Se quereis chegar à verdadeira ciência das Escrituras, apressai-vos a adquirir uma inabalável humildade de coração, pois será ela a conduzir-vos, não à ciência que incha, mas àquela que ilumina, pela consumação da caridade. A alma impura não pode obter o dom da ciência espiritual. […] Aquele cuja alma é impura não é capaz de adquirir a ciência espiritual, por muito assíduo que seja à leitura. Não se mete um perfume de qualidade, um mel excelente, um licor precioso num recipiente fétido e corrompido. É mais fácil um recipiente cheio de odores repugnantes contaminar o mais odoroso perfume que receber dele alguma suavidade; mais depressaLeia mais →

A tradição dos antigos ensina-nos que a natureza dos carismas espirituais se reveste de uma tríplice forma. A primeira causa do dom de cura é o mérito da santidade: a graça dos milagres acompanha todos os eleitos e os justos. É bem claro, por exemplo, que os apóstolos e muitos santos realizaram sinais e prodígios, segundo o mandamento do Senhor: «Curai os doentes, ressuscitai os mortos, purificai os leprosos, expulsai os demônios; recebestes de graça, dai de graça» (Mt 10,8). A segunda é a edificação da Igreja, ou para recompensa da fé, quer daqueles que apresentam os seus doentes, quer dos próprios doentes; a virtudeLeia mais →

Cristo quis atrair o mundo a Si e reconduzir a Deus Pai todos os habitantes da Terra, para refazer todas as coisas e renovar a face da Terra. Sendo o Senhor do Universo, tomou «a condição de servo» (Fil 2,7) e anunciou a Boa Nova aos pobres, pois para isso fora enviado (cf Lc 4,18). Os pobres, ou antes, aqueles que podemos considerar pobres são os que sofrem por estarem privados do bem, os que se veem sem esperança e sem Deus neste mundo (cf Ef 2,12), como diz a Escritura. São os que vieram do paganismo e, enriquecidos pela fé em Cristo, beneficiaram desteLeia mais →

Há uma razão para o nome de principados e potestades [espíritos maus], que é o fato de exercerem dominação e império sobre povos diversos, ou de terem sob eles espíritos e demônios de categoria inferior, que o evangelho e eles próprios nos dizem chamarem-se legião. Com efeito, não podem ser chamados dominações, a não ser que tenham sobre quem exercer poder, nem potestades ou principados, se não houver ninguém sobre quem possam reivindicar preeminência. A blasfêmia dos fariseus que o evangelho refere salienta bem esta verdade: «É por Belzebu, o príncipe dos demônios, que Ele expulsa os demônios», afirmam (Mt 12,24). Noutra passagem, encontramos aLeia mais →

Participando Cristo nesta boda e estando os convivas a festejar, faltou-lhes o vinho e a alegria transformou-se em desilusão. […] Vendo isso, a puríssima Maria foi dizer a seu Filho: «Não têm vinho. Peço-Te, meu Filho, mostra que tudo podes, Tu que tudo criaste com sabedoria». Diz-nos, Virgem venerável, na sequência de que milagres soubeste que teu Filho, sem ter vindimado as uvas, podia conceder o vinho? Explica-nos […] porque disseste a teu Filho: «Dá-lhes vinho, Tu que tudo criaste com sabedoria». «Eu mesma ouvi Isabel chamar-me Mãe de Deus antes do parto; depois do parto, Simeão cantou-me e Ana celebrou-me; os magos acorreram aoLeia mais →

Parece-me impossível distinguir todos os tipos de oração, a não ser que se tenha uma pureza de coração verdadeiramente singular e luzes extraordinárias do Espírito Santo, pois o seu número é tão grande que pode haver na mesma alma, e em todas as almas, estados e disposições muito diferentes. […] A oração modifica-se a cada instante, segundo o grau de pureza a que a alma chegou, mas também conforme a sua disposição atual, que pode ser espontânea ou devida a influências exteriores; e é certo que não permanece sempre idêntica a si mesma em cada pessoa. Rezamos de forma diferente conforme temos o coração leveLeia mais →

Porque terá Nosso Senhor, como primeiro sinal, transformado a água em vinho? Para demonstrar que Deus, que transformou a natureza no interior das talhas, também operou uma transformação no seio da Virgem. Como milagre supremo, Jesus abriu um túmulo, a fim de manifestar a sua independência em relação à ávida morte, que tudo engole. Para autenticar e confirmar a dupla perturbação da natureza que ocorre com o seu nascimento e a sua ressurreição, Jesus transformou a água em vinho sem modificar as talhas de pedra: era o símbolo do seu corpo, milagrosamente concebido e maravilhosamente criado numa virgem, sem intervenção de homem. […] Contrariamente aoLeia mais →

Escutai, pastores, o som das trombetas. […] O Verbo foi gerado, Deus manifestou-Se ao mundo! E vós, filhas de reis, participai na alegria da Mãe de Deus (cf Sl 44,10). Povos todos, cantemos: «Bendito sejas, nosso Deus recém-nascido, glória a Ti!». Sem conhecer homem (cf Lc 1,34), a Virgem deu ao mundo a alegria, pondo fim à tristeza ancestral. Hoje, o Incriado foi gerado, Aquele que o mundo não pode conter entrou no mundo. Hoje, a alegria manifestou-se aos homens; hoje o erro foi lançado no abismo. Povos todos, cantemos: «Bendito sejas, nosso Deus recém-nascido, glória a Ti!». Pastores, cantai ao Senhor que nasceu emLeia mais →