«Não vim revogar, mas completar». A força e o poder destas palavras do Filho de Deus encerram um profundo mistério. A Lei, com efeito, prescrevia obras, mas orientava-as todas para a fé em realidades que seriam manifestadas em Cristo; porque o ensino e a Paixão do Salvador são a grande e misteriosa intenção da vontade do Pai. A Lei, sob o véu de palavras inspiradas, anunciou o nascimento do Senhor Jesus Cristo, a sua encarnação, a sua Paixão, a sua ressurreição; os profetas, bem como os apóstolos, ensinam-nos repetidamente que, desde toda a eternidade, o mistério de Cristo foi preparado para ser revelado no nossoLeia mais →

Não consigo ver a tua luz: é demasiado brilhante para a minha vista. E, no entanto, tudo o que vejo é graças à tua luz que o distingo, como os nossos olhos frágeis veem, graças ao sol, tudo o que avistam, sem no entanto conseguirem olhar diretamente para o sol. A minha inteligência fica impotente perante a tua luz, que é demasiado brilhante. Os olhos da minha alma são incapazes de a receber, não suportando sequer permanecer muito tempo fixos nela. O meu olhar fica ferido pelo seu brilho, ultrapassado pela sua extensão; perde-se na sua imensidão e fica confundido perante a sua profundidade. ÓLeia mais →

[Pelo batismo] revesti-me do amor do Senhor (Gal 3,27) […], e Ele abraça-me. Não saberia amar o Senhor, se Ele não me tivesse amado primeiro. Quem pode compreender o amor, a não ser aquele que é amado? Abraço-me ao Amado e minha alma ama-O. Onde fica o seu repouso, aí estou eu (cf Ct 1,7). Não serei um estranho; o Altíssimo é misericordioso. Estou unido a Ele, porque o Esposo encontrou aquele que ama. Porque amo o Filho, torno-me filho. Sim, quem adere Àquele que não morre torna-se imortal. Aquele que se maravilha com a Vida está também vivo. Tal é o verdadeiro espírito doLeia mais →

Ergamos todos o olhar para o Senhor que está nos céus, e digamos, como o profeta: «Fez a sua aparição na terra, onde permaneceu entre os homens» (Bar 3,38). Esse mesmo que aos profetas Se mostrou sob aparências várias, Esse que surgiu a Ezequiel com o aspeto de um homem num trono de fogo (Ez 1, 26) e que Daniel viu como Filho do Homem e ancião, velho e jovem ao mesmo tempo (Dn 7, 9.13), proclamando-O como um só Senhor, Esse é Aquele que apareceu e que tudo iluminou. Ele dissipou a noite sinistra; graças a Ele, é sempre dia. Resplandeceu no mundo aLeia mais →

Ergui os braços aos céus para a graça do Senhor. Ele libertou-me das correntes, atirando-as para longe de mim; o meu protetor elevou-me pela sua graça e a sua salvação. Despi-me das trevas e vesti-me de luz. Vi que o meu corpo não sentia dificuldades, dor ou angústia. O pensamento do Senhor socorreu-me muito, assim como a sua comunhão incorruptível. A sua luz exaltou-me, caminhei na sua presença, e aproximar-me-ei dele, louvando-O e glorificando-O. O meu coração transbordou, invadiu-me a boca e jorrou-me nos lábios. A exultação do Senhor e o seu louvor alegram o meu rosto. Aleluia! Odes de Salomão (texto cristão hebraico doLeia mais →

A oração é, quanto à sua natureza, a conversa e a união da alma com Deus; quanto à sua eficácia, é a conservação do mundo e a sua reconciliação com Deus, um ponto elevado acima das tentações, uma muralha contra as tribulações, a extinção das guerras, a alegria futura, a atividade que não cessa, a fonte das graças, a dadora dos carismas, um progresso invisível, o alimento da alma, a iluminação do espírito, o machado que corta o desespero, a expulsão da tristeza, a redução da ira, o espelho do progresso, a manifestação da nossa medida, o teste ao estado da nossa alma, a revelaçãoLeia mais →

A meu ver, seria indigno afastarmo-nos da contemplação de Cristo, nem que fosse um momento. Quando a nossa vida começar a desviar-se deste objetivo divino, voltemos para ele os olhos do nosso coração e remetamos novamente para ele o olhar do nosso espírito. Tudo repousa no santuário profundo da alma; quando o demônio é dele expulso e o mal deixa de reinar, o reino de Deus estabelece-se em nós. Mas «o reino de Deus», escreve o evangelista, «não vem de maneira visível; […] porque o reino de Deus está no meio de vós». Ora, em nós não pode haver senão ignorância ou conhecimento da verdade,Leia mais →

O Senhor adverte-nos de que as belas palavras e os comportamentos amáveis devem ser julgados pelos frutos que produzem. Devemos, pois, apreciar as pessoas, não por aquilo que se propõem com as palavras, mas pelo que são realmente, pelos seus atos. Muitas vezes, sob uma aparência de ovelha dissimula-se uma raiva de lobo (Mt 7, 15). E, da mesma maneira que os espinhos não produzem uvas, nem os espinheiros figos, […] assim também, diz-nos Jesus, não é em belas palavras que consiste a realidade das boas obras, mas todos os homens devem ser julgados pelos seus frutos (vv. 16-18). Não, um serviço que se limiteLeia mais →

Não devemos chorar os nossos irmãos que a chamada do Senhor retirou deste mundo, pois sabemos que não se perderam, mas partiram antes de nós: deixaram-nos como viajantes, como navegantes, para nos precederem. Devemos portanto invejá-los em vez de os chorar, e não devemos vestir-nos, aqui em baixo, com roupas escuras enquanto, lá no Alto, eles envergam vestes brancas. Não demos aos pagãos oportunidade de com razão nos reprovarem por lamentarmos aqueles que declaramos vivos junto de Deus, como se estivessem aniquilados e perdidos. É que traímos a nossa esperança e fé se o que dizemos parece fingimento e mentira. De nada serve afirmarmos porLeia mais →

Como reinar nos céus mais não é do que aderir a Deus e a todos os santos, pelo amor, numa única vontade, de tal forma que todos exercem em conjunto um único e mesmo poder, ama a Deus mais do que ti próprio, e verás que começas a ter o que desejas possuir de forma perfeita no céu. Concerta-te com Deus e com os homens – desde que estes não se separem de Deus – e começarás a reinar com Deus e com os seus santos. Porque, na justa medida em que agora te concertares com a vontade de Deus e com a dos homens,Leia mais →