Que temor e tremor se apoderarão de nós quando tivermos de partir deste mundo? […] Como enfrentaremos esse dia terrível se vivermos de forma negligente? Quando, ao sinal da trombeta do Arcanjo, todos os homens ressuscitarem (cf 1Tim 4,6), e todos os povos, tribos e línguas (cf Ap 5,9) forem sujeitos a juízo, o céu dissolver-se-á com estrondo, os elementos incendiar-se-ão (cf 2Pe 3,10.12), toda a criação será transformada, as inúmeras miríades de anjos avançarão com temor, e o Juiz de todas as coisas sentar-Se-á no trono; nessa altura, os atos e as palavras de todos serão manifestos e Ele colocará diante de nós osLeia mais →

Direi aquilo que a experiência me revelou acerca dos sinais pelos quais se reconhece que a oração foi ouvida pelo Senhor. Se a nossa oração não foi percorrida por qualquer hesitação e nenhum pensamento de dúvida abalou o impulso confiante; se, pelo contrário, temos o sentimento íntimo de ter obtido aquilo que pedíamos na própria efusão da nossa oração, esta foi indubitavelmente eficaz junto de Deus. Porque aquilo que nos permite ser ouvidos e obter satisfação é a fé no olhar de Deus sobre nós, e a confiança de que Ele tem o poder de nos conceder o que Lhe pedimos. Nosso Senhor não podeLeia mais →

Sede, pois, bons uns com os outros (cf Ef 4,32), indulgentes, cheios de amor fraterno; suportai-vos uns aos outros com caridade (cf Ef 4,2); levai as cargas uns dos outros (cf Gal 6,2), cedei, perdoai; considerai-vos uns aos outros (cf Rom 12,10) com reverência, com piedade e temor de Deus. Se for essa a vossa conduta, se viverdes assim, sereis meus santos, ou melhor, santos de Deus, anjos de Deus neste mundo, adoradores do seu poder (cf Jo 4,23), ministros da sua glória, herdeiros do Reino dos Céus, companheiros dos santos, habitantes do paraíso, usufruindo dos bens consideráveis que vos foram reservados. É por issoLeia mais →

O remédio mais eficaz para o coração humano é a paciência, conforme as palavras de Salomão: «O homem manso é o médico do coração» (Prov 14,30). Ela extirpa a ira, a tristeza, a preguiça, a vanglória e a soberba, bem como a volúpia e todos os vícios: «A longanimidade faz a prosperidade dos reis», diz também Salomão (Prov 25,15). Quem é sempre manso e tranquilo não se deixa inflamar pela ira nem consumir pela angústia do tédio e da tristeza, não se dispersa nas fúteis buscas da vanglória nem consente em se elevar pela soberba: «Há superabundância de paz para aqueles que amam o nomeLeia mais →

Quando, após ter abandonado as trevas do erro para aderir ao amor de Deus, Paulo se junta ao número dos discípulos, Lucas acompanha-o para todo o lado e torna-se seu companheiro de viagem (cf At 16,10s). […] Dá-se tão bem com ele, torna-se-lhe tão familiar e partilha de tal modo todas as suas graças que Paulo, quando escreve aos crentes, se refere a Lucas como o seu bem-amado (cf Col 4,14). Desde Jerusalém e por toda aquela região até à Dalmácia (cf Rom 15,19), pregou com ele o Evangelho; da Judeia a Roma, partilhou com ele as correntes, os trabalhos, as provações, os naufrágios. QueriaLeia mais →

Prenderam alguns jovens catecúmenos: Revocato e Felicidade, ambos escravos, Saturnino e Secundino, e com eles encontrava-se Víbia Perpétua. Esta era nobre de nascimento, tivera uma educação esmerada e fizera um bom casamento. Perpétua tinha ainda pai e mãe, dois irmãos – um dos quais também era catecúmeno – e um filho de peito. Tinha cerca de vinte e dois anos. Ela própria relatou a história completa do seu martírio. Ei-la, escrita por seu punho, com base nas suas impressões: «Estávamos ainda com os guardas, mas o meu pai já estava a tentar convencer-me. Na sua ternura, tudo fazia para me enfraquecer a fé.– Pai, disse-lheLeia mais →

Meus pais, meus irmãos, meus filhos, o inimigo ataca-nos sem cessar com todo o seu furor, mas, também sem cessar, é afastado pelas potências divinas […]. Quando alguém, depois de ter rejeitado o Espírito Santo, abre a porta e dá entrada ao desconhecido que lhe ensina a fazer e a dizer tudo aquilo de que gosta, o inimigo encontra nele uma presa. Pois bem, examinemos as propriedades das duas forças em ação, dando alguma atenção ao que se segue. […] Quem tem o Espírito Santo, tem alegria, paz, longanimidade, caridade. Profere palavras mais doces que o mel das abelhas, porque lhe saem da abundância doLeia mais →

Ninguém duvida de que há boas razões para se aplicar aos anjos os vocábulos que assinalam a sua categoria, e para eles terem nomes que exprimem o seu cargo, os seus méritos e a sua dignidade. É manifesto, em primeiro lugar, que o nome de anjos ou mensageiros provém do ofício de anunciar a vontade divina, e o nome de arcanjos, do facto de estes terem poder sobre os anjos, como indica a palavra. Há outros que são chamados dominações, porque têm domínio sobre vários; e principados, porque têm quem lhes obedeça como os súbditos aos príncipes; e outros ainda, tronos, em razão da íntimaLeia mais →