Quando Pedro, cheio de audácia, avança sobre o mar, os seus passos vacilam, mas o seu amor reforça-se […]; afundam-se-lhe os pés, mas ele agarra-se à mão de Cristo. Quando sente as ondas abrirem-se, apoia-se na fé; perturbado pela tempestade, tranquiliza-se no seu amor pelo Salvador. Pedro anda sobre o mar mais levado pelo amor que pelos pés. […] Não vê por onde caminha; vê apenas o vestígio dos passos daquele que ama. Do barco, onde estava seguro, viu o Mestre e, guiado pelo amor que Lhe tem, entra no mar. Já não vê o mar, mas apenas Jesus. Quando, porém, sente a força doLeia mais →

«O Senhor Jesus, depois de lhes ter falado, foi elevado ao céu e sentou-Se à direita de Deus» (Mc 16,19). Partia assim para o lugar de onde era, regressava de um lugar onde continuava a permanecer; com efeito, no momento em que subia ao céu com a sua humanidade, unia pela sua divindade o Céu e a Terra. O que temos de destacar na solenidade de hoje, irmãos bem amados, é a supressão do decreto que nos condenava e do julgamento que nos votava à corrupção. Na verdade, a natureza humana a quem se dirigem estas palavras: «Tu és terra e regressarás à terra» (GnLeia mais →

«Depois de João ter sido preso, Jesus partiu para a Galileia». De acordo com a nossa interpretação, João representa a Lei e Jesus o Evangelho. Com efeito, João disse: «Vai chegar depois de mim quem é mais forte do que eu» (Mc 1,7), e ainda: «Ele deve crescer e eu diminuir» (Jo 3,30); é assim que ele compara a Lei com o Evangelho. E diz seguidamente: «Eu batizo na água, mas Ele batizar-vos-á no Espírito Santo» (Mc 1,8). Jesus veio porque João tinha sido preso. Com efeito, a Lei está encerrada e fechada, já não tem a liberdade que teve; mas nós passamos da LeiLeia mais →

Deus é a fonte e a origem de tudo; e porque é nele, como está escrito, que «vivemos, nos movemos e existimos» (At 17:28), é dele que nos vem o afeto com o qual amamos os nossos filhos. Todo o Universo e todo o gênero humano são filhos do seu Criador; e assim, pelo afeto com que amamos os nossos filhos, Ele quis que compreendêssemos quanto Ele ama os seus filhos. Porque está escrito que «o que é invisível nele – o seu eterno poder e a sua divindade – tornou-se visível à inteligência, desde a criação do mundo, nas suas obras» (Rm 1:20): EleLeia mais →

O sal sensível dá sabor ao pão e a todos os alimentos, impede certas carnes de apodrecerem, conservando-as durante muito tempo. Considera que o mesmo acontece com a guarda da inteligência, pois ela cumula de sabor divino tanto o homem interior como o homem exterior, expulsa o odor fétido dos maus pensamentos e permite-nos perseverar no bem. De uma sugestão nascem numerosos pensamentos e destes más ações sensíveis; mas quem, com Jesus, apaga imediatamente a primeira, evita as suas consequências e poderá enriquecer-se com o suave conhecimento divino pelo qual encontrará Deus, que está presente em toda a parte. Estando o espelho da inteligência dianteLeia mais →

Pedro negou uma primeira vez e não chorou, porque o Senhor não olhou para ele. Negou uma segunda vez e não chorou, porque o Senhor ainda não tinha olhado para ele. Negou uma terceira vez, Jesus olhou para ele, e ele chorou amargamente (cf Lc 22,62). Olha-nos, Senhor Jesus, para que saibamos chorar o nosso pecado. Isto mostra que até a queda dos santos pode ser útil. A negação de Pedro não me fez mal; pelo contrário, eu ganhei com o seu arrependimento, pois aprendi a defender-me de um ambiente infiel. […] Portanto, Pedro chorou, e chorou amargamente; chorou para lavar a sua culpa comLeia mais →

Aconselhado pelas minhas leituras a debruçar-me sobre mim mesmo, entrei no fundo do meu coração, conduzido por Ti. Pude fazê-lo porque Tu és o meu apoio. Entrei em mim e vi, não sei com que olhos, mais alta do que o meu pensamento, uma luz imutável. Não era a luz habitual que os olhos do corpo apreendem, nem sequer uma luz do mesmo tipo mas mais poderosa, mais brilhante, que enchesse tudo com a sua imensidade. Não, não era isso, era uma luz diferente, muito diferente de tudo isso. Também não estava acima do meu pensamento como o azeite fica por cima da água, ouLeia mais →

Insensatos, que não cessais de revelar-vos indiscretos na procura da Trindade, sem vos contentardes em acreditar tão-só que Ela existe, tal como vos orienta o Apóstolo, ao dizer: «quem se aproxima de Deus tem de acreditar que Ele existe e recompensa aqueles que O procuram» (Heb 11,6). Que ninguém se ocupe de questões supérfluas, mas se contente em apreender o conteúdo das Escrituras, […] que dizem que o Pai é uma fonte — «o meu povo abandonou-Me, a Mim, nascente de águas vivas» (Jr 2,13); «abandonaste a fonte da sabedoria» (Br 3,12) — e é luz: «Deus é luz» (1Jo 1,5). O Filho, em relaçãoLeia mais →

A imagem é uma forma de mostrar, por analogia, as coisas que esperamos. Por exemplo, Adão é a prefiguração do Adão que havia de vir (cf 1Cor 15,45) e a pedra [no deserto, durante o Êxodo] prefigura Cristo; a água que jorra da pedra é imagem do poder vivificante do Verbo (cf Ex 17,6; 1Cor 10,4), pois Ele disse: «Se alguém tem sede, venha a Mim e beba» (Jo 7,37); o maná é a prefiguração do «pão vivo que desceu do Céu» (Jo 6,51); e a serpente colocada num poste é figura da Paixão, da nossa salvação consumada na cruz, pois quem olhasse para elaLeia mais →

Há duas vias para o ensino e a ação: a da luz e a das trevas. A distância entre estas duas vias é grande. […] A via das trevas é tortuosa e semeada de maldições. É o caminho da morte e do castigo eterno, e nele se encontra tudo quanto pode arruinar uma vida: idolatria, arrogância, orgulho do poder, hipocrisia, duplicidade de coração, adultério, assassínio, roubo, vaidade, desobediência, fraude, malícia […], cupidez, desprezo de Deus. Por aí vão os que perseguem as pessoas de bem, os inimigos da verdade […], os que são indiferentes à viúva e ao órfão […], os que não dão atençãoLeia mais →