Há muitas coisas que não conseguimos realizar fisicamente, pela nossa fraqueza humana; mas, se o desejarmos verdadeiramente, poderemos, com a inspiração de Deus, encontrar amor no nosso coração. Há coisas que não conseguimos tirar do sótão, da adega ou da despensa de nossa casa, mas não temos nenhuma desculpa quando se trata do coração. […] Ninguém nos diz: «Ide para o Oriente à procura do amor; navegai para Ocidente e encontrareis o amor». Não, ordenam-nos que entremos no interior do nosso coração, de onde a cólera nos faz sair com tanta frequência. Como diz o profeta: «Pecadores, lembrai-vos disto e meditai» (Is 46,8). Não éLeia mais →

Para discernir sem erro o bem do mal, é precisa a luz do verdadeiro conhecimento. […] Aqueles que lutam devem preservar a todo o momento a calma do pensamento; assim, o espírito poderá discernir as sugestões que o atravessam, e depositará no tesouro da memória as que são boas e vêm de Deus, rejeitando as que são más e diabólicas. Quando o mar está calmo, os pescadores apercebem-se dos movimentos que têm lugar nas suas profundezas, de maneira que quase nenhum dos seres que as percorrem lhes escapa; mas, quando é agitado pelo vento, esconde nessa sombria agitação aquilo que mostra nos momentos de tranquilidade.Leia mais →

Jesus «orava a sós» (Lc 9,18). A fonte da oração reside no silêncio da paz interior; é aí que se manifesta a glória de Deus (cf Lc 9,29). Porque, quando cerramos os olhos e os ouvidos e nos encontramos no nosso interior, na presença de Deus, quando nos libertamos da agitação do mundo exterior e nos encontramos dentro de nós próprios, então vemos claramente na nossa alma o Reino de Deus. Porque o Reino dos Céus ou, se preferirmos, o Reino de Deus, está em nós próprios: é Jesus Nosso Senhor quem no-lo diz (cf Lc 17,21). No entanto, os crentes e o Senhor oramLeia mais →

Nosso Senhor foi tocado pela morte, mas, em contrapartida, abriu um caminho que esmaga a morte: submeteu-Se à morte e sofreu-a voluntariamente, para a destruir. Seguindo a ordem da morte, «saiu carregando a cruz» (Jo 19,17); mas, já na cruz, soltou um brado e tirou os mortos do inferno, embora a morte não quisesse consenti-lo. […] Ele é o glorioso «filho do carpinteiro» (Mt 13,55), que, no carro da cruz, desceu à voraz garganta da morada dos mortos e transferiu o género humano para a morada da vida (cf Col 1,13). E, se pela árvore do paraíso o género humano caíra na morada dos mortos,Leia mais →

«Se não for o Senhor a edificar a casa, em vão trabalham os construtores» (Sl 126,1); «vós sois o Templo de Deus e o Espírito de Deus habita em vós» (1Cor 3,16). A esta casa que é o Templo de Deus, cheio de ensinamentos e graças de Deus, a esta morada que contém a santidade do coração de Deus, prestou o mesmo profeta a seguinte homenagem: «O teu templo é santo, maravilhoso de justiça» (Sl 64,6, Vulg). A santidade, a justiça e a castidade do homem são um templo para Deus. Esta casa deve, pois, ser construída por Deus. Uma construção edificada pelo trabalho dosLeia mais →

O Senhor dirá àqueles que desprezaram a sua misericórdia: «Homem, fui Eu que, com as minhas mãos, te formei do pó da terra, fui Eu que insuflei o espírito no teu corpo de terra, fui Eu que Me dignei atribuir-te a nossa imagem e a nossa semelhança, fui Eu que te coloquei no meio das delícias do paraíso. Mas tu, desprezando os mandamentos da vida, preferiste seguir o sedutor a seguir o Senhor. »Consequentemente, quando foste expulso do paraíso e ficaste preso nas cadeias da morte pelo pecado, enternecido de misericórdia, Eu entrei num seio virginal para vir ao mundo, sem prejuízo para essa virgindade.Leia mais →

Quando o Senhor, sentado no barco de pesca, disse a Pedro: «Faz-te ao largo e lançai as redes para a pesca», quis aconselhá-lo não tanto a lançar às profundezas da água as redes de pesca, mas a derramar no fundo dos corações as palavras da pregação. Foi neste abismo do coração que São Paulo penetrou ao clamar: «Oh, que profundidade de riqueza, de sabedoria e de ciência é a de Deus!» (Rom 11,33). […] Tal como as redes trazem nas suas malhas, para dentro do barco, os peixes que apanharam, assim a fé conduz ao seu seio, para o descanso, todos os homens recolhidos porLeia mais →

Prestai atenção, caríssimos irmãos: as Sagradas Escrituras foram-nos transmitidas, por assim dizer, como cartas enviadas da nossa pátria. Com efeito, a nossa pátria é o paraíso; os nossos pais são os patriarcas, os profetas, os apóstolos e os mártires; os nossos concidadãos são os anjos; o nosso Rei é Cristo. Quando Adão pecou, fomos, por assim dizer, lançados no exílio deste mundo. Mas, porque o nosso Rei é fiel e misericordioso, mais do que se possa imaginar ou dizer, dignou-Se enviar-nos, por intermédio dos patriarcas e dos profetas, as Sagradas Escrituras, como cartas pelas quais nos convidava para a nossa eterna e primeira pátria. […]Leia mais →

Irmãos, como é grande e admirável o dom que o Senhor nos dá! Neste dia de Páscoa, dia da salvação, o Senhor ressuscitou e dá a ressurreição ao mundo. […] Nós somos o seu corpo (1Cor 12,27) […] e, como seus membros, ressuscitamos com Ele, […] que nos faz passar da morte à vida. «Páscoa» em hebraico quer dizer passagem […], e que passagem! Do pecado à justiça, do vício à virtude, da velhice à infância. […] Ontem, a queda no pecado mostrava-nos o caminho do declínio; mas a ressurreição de Cristo faz-nos reviver na inocência dos recém-nascidos. A simplicidade cristã faz sua a infância.Leia mais →