Entrega-te, ó minha alma, ao arrependimento; une-te a Cristo pela razão e, gemendo, grita: Concede-me o perdão das minhas faltas, para que de Ti, que és bom (cf Mc 10,18), receba a absolvição e a vida eterna. […] Moisés e Elias, que eram torres de fogo, foram grandes nas suas obras. […] Foram os primeiros entre os profetas, falavam livremente com Deus, compraziam-se em dele se aproximarem para com Ele conversarem face a face (cf Ex 34,6; 1Rs 19,13) — facto admirável e incrível. Apesar disso, não deixaram de recorrer ao jejum, que os conduzia a Deus (cf Ex 34,28; 1Rs 19,8). Pois, tal comoLeia mais →

[«Convertei-vos e que cada um receba o batismo em nome de Jesus Cristo, para o perdão dos seus pecados», At 2,38] Vós, que ides ser batizados, já sois discípulos da Nova Aliança e participantes nos mistérios de Cristo; já […] criastes «um coração novo e um espírito novo» (Ez 18,31), para alegria dos habitantes do Céu. […] Iniciastes uma viagem […]: tendes o Filho único de Deus à vossa espera, pronto para vos resgatar. «Vinde», diz Ele, «vós que andais cansados e oprimidos, e Eu vos aliviarei» (Mt 11,28). Vós, que andais acabrunhados e afligidos pelos vossos pecados, enredados nas malhas dos vossos erros (cfLeia mais →

Deus Pai todo-poderoso, quero consagrar-Te a principal ocupação da minha vida. Que tudo em mim, as minhas palavras e os meus pensamentos, falem de Ti. […] Conscientes da nossa pobreza, pedimos-Te o que nos falta; escrutinaremos as palavras dos teus profetas e dos teus apóstolos com zelo infatigável, bateremos a todas as portas que a nossa inteligência encontrar cerradas. Mas é a Ti que cabe responder-nos, conceder-nos o que procuramos, abrir a porta fechada (cf Lc 11,9). Porque vivemos numa espécie de torpor pelo entorpecimento da nossa natureza; a nossa fraqueza de espírito impede-nos de compreender os teus mistérios devido a uma ignorância inelutável. Felizmente,Leia mais →

Se quereis chegar à verdadeira ciência das Escrituras, apressai-vos a adquirir uma inabalável humildade de coração, pois será ela a conduzir-vos, não à ciência que incha, mas àquela que ilumina, pela consumação da caridade. A alma impura não pode obter o dom da ciência espiritual. […] Aquele cuja alma é impura não é capaz de adquirir a ciência espiritual, por muito assíduo que seja à leitura. Não se mete um perfume de qualidade, um mel excelente, um licor precioso num recipiente fétido e corrompido. É mais fácil um recipiente cheio de odores repugnantes contaminar o mais odoroso perfume que receber dele alguma suavidade; mais depressaLeia mais →

A tradição dos antigos ensina-nos que a natureza dos carismas espirituais se reveste de uma tríplice forma. A primeira causa do dom de cura é o mérito da santidade: a graça dos milagres acompanha todos os eleitos e os justos. É bem claro, por exemplo, que os apóstolos e muitos santos realizaram sinais e prodígios, segundo o mandamento do Senhor: «Curai os doentes, ressuscitai os mortos, purificai os leprosos, expulsai os demônios; recebestes de graça, dai de graça» (Mt 10,8). A segunda é a edificação da Igreja, ou para recompensa da fé, quer daqueles que apresentam os seus doentes, quer dos próprios doentes; a virtudeLeia mais →

Cristo quis atrair o mundo a Si e reconduzir a Deus Pai todos os habitantes da Terra, para refazer todas as coisas e renovar a face da Terra. Sendo o Senhor do Universo, tomou «a condição de servo» (Fil 2,7) e anunciou a Boa Nova aos pobres, pois para isso fora enviado (cf Lc 4,18). Os pobres, ou antes, aqueles que podemos considerar pobres são os que sofrem por estarem privados do bem, os que se veem sem esperança e sem Deus neste mundo (cf Ef 2,12), como diz a Escritura. São os que vieram do paganismo e, enriquecidos pela fé em Cristo, beneficiaram desteLeia mais →

Há uma razão para o nome de principados e potestades [espíritos maus], que é o fato de exercerem dominação e império sobre povos diversos, ou de terem sob eles espíritos e demônios de categoria inferior, que o evangelho e eles próprios nos dizem chamarem-se legião. Com efeito, não podem ser chamados dominações, a não ser que tenham sobre quem exercer poder, nem potestades ou principados, se não houver ninguém sobre quem possam reivindicar preeminência. A blasfêmia dos fariseus que o evangelho refere salienta bem esta verdade: «É por Belzebu, o príncipe dos demônios, que Ele expulsa os demônios», afirmam (Mt 12,24). Noutra passagem, encontramos aLeia mais →

Participando Cristo nesta boda e estando os convivas a festejar, faltou-lhes o vinho e a alegria transformou-se em desilusão. […] Vendo isso, a puríssima Maria foi dizer a seu Filho: «Não têm vinho. Peço-Te, meu Filho, mostra que tudo podes, Tu que tudo criaste com sabedoria». Diz-nos, Virgem venerável, na sequência de que milagres soubeste que teu Filho, sem ter vindimado as uvas, podia conceder o vinho? Explica-nos […] porque disseste a teu Filho: «Dá-lhes vinho, Tu que tudo criaste com sabedoria». «Eu mesma ouvi Isabel chamar-me Mãe de Deus antes do parto; depois do parto, Simeão cantou-me e Ana celebrou-me; os magos acorreram aoLeia mais →

Parece-me impossível distinguir todos os tipos de oração, a não ser que se tenha uma pureza de coração verdadeiramente singular e luzes extraordinárias do Espírito Santo, pois o seu número é tão grande que pode haver na mesma alma, e em todas as almas, estados e disposições muito diferentes. […] A oração modifica-se a cada instante, segundo o grau de pureza a que a alma chegou, mas também conforme a sua disposição atual, que pode ser espontânea ou devida a influências exteriores; e é certo que não permanece sempre idêntica a si mesma em cada pessoa. Rezamos de forma diferente conforme temos o coração leveLeia mais →