Que posso dizer sobre este mistério? Vejo um operário, uma manjedoura, um Menino, uns paninhos, uma Virgem que dá à luz privada do necessário; vejo as marcas da indigência, o fardo da pobreza. Alguma vez vistes a riqueza em tal penúria? Como é que Aquele que era rico Se fez pobre por nós (cf 2Cor 8,9) a ponto de, privado de berço e de mantas, estar deitado numa dura manjedoura? […] Oh! Riqueza imensa, sob a aparência de pobreza! Ele dorme numa manjedoura, mas abala o universo. Envolto em panos, rompe as cadeias do pecado. Embora ainda não saiba falar, instruiu os magos para queLeia mais →

«Eu tenho a minha testemunha no Céu, um defensor nas alturas» (Job 16,19). Quando o Filho vacilou na Terra, tinha uma testemunha no Céu. Com efeito, o Pai é a testemunha do Filho, como diz no Evangelho: «O Pai, que Me enviou, também Ele deu testemunho de Mim». Mas também é justamente chamado seu confidente, porque é numa única vontade, num único conselho, que o Pai opera sempre com o Filho. E é também sua testemunha porque «ninguém conhece o Filho senão o Pai» (Mt 11,27). O Filho tinha, pois, a sua testemunha no Céu, um defensor nas alturas» no dia em que aqueles queLeia mais →

O próprio Senhor veio, mestre de caridade, cheio de caridade. […] Refleti comigo, irmãos, sobre a natureza destes dois preceitos. Eles devem ser-nos muito conhecidos, não nos vindo à mente só quando os recordamos, mas nunca desaparecendo do nosso coração: é esse o nosso dever. Lembrai-vos sempre de que devemos amar a Deus e ao nosso próximo. A Deus com todo o coração, toda a alma e todo o entendimento; e ao próximo como a nós mesmos. […] O amor a Deus é o primeiro na ordem dos preceitos, mas o amor ao próximo é o primeiro na ordem da execução. De facto, aquele queLeia mais →

«Se ele destruir, ninguém poderá construir; se ele fechar, ninguém poderá abrir» (Jb 12,14). Deus Todo-Poderoso destrói o coração do homem quando o abandona e constrói-o quando o enche. Deus não destrói a alma do homem lutando, mas retirando-Se: entregue a si mesma, a alma está perdida. Por isso, quando, em castigo pelos seus pecados, a graça de Deus omnipotente não enche o coração de um ouvinte, é em vão que o pregador tenta instruí-lo do exterior, pois toda a boca que fala é muda se Aquele que inspira as palavras que ressoam não gritar no fundo do coração. E não deve espantar-nos que umLeia mais →

Ontem, celebrámos o nascimento temporal do nosso Rei eterno; hoje, celebramos o martírio triunfal do seu soldado. […] O nosso Rei, o Altíssimo, humilhou-Se por nós; mas a sua vinda não foi em vão, pois Ele trouxe grandes dons aos seus soldados, a quem não só enriqueceu abundantemente, mas também fortaleceu para serem invencíveis na luta: trouxe-lhes o dom da caridade, que torna os homens participantes da natureza divina. […] A mesma caridade que Cristo trouxe do Céu à terra levou Estêvão da terra ao Céu. […] Para merecer a coroa que o seu nome significa, Estêvão tomou como arma a caridade, e com elaLeia mais →

Não duvido, Senhor, na minha consciência tenho a certeza de que Te amo.Bateste ao meu coração com o teu Verbo e eu amei-Te.Mas o que é que amo quando Te amo?Não é a beleza do corpo, nem o encanto de um momento,nem o brilho da luz que agrada aos meus olhos terrenos,nem as doces melodias dos hinos de todas as modas,nem o suave cheiro das flores, dos perfumes, dos aromas,nem maná nem o céu,nem os membros acolhedores dos abraços da carne.Não são estas as coisas que amo quando amo o meu Deus.E, no entanto, amo uma certa luz e uma certa voz,um certo perfume eLeia mais →

Ser sepultado com Cristo e ressuscitar com Ele, herdar o Céu com Ele e tornarmo-nos filhos de Deus: é este o grande mistério, é isto que é para nós o Deus encarnado, que Se fez pobre por nós. Ele veio erguer a carne, salvar a sua imagem, reparar o homem. Veio tornar-nos perfeitamente unos em Cristo, nesse Cristo que veio perfeita e completamente a nós, para pôr em nós tudo o que Ele é. Já não há judeu nem gentio, já não há escravo nem homem livre, já não há homem nem mulher, que são características da carne; há apenas a imagem divina que trazemosLeia mais →

Depois de ter falado a Pedro sobre o amor [que ele devia ter], Jesus predisse-lhe o martírio que lhe estava destinado, mostrando-lhe assim a confiança que tinha nele. Para nos dar um exemplo de amor e nos ensinar a melhor maneira de O amar, disse-lhe: «Quando eras mais novo, tu mesmo te cingias e andavas por onde querias; mas quando fores mais velho, estenderás a mão e outro te cingirá e te levará para onde não queres». Era aliás o que Pedro queria e desejava; foi por isso que Jesus lhe falou assim. Pedro tinha-Lhe dito: «Darei a minha vida por Ti» (Jo 13,37) e:Leia mais →

Que maravilha! O mensageiro nasce antes daquele que o fez vir ao mundo. João é realmente a voz e Jesus o Verbo, a Palavra de Deus (cf Mt 3,3; Jo 1,1). […] A palavra nasce primeiro no espírito, e depois suscita a voz que a enuncia; a voz exprime-se pelos lábios e dá a conhecer a palavra aos que a escutam. Assim, Cristo permaneceu em seu Pai, por quem João foi criado, como todas as coisas, mas João nasceu de uma mãe e deu Cristo a conhecer a todos os homens. Ele era o Verbo que existia desde o princípio, antes que o mundo existisse;Leia mais →

Deus tinha criado o homem à sua imagem e semelhança (cf Gn 1,26), e havia-o julgado digno de O conhecer, pois estava acima de todos os animais devido ao dom da inteligência, fora criado no gozo das incomparáveis delícias do Paraíso e fora feito senhor de tudo o que havia à face da Terra. Mas, ao vê-lo cair no pecado, instigado pela serpente, e, pelo pecado, na morte e no sofrimento que a ela conduzem, não o rejeitou. Pelo contrário, deu-lhe desde logo o auxílio da sua Lei; designou anjos para o guardarem e cuidarem dele; enviou profetas para lhe reprovarem a maldade e lheLeia mais →