O Princípio da «OIKONOMIA» (Economia) e sua Aplicação nas Igrejas Ortodoxas

Tradução do espanhol por: Pe. André Sperandio

A palavra «economia» possui vários significados em teologia. Derivada do grego «OIKONOMIA», seu sentido fundamental está relacionado à administração doméstica (oikos = casa; nomos = lei). No contexto teológico, refere-se ao plano salvífico de Deus, especialmente na obra redentora de Jesus Cristo. A teologia distingue a Trindade imanente — o mistério absoluto da vida eterna de Deus — da Trindade econômica, que se manifesta nas missões do Filho e do Espírito Santo (Gl 4, 4-6), os quais realizam o plano divino na História da Salvação (Ef 1,10; 3,9).

Outra aplicação relevante do termo «OIKONOMIA» encontra-se na eclesiologia e no diálogo ecumênico. Seu uso é comum nas igrejas orientais, embora seu significado nunca tenha recebido uma definição oficial. Diferentemente do conceito de administração sugerido pela etimologia, o uso eclesial do termo implica condescendência e misericórdia, contrastando com a «AKRIBEIA», que representa a aplicação estrita dos cânones e leis em situações específicas. Ambas as abordagens são necessárias à vida da Igreja, e a necessidade da «OIKONOMIA» surge quando há um aparente conflito entre as exigências da lei e o espírito cristão.

Os teólogos ortodoxos frequentemente fazem referência aos cânones dos primeiros concílios e, especialmente, às cartas canônicas de São Basílio (n° 188 e 199), como base para o exercício da «OIKONOMIA». Nos últimos dois séculos, esse princípio tem desempenhado um papel fundamental, particularmente nas relações entre ortodoxos e anglicanos. De maneira geral, pode-se dizer que, em questões dogmáticas, as igrejas ortodoxas tendem à «AKRIBEIA», enquanto, no campo moral e sacramental, são mais abertas à «OIKONOMIA», com exceção das igrejas gregas, que são tradicionalmente menos flexíveis.

A «OIKONOMIA» está profundamente vinculada à eclesiologia ortodoxa. A autoconsciência da Igreja Ortodoxa como a única Igreja verdadeira implica que, na prática, a «OIKONOMIA» tem sido aplicada apenas em situações em que uma pessoa ou comunidade abraça a ortodoxia. Em geral, as igrejas ortodoxas não se ocupam extensivamente da situação eclesial de igrejas e indivíduos não ortodoxos.

Há teólogos e igrejas que consideram a posição de São Cipriano superior à de Santo Agostinho, especialmente no que diz respeito ao rebatismo dos convertidos à ortodoxia. Nos últimos séculos, a aplicação da «OIKONOMIA» em questões sacramentais tem sido debatida sob quatro principais perspectivas:

  1. A «OIKONOMIA» pode tornar válido o que é inválido e inválido o que é válido.

  2. A «OIKONOMIA» pode tornar válido algo inválido, mas não o contrário.

  3. A «OIKONOMIA» pode tornar inválido algo válido, mas não o contrário.

  4. A «OIKONOMIA» não pode alterar a validade dos sacramentos.

A aplicação da «OIKONOMIA» é geralmente evitada em assuntos de intercomunhão entre igrejas cristãs. Diferentes igrejas, e até mesmo uma mesma igreja em épocas distintas, têm adotado posturas divergentes em relação à validade do batismo e da ordenação de convertidos à ortodoxia.

Não há consenso sobre a aplicação pastoral deste princípio. Na década de 1970, tentou-se abordar essa questão em um sínodo pan-ortodoxo, mas as divergências teológicas e a falta de consenso impediram avanços.

Em 2014, os chefes das 13 igrejas ortodoxas, sob convocação do Patriarca Ecumênico Bartolomeu I, iniciaram uma série de encontros preparatórios para o Grande e Santo Concílio da Igreja Ortodoxa, realizado em 2016. Esse concílio abordou questões como:

  • A situação das diásporas ortodoxas;

  • A unificação do calendário litúrgico e das regras de jejum;

  • A relação da Igreja Ortodoxa com outras confissões cristãs;

  • O status do Patriarcado Ecumênico na comunhão ortodoxa.

As decisões desse concílio foram tomadas exclusivamente por consenso, sem votação.

Em 1976, a American Eastern Orthodox-Roman Catholic Bilateral Consultation publicou uma declaração conjunta que reconhecia a diversidade de opiniões sobre a «OIKONOMIA» e enfatizava a necessidade de discernimento espiritual para sua aplicação. A teologia da «OIKONOMIA» também convida a Igreja Católica a explorar as possibilidades dentro de sua própria tradição, como proposto pelo cardeal Yves Congar, por meio de conceitos como dispensatio, epikeia, suplet ecclesia e sanatio in radice.

No Ocidente, esses conceitos são definidos juridicamente, enquanto a «OIKONOMIA», guiada pelo Espírito Santo e aplicada pelo oikonomos (bispo), permanece mais fluida e teológica.