Teólogos Ortodoxos Contemporâneos:

A Ressurreição para o Homem atual

PADRE ION BRIA
(1929-2002)

Sacerdote da Igreja Ortodoxa Romena e antigo membro do CMI, Ion Bria faleceu em 2 de julho com a idade de 73 anos. Em 1973, Bria assumiu as funções de secretário-executivo para a missão e as relações com igrejas ortodoxas dentro do CMI e, em 1987 se tornou o diretor do CMI – Sub-unidade para a Renovação Congregacional Vida. Pouco antes de sua aposentadoria em 1994, o Padre Ion assumiu as funções de diretor de Fé e Testemunho pela Unidade. Bria adquiriu renome mundial como teólogo e interlocutor ortodoxo do ecumenismo, em grande parte devido à importância de suas publicações no campo da missão: Martyria-Missão, A liturgia após a liturgia, O Sentimento Ecumênico de Tradição. Seus anos de serviço no CMI foram consagrados a um rico e relevante estudo da missiologia, à formação e incentivo a uma nova geração de teólogos.

O mundo ortodoxo atual apresenta um aspecto bem diferente daquele para o qual os cânones foram fixados.

A ortodoxia tem suas raízes no Oriente, mas os elementos de sua universalidade mudaram. Por exemplo, não há mais uma cultura universal. Deve-se, portanto, fazer uma distinção entre a noção bizantina de oikuméné (= toda a terra habitada), que tem um caráter político, cultural; e a noção ortodoxa de pleroma, que tem um caráter carismático. A catolicidade da fé ortodoxa deve ser afirmada sem se referir às instituições imperiais bizantinas da época dos concílios ecumênicos.

Ortodoxia não é cristianismo bizantino. A ortodoxia precisa de uma eclesiologia que combine os elementos universais e locais, a fim de refletir a situação missionária atual. Devem ser estabelecidos critérios missionários e pastorais concretos para ver o que é “católico” e o que não é, o que é “local” e o que não é. Portanto, exige-se uma interpretação da Igreja Local que evite tanto a interpretação jurisdicional e territorialista da universalidade quanto a expressão “Igreja Mãe – Igreja filha”.

De fato, a organização das Igrejas Locais levantou a questão da diversidade, na liturgia considerada como uma possibilidade positiva para a missão, e também o problema da “indigenização” da mensagem e da tradução da liturgia em novas línguas. Por outro lado, o processo de organização canônica da Ortodoxia não é um processo fechado. A Igreja está confrontada com as novas perspectivas de encontrar raízes no contexto cultural e nacional dos povos ortodoxos.

Considerando essa evolução, há quem fale de um excesso de autocefalia e de uma interpretação radical da Igreja local, o que corresponderia ao excesso de centralismo no exercício do primado papal. Certamente, excessos podem ser cometidos no exercício da autocefalia, […] o fator étnico e cultural pode inspirar uma política nacionalista e pode se tornar uma força oprime a Igreja.

O filetismo (nacionalismo religioso exacerbado) era considerado precisamente como uma heresia eclesiástica, mas isso não põe em causa o valor do sistema das Igrejas locais. Qualquer sistema de organização – e a pentarquia não é exceção – que corra o risco de inspirar uma política paternalista e universalista pode se tornar abusivo e, portanto, deve ser alvo de críticas e correções.

A Igreja local não deve ser interpretada exclusivamente em termos jurisdicionais ou territoriais. O elemento local não deve estar em contradição com a universalidade, mas também não deve ser negligenciado. Uma Igreja local que se esquece de considerar o fenômeno étnico, nacional e cultural é uma abstração missionária que o próprio catolicismo romano rejeita. […]

Na realidade, a Igreja local é o centro onde pulsa a vida da comunhão ortodoxa.

A relação entre a Igreja local e a Igreja universal certamente sofreu uma evolução, e ainda não foi definitivamente estabelecida. Seria necessário, portanto, formular uma universalidade mais concreta, mais específica, em que a fidelidade étnica local coexista com a fidelidade eclesial universal.

Considerando essa evolução, há quem fale de um excesso de autocefalia e de uma interpretação radical da Igreja local, o que corresponderia ao excesso de centralismo no exercício do primado papal. Certamente, excessos podem ser cometidos no exercício da autocefalia, […] o fator étnico e cultural pode inspirar uma política nacionalista e pode se tornar uma força oprime a Igreja.

O filetismo (nacionalismo religioso exacerbado) era considerado precisamente como uma heresia eclesiástica, mas isso não põe em causa o valor do sistema das Igrejas locais. Qualquer sistema de organização – e a pentarquia não é exceção – que corra o risco de inspirar uma política paternalista e universalista pode se tornar abusivo e, portanto, deve ser alvo de críticas e correções.

A Igreja local não deve ser interpretada exclusivamente em termos jurisdicionais ou territoriais. O elemento local não deve estar em contradição com a universalidade, mas também não deve ser negligenciado. Uma Igreja local que se esquece de considerar o fenômeno étnico, nacional e cultural é uma abstração missionária que o próprio catolicismo romano rejeita. […]

Na realidade, a Igreja local é o centro onde pulsa a vida da comunhão ortodoxa.

A relação entre a Igreja local e a Igreja universal certamente sofreu uma evolução, e ainda não foi definitivamente estabelecida. Seria necessário, portanto, formular uma universalidade mais concreta, mais específica, em que a fidelidade étnica local coexista com a fidelidade eclesial universal.

FONTE: Revista Fuentes, 1993. Argentina. “Teólogos ortodoxos contemporâneos”