Não pode haver mais nem menos evangelhos. Com efeito, uma vez que são quatro as regiões do mundo e quatro os ventos principais; e, por outro lado, uma vez que a Igreja está espalhada por toda a Terra e tem por «coluna e sustentáculo» (1Tim 3,15) o evangelho e o Espírito da vida, é natural que ela tenha quatro colunas, soprando a imortalidade de todos os lados e dando vida aos homens. Quando o Verbo, o Artesão do Universo, que tem o seu trono sobre os querubins e sustenta todas as coisas (cf Sl 79,2; Heb 1,3), Se manifestou aos homens, deu-nos um evangelho comLeia mais →

Creio que é a Maria que o profeta Joel se dirige ao dizer: «Não temas, ó terra; canta e rejubila, porque o Senhor faz grandes coisas» (2,21). De fato, Maria é a terra: a terra onde Moisés, homem de Deus, recebeu ordem para tirar as sandálias dos pés (cf Ex 3,5), imagem da Lei que a graça virá substituir; a terra onde, pelo Espírito Santo, Se fixou Aquele de quem proclamamos que fundou «a Terra sobre bases sólidas» (Sl 103,5). Uma terra que, sem ter sido semeada, faz eclodir o fruto que dá alimento a todo o ser vivo (cf Sl 135,25). Uma terra ondeLeia mais →

A força divina que o homem não pode tocar desceu e envolveu-Se num corpo palpável, para que os pobres a toquem e para que, ao tocarem a humanidade de Cristo, captem a sua divindade. Através de dedos de carne, o surdo-mudo sentiu que lhe tocavam nos ouvidos e na língua: através de dedos palpáveis, captou a divindade intocável naquele momento em que o nó da sua língua foi rompido, naquele momento em que as portas fechadas dos seus ouvidos foram abertas. Porque o arquiteto e o artesão do corpo veio até ele e, com palavras suaves, criou, sem dor, aberturas nos seus ouvidos surdos; então,Leia mais →

Tenho uma grande dívida para com Deus, que me deu a graça de, por meu intermédio, «povos numerosos» (Ez 38,6) terem renascido para Deus: «Farei de ti a luz das nações, a fim de que a minha salvação chegue até aos confins da Terra» (Is 49,6). É assim que quero «esperar o Prometido» (At 1,4), Aquele que não falha, como garante no evangelho: «Do Oriente e do Ocidente, muitos virão sentar-se à mesa com Abraão, Isaac e Jacob» (Mt 8,11): sabemos que os crentes virão de todo o mundo. Por isso, vale a pena dedicarmo-nos à pesca, vigilantes, segundo a exortação e os ensinamentos doLeia mais →

Tínhamos deixado a Síria e aproximávamo-nos da província do Egito, desejosos de aprender os princípios dos monges antigos, espantados com a grande cordialidade com que éramos recebidos. Contrariamente ao que nos tinham ensinado nos mosteiros da Palestina, ali não se observava a regra de se esperar o momento fixado para as refeições, mas, exceto à quarta e à sexta-feira, onde quer que fôssemos, quebravam o jejum. Um dos anciãos a quem perguntámos porque era que, entre eles, se omitiam frequentemente os jejuns quotidianos, respondeu-nos: «O jejum está sempre comigo, mas a vós, de quem vou despedir-me em breve, não poderei guardar-vos sempre comigo. E oLeia mais →

Para rezar, não são precisos gestos, nem gritos, nem silêncio, nem genuflexões. A nossa oração, ao mesmo tempo sábia e fervorosa, deve ser uma espera de Deus, até que Ele venha visitar a nossa alma por todas as suas vias de acesso, por todos os seus caminhos, por todos os seus sentidos. Demos tréguas aos nossos silêncios, aos nossos gemidos, aos nossos soluços: não procuremos na oração senão o abraço apertado de Deus. Não é verdade que, no trabalho, empregamos todo o nosso corpo num mesmo esforço? Não colaboram nisso todos os nossos membros? Pois que também a nossa alma se consagre toda à oraçãoLeia mais →

A força da união da Igreja ao Filho de Deus é maior que a da união da esposa ao seu marido. Pois qual foi o esposo, para além de Nosso Senhor, que morreu jamais por sua esposa, qual foi a esposa que escolheu jamais um crucificado como esposo? Quem deu jamais o seu sangue como presente a sua esposa, senão Aquele que morreu na cruz, selando a união nupcial por meio das suas chagas? Quem se viu jamais morto e jacente no banquete das próprias núpcias, com a esposa a seu lado, pedindo para ser consolada? Em que festa, em que banquete, senão neste, seLeia mais →

Mateus dá mais explicações [que Marcos] sobre a compaixão de Jesus, dizendo: «cheio de compaixão, curou os seus doentes». Porque ter compaixão dos pobres e daqueles que não têm pastor é precisamente abrir-lhes o caminho da verdade, instruindo-os; é fazer desaparecer as suas enfermidades físicas, sarando-as; mas é também alimentá-los quando têm fome, encorajando-os a louvar a generosidade de Deus. Foi o que Jesus fez. […] Ele pôs à prova a fé da multidão e, tendo-a provado, deu-lhe uma recompensa proporcional. Efetivamente, procurou um lugar isolado, para ver se as pessoas tinham desejo de O seguir. E elas seguiram-no: tomaram a toda a pressa oLeia mais →

Meditemos sobre os ninivitas […], escutemos o que fizeram.Depois da terrível proclamação que Jonas fez a este povo ébrio e glutão […],como hábeis operários, acorreram a consolidara cidade minada pelas suas más ações.Para tal, serviram-se duma rocha firme […]: a contrição.Lavaram as suas manchas em torrentes de lágrimas,adornaram a cidade com as suas orações,e Nínive, convertida, agradou ao Pai misericordioso,apresentando de imediato a beleza do seu íntimoÀquele que sonda os corações (Sl 7,10) […].Assim, ungida com o óleo das boas obras e perfumada com o jejum,foi restituída Àquele que a ama […] e Ele aceitou a sua contrição.O seu rei, um homem sábio, […] aprontouLeia mais →

Veneremos a compaixão de um Deus que não veio julgar o mundo, mas salvá-lo. João, o percursor do Mestre, que até então desconhecia este mistério, logo que percebeu que Jesus era verdadeiramente o Senhor, clamou àqueles que tinham vindo pedir o batismo: «Raça de víboras» (Mt 3,6), porque me olhais com tanta insistência? Eu não sou o Cristo. Sou um servo e não o Mestre. Sou um simples súdito, não sou o rei. Sou uma ovelha, não o pastor. Sou um homem, não um Deus. Curei a esterilidade da minha mãe vindo ao mundo, mas não tornei fecunda a sua virgindade; fui tirado de baixo,Leia mais →