«A memória da vossa vida será comparada à cinza» (Jb 13,12 Vg). Aqueles cujo pensamento terreno os modela com base no século procuram deixar neste mundo, em cada um dos seus atos, a memória da sua pessoa; quer se trate de títulos de guerra, dos muros altaneiros dos edifícios ou de tratados eloquentes sobre as ciências do século, todos se esforçam incansavelmente por criar um nome que não seja esquecido. Mas a vida corre muito depressa para o seu fim e não pode garantir qualquer estabilidade, uma vez que também ela, na sua mobilidade, se escoa rapidamente. Com efeito, um sopro leva a cinza, comoLeia mais →

«Bem sei que sois descendentes de Abraão». […] Aquele que é a semente de Abraão deve tornar-se seu filho, assumindo a sua semelhança. Mas pode acontecer que, por negligência ou inação, destrua essa preciosa semente dentro de si. Jesus sabia que eles eram da descendência de Abraão e que ainda não tinham perdido o poder de se tornar filhos de Abraão. Foi por isso que lhes disse: «Se fôsseis filhos de Abraão, faríeis as obras de Abraão»: se eles quisessem deixar crescer esta preciosa semente em todo o seu potencial, compreenderiam as palavras de Jesus. […] Há quem escolha apenas uma das obras de Abraão,Leia mais →

«Onde levas o teu rebanho a pastar» (Cant 1,7), ó bom pastor que o carregas aos ombros (cf Lc 15,5)? Porque toda a raça humana é uma única ovelha que Tu tomaste aos ombros. Mostra-me o lugar da tua pastagem, faz-me conhecer as águas do repouso, leva-me às ervas suculentas, chama-me pelo nome (cf Jo 10,3), para que eu ouça a tua voz, eu que sou tua ovelha, que a tua voz seja para mim a vida eterna. Sim, diz-mo, «Tu, a quem o meu coração ama» (Cant 1,7). É assim que Te chamo porque o teu nome está acima de todo o nome (cfLeia mais →

Escutai todos, judeus e gentios […]; escutai, todos os reinos da Terra! Eu não impeço o vosso domínio sobre este mundo, «o meu reino não é deste mundo». Não temais, pois, com esse medo insensato que dominou Herodes quando lhe anunciaram o meu nascimento. […] Não, diz o Salvador, «o meu reino não é deste mundo». Vinde todos a um reino que não é deste mundo; vinde a ele pela fé; que o medo não vos torne cruéis. É verdade que, numa profecia, o Filho de Deus diz, falando do Pai: «Por Ele, fui eleito rei sobre Sião, sobre a montanha sagrada» (Sl 2,6).  MasLeia mais →

Ouço falar da ressurreição e interrogo-me sobre o futuro dessa ressurreição. Com efeito, creio que estou destinado a ressuscitar, mas quero que me digam que tipo de ser serei. Preciso de saber se ressuscitarei noutro corpo, talvez sutil, isto é, aéreo, ou no corpo em que morrerei. Mas, se ressuscitar num corpo aéreo, já não serei eu a ressuscitar. Como pode haver verdadeira ressurreição se a minha carne não pode ser verdadeira carne? A razão sugere-nos claramente que, se não houver verdadeira carne, não haverá, obviamente, verdadeira ressurreição. Não, não temos o direito de falar de ressurreição enquanto aquilo que sucumbiu não ressuscitar. Pois bem,Leia mais →

Quando Cristo reconciliou o mundo com Deus, não tinha evidentemente necessidade de reconciliação para Si; de facto, por que pecados deveria apaziguar a Deus, se não tinha cometido pecado algum? Por isso, quando os judeus Lhe exigiram a didracma requerida pela Lei, Jesus disse a Pedro: «Simão, que te parece? De quem recebem os reis da terra impostos ou tributos? Dos filhos ou dos estranhos?». Pedro respondeu: «Dos estrangeiros». Jesus disse-lhe: «Então os filhos estão isentos. Mas, para não os escandalizarmos, vai ao mar e deita o anzol. Apanha o primeiro peixe que morder a isca, abre-lhe a boca e encontrarás um estáter. Pega neleLeia mais →

«Tem os ouvidos cheios de ruídos aterradores, e no meio da paz suspeita de armadilhas» (Jb 15-21, Vg). Pelo contrário, não há coisa mais feliz que um coração simples, que, mostrando-se aos outros pela inocência, nada tem a temer deles; pelo contrário, na sua simplicidade, é como cidadela fortificada, não o preocupa ter de sofrer da parte dos outros aquilo que ele próprio não se lembra de ter feito. Daí as sábias palavras de Salomão: «O temor do Senhor dá firme confiança» (Pr 14,26); e ainda: «A alma segura é como um banquete contínuo» (Pr 15,15). A paz da segurança é como um alimento queLeia mais →

Quando foi que o Senhor quis dar-Se a conhecer? «Ao partir o pão». Podemos ter a certeza de que, quando partimos o pão, reconhecemos o Senhor. Ele só quis ser reconhecido naquele momento por nossa causa, porque não já O veríamos em carne e osso, mas comeríamos a sua carne. Sejas quem fores, crente que não usas o nome de cristão em vão e que não vais à igreja por nada, tu, que escutas com temor e esperança a palavra de Deus, o teu conforto está na partilha do pão. A ausência do Senhor não é uma ausência. Crê somente, e Aquele que não vêsLeia mais →

Ao ver que levavam o bispo Sixto para o martírio, São Lourenço pôs-se a chorar. Não era o sofrimento do seu bispo que lhe arrancava lágrimas, mas o facto de não o acompanhar no martírio. Por isso, interpelou-o nestes termos: «Aonde vais, meu pai, sem o teu filho? Para ondes corres, padre santo, sem este teu diácono? Tinhas por hábito nunca oferecer o sacrifício sem ministro! […] Dá, pois, uma prova de que escolheste um bom diácono, a quem confiaste o ministério do sangue do Senhor, com quem partilhas os sacramentos; recusar-te-ás a comungar com ele no sacrifício do sangue?» […] O Papa Sixto respondeuLeia mais →

Grandes Regras, Q. 2 Recebemos de Deus a tendência natural para cumprir Seus mandamentos, de modo que não podemos nos revoltar, como se Ele nos pedisse algo extraordinário, nem nos orgulhar, como se estivéssemos dando mais do que nos foi dado. […] Ao recebermos de Deus o mandamento do amor, já possuímos, desde a nossa origem, a capacidade natural de amar. Essa faculdade não nos foi imposta de fora para dentro; isso é evidente, pois buscamos naturalmente aquilo que é belo […]. Sem que nos ensinem, amamos aqueles que são nossos parentes, unidos por laços de sangue ou de aliança. E, de boa vontade, demonstramosLeia mais →