porque «eu sou a voz daquele que brada no deserto: preparai o caminho do Senhor. Sou eu que necessito de ser batizado por Ti, e és Tu que vens a mim!» (Mt 3,3.14) Ao nascer, apaguei a esterilidade daquela que me gerou; quando era um nascituro, trouxe remédio para a mudez de meu pai, recebendo de Ti a graça desse milagre. Mas Tu, nascido da Virgem Maria da forma que quiseste e que és o único a conhecer, Tu não apagaste a sua virgindade, Tu a protegeste acrescentando-lhe o título de mãe; nemLeia mais →