Se alguém quer tender à perfeição, partirá do primeiro degrau, que é o do temor, estado propriamente servil, […] e elevar-se-á, em progresso continuado, até às vias superiores da esperança. Esta […] espera a recompensa, […] mas ainda não alcançou aquele sentimento do filho, que, confiando-se à indulgência e à liberalidade paternas, não duvida de que tudo o que é de seu pai também é seu. O filho pródigo do evangelho não ousa a aspirar, depois de tudo o que perdeu, ao nome de filho. Reparai que ele invejava as arrobas que os porcos comiam, ou seja, o alimento sórdido do vício, e ninguém lhasLeia mais →

Se temos o desejo de agradar ao Rei dos Céus, esforcemo-nos por não desejar outra glória senão a do alto. Com efeito, quem a experimentou despreza por completo a glória terrena, mas só quem experimentou aquela pode desprezar esta. […] Quem pede a Deus que lhe conceda dons em troca do seu esforço constrói sobre fundamentos instáveis; pelo contrário, quem se considera devedor receberá subitamente uma riqueza inesperada. […] Há uma glória que vem do Senhor, pois Ele disse: «Eu glorificarei aqueles que Me glorificarem» (1Sam 2,30); e há uma glória que deriva dos artifícios do demónio, pois está escrito: «Ai de vós quando todosLeia mais →

Revelar o nome de Cristo, dizer-se cristão, sem seguir a via de Cristo, é trair este nome divino e abandonar o caminho da salvação. Porque o próprio Senhor ensina e declara que quem segue os seus mandamentos entrará na vida eterna (cf Mt 19,17), quem escuta as suas palavras e as põe em prática é sábio (cf Mt 7,24), e quem as ensina e com elas se conforma nas suas obras será chamado grande no Reino dos Céus. A pregação boa e salutar, afirma Ele, só aproveita ao pregador se a palavra que lhe sair da boca se traduzir em obras. Ora, haverá mandamento queLeia mais →

«Perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido». Ó clemência inefável de Deus! Para além de nos dar um modelo de oração, para além de instituir a regra de vida pela qual podemos tornar-nos agradáveis a seus olhos, através da fórmula que nos ensina e nos recomenda que utilizemos constantemente na oração, arranca como que por necessidade as raízes da ira e da tristeza. Mas não é tudo. Também nos permite, na própria oração, pedir-Lhe que faça um juízo indulgente e misericordioso sobre nós, dando-nos a possibilidade de suavizar a nossa sentença, levando-O ao perdão pelo exemplo da nossa própriaLeia mais →

Sede em tudo «prontos para ouvir e lentos para falar »(Tg 1, 19), não aconteça que se vos aplique a observação de Salomão: «Viste um homem precipitado no falar? Há mais a esperar dum insensato do que dele» (Sab 29,20). Não tenhais a pretensão de ensinar a outra pessoa seja o que for que vós não tenhais primeiro praticado. É essa a ordem que Nosso Senhor nos ensina a seguir com o seu exemplo: «Começou a fazer e a ensinar» (At 1,1). Tendo cautela, se vos precipitardes a ensinar sem terdes praticado, não aconteça que sejais contados no número daqueles sobre quem o Senhor declaraLeia mais →

Há uma misericórdia do Céu à qual se chega através da misericórdia na Terra. […] E há dois tipos de esmola: uma é boa e a outra melhor. Uma consiste em dar pão aos pobres; a outra, em perdoar imediatamente ao irmão que pecou contra nós. Com a ajuda do Senhor, apressemo-nos a praticar estes dois tipos de esmola, para podermos receber o perdão eterno e a verdadeira misericórdia de Cristo. Pois Ele mesmo disse: «Se perdoardes aos homens as suas ofensas, também o vosso Pai celeste vos perdoará a vós. Se, porém, não perdoardes aos homens as suas ofensas, também o vosso Pai vosLeia mais →

Procuremos nas coisas humanas uma comparação para a incomparável clemência do nosso Criador; não com a mira de nelas encontrar igualdade de ternura, mas ao menos uma certa semelhança na bondade indulgente. Pensemos numa mãe cheia de amor e de cuidados, que durante muito tempo anda com o filho ao colo, até que, finalmente, o ensina a caminhar. A princípio, deixa-o gatinhar. Depois, levanta-o, pegando-lhe na mão, a fim de que ele aprenda a pôr os pés um à frente do outro. A seguir, solta-o uns momentos; porém, vendo que o filho vacila, rapidamente lhe estende a mão, apoiando-lhe os passos hesitantes, levantando-o do chãoLeia mais →

A oração dominical é verdadeiramente o resumo de todo o evangelho. Começa por um testemunho prestado a Deus por um ato de fé, quando dizemos: «Pai nosso, que estás nos Céus». Com esta invocação, rezamos a Deus e proclamamos a nossa fé, conforme está escrito: «Àqueles que O receberam, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus» (Jo 1,12). Aliás, o Senhor chama frequentemente a Deus nosso Pai; mais ainda, ordenou-nos que , na Terra, a ninguém chamássemos Pai, reservando este nome para o Pai celeste (cf Mt 23,9). Rezando deste modo, estamos, pois, a obedecer à sua vontade. Felizes daqueles que reconhecem oLeia mais →

Refleti, meus irmãos, e vede o exemplo de Nosso Senhor, que fez de nós viajantes a caminho da cidade celeste (cf Hb 11,13s), pela via da caridade. […] Estando no Céu, a sua compaixão pelos seus membros que sofrem — pois Ele é a cabeça dos membros e do corpo de todo o mundo (cf Col 2,19) — levou-O a dizer: «Quantas vezes o deixastes de fazer a um dos meus irmãos mais pequeninos, também a Mim o deixastes de fazer». […] Quando Ele transformou Paulo, o perseguidor, em pregador, disse-lhe do alto do Céu: «Saulo, Saulo, porque Me persegues?» (At 9,4). […] Quem SauloLeia mais →