Há duas vias para o ensino e a ação: a da luz e a das trevas. A distância entre estas duas vias é grande. […] A via das trevas é tortuosa e semeada de maldições. É o caminho da morte e do castigo eterno, e nele se encontra tudo quanto pode arruinar uma vida: idolatria, arrogância, orgulho do poder, hipocrisia, duplicidade de coração, adultério, assassínio, roubo, vaidade, desobediência, fraude, malícia […], cupidez, desprezo de Deus. Por aí vão os que perseguem as pessoas de bem, os inimigos da verdade […], os que são indiferentes à viúva e ao órfão […], os que não dão atençãoLeia mais →

Aconselhado pelas minhas leituras a debruçar-me sobre mim mesmo, entrei no fundo do meu coração, conduzido por Ti. Pude fazê-lo porque Tu és o meu apoio. Entrei em mim e vi, não sei com que olhos, mais alta do que o meu pensamento, uma luz imutável. Não era a luz habitual que os olhos do corpo apreendem, nem sequer uma luz do mesmo tipo mas mais poderosa, mais brilhante, que enchesse tudo com a sua imensidade. Não, não era isso, era uma luz diferente, muito diferente de tudo isso. Também não estava acima do meu pensamento como o azeite fica por cima da água, ouLeia mais →

Salvar é um ato de bondade. «A misericórdia divina estende-se a todo o ser vivo: repreende, corrige, ensina e reconduz, como pastor, o seu rebanho. Ele Se compadece daqueles que recebem os seus ensinamentos e dos que se apressam a cumprir os seus preceitos» (Sir 18,13s). […] Os sãos não têm necessidade do médico enquanto estiverem bem; os doentes, pelo contrário, recorrem à sua arte. Nesta vida, todos nós estamos doentes, pelos nossos desejos censuráveis, as nossas intemperanças […] e outras paixões; temos, pois, necessidade de um Salvador. […] Nós, os doentes, temos necessidade do Salvador; extraviados, necessitamos de quem nos guie; cegos, de quemLeia mais →

O nosso Senhor e Salvador, irmãos caríssimos, instrui-nos pelas suas palavras e pelas suas ações. As suas ações são, já por si, mandamentos porque, quando faz alguma coisa, mesmo sem nada dizer, Ele mostra-nos como devemos agir. Eis, pois, que envia os seus discípulos a pregar dois a dois, porque os mandamentos da caridade são dois: o amor a Deus e o amor ao próximo. O Senhor envia os seus discípulos a pregar dois a dois para nos sugerir, sem o dizer, que quem não tem caridade pelos outros não deve empreender o ministério da pregação. O Senhor envia-os «dois a dois à sua frenteLeia mais →

«No meio da noite, ouviu-se um brado». Este brado é aquele de que fala o apóstolo Paulo: «Num instante, num abrir e fechar de olhos, ao som da trombeta final — pois a trombeta soará –, os mortos ressuscitarão incorruptíveis e nós seremos transformados» (1Cor 15,52). E que aconteceu depois de se ouvir este brado, que soará a meio da noite? «As virgens levantaram-se». Que quer isto dizer? O próprio Senhor no-lo explica: «É chegada a hora em que todos os que estão nos túmulos hão de ouvir a sua voz e sairão» (Jo 5,28) […]. Que querem dizer estas palavras: «Não levaram azeite consigo»?Leia mais →

Quando Pedro, cheio de audácia, avança sobre o mar, os seus passos vacilam, mas o seu amor reforça-se […]; afundam-se-lhe os pés, mas ele agarra-se à mão de Cristo. Quando sente as ondas abrirem-se, apoia-se na fé; perturbado pela tempestade, tranquiliza-se no seu amor pelo Salvador. Pedro anda sobre o mar mais levado pelo amor que pelos pés. […] Não vê por onde caminha; vê apenas o vestígio dos passos daquele que ama. Do barco, onde estava seguro, viu o Mestre e, guiado pelo amor que Lhe tem, entra no mar. Já não vê o mar, mas apenas Jesus. Quando, porém, sente a força doLeia mais →

Deus é a fonte e a origem de tudo; e porque é nele, como está escrito, que «vivemos, nos movemos e existimos» (At 17:28), é dele que nos vem o afeto com o qual amamos os nossos filhos. Todo o Universo e todo o gênero humano são filhos do seu Criador; e assim, pelo afeto com que amamos os nossos filhos, Ele quis que compreendêssemos quanto Ele ama os seus filhos. Porque está escrito que «o que é invisível nele – o seu eterno poder e a sua divindade – tornou-se visível à inteligência, desde a criação do mundo, nas suas obras» (Rm 1:20): EleLeia mais →

Os discípulos «acordaram-no e disseram: “Mestre, não Te importas que pereçamos?”». […] Ó bem-aventurados, ó verdadeiros discípulos de Deus, tendes convosco o Senhor, vosso Salvador, e estais com medo? A Vida está convosco e a vossa morte preocupa-vos? Tirais o Criador do sono, como se Ele não pudesse, mesmo a dormir, acalmar as ondas, fazer cessar a tempestade? Que respondem a isto os discípulos bem-amados? Ainda somos crianças fracas. Ainda não somos homens vigorosos. […] Ainda não vimos a cruz; ainda não fomos solidificados pela Paixão do Senhor, a sua ressurreição, a sua ascensão aos Céus e a descida do Espírito Santo Paráclito. […] OLeia mais →

Vê o que Deus disse a Moisés, que ordem lhe deu sobre o caminho a escolher […]. Pensavas talvez que o caminho que Deus mostra é um caminho fácil, sem troços difíceis nem penosos; pelo contrário, trata-se de uma subida, e bem tortuosa. Com efeito, o caminho por onde chegamos às virtudes não é um caminho a descer, mas a subir, e a subida é íngreme e árdua. Escuta o que o Senhor diz no Evangelho: «Como é estreita a porta e apertado o caminho que conduz à vida». Como vês, o Evangelho está em harmonia com a Lei. […] Na verdade, até um cegoLeia mais →

A sabedoria pessoal de Deus, o seu único Filho, criou e realizou todas as coisas. Com efeito, diz o salmo: «Tudo fizeste com sabedoria» (103,24). […] Tal como o nosso discurso humano é imagem desta Palavra que é o Filho de Deus (cf Jo 1,1), assim também a nossa sabedoria é imagem deste Verbo que é a Sabedoria em pessoa. Porque temos nela a capacidade de conhecer e de pensar, somos capazes de receber a Sabedoria criadora, por meio da qual podemos conhecer o Pai: «Aquele que tem o Filho tem também o Pai» (1Jo 2,23), e ainda: «Quem Me recebe, recebe Aquele que MeLeia mais →