O Senhor recomendou aos seus discípulos que sacudissem como a pó tudo o que a sua natureza tem de terreno, para que o seu espírito se elevasse até às realidades sobrenaturais; quem se volta para a vida do alto deve ser mais forte que o sono e manter o espírito sempre vigilante. […] Refiro-me ao adormecimento dos que vivem mergulhados na mentira da vida pelos sonhos ilusórios que são as honras, as riquezas, o poder, o fascínio dos prazeres, a ambição, a sede de gozo, a vaidade e tudo o que a imaginação leva os homens superficiais a procurar insensatamente. Todas essas coisas se esgotamLeia mais →

Senhor, torna-me digno de desprezar a minha vida pela vida que há em Ti. A vida neste mundo assemelha-se àqueles que se servem das letras para formar palavras, acrescentando, truncando e mudando as letras a seu bel-prazer. A vida do mundo que há de vir assemelha-se àquilo que está escrito sem o menor erro nos livros selados com o selo real, onde nada há a acrescentar e nada falta. Portanto, enquanto estivermos no seio da mudança, estejamos atentos a nós próprios. Enquanto tivermos poder sobre o manuscrito da nossa vida, sobre aquilo que escrevemos com as nossas mãos, esforcemo-nos por lhe acrescentar o bem queLeia mais →

O futuro pai de João não acredita que este possa nascer e é castigado com a mudez; Maria acredita e Cristo é concebido pela fé. […] Se não formos capazes de perscrutar toda a profundeza de tão grande mistério por falta de capacidade ou de tempo, melhor no-lo ensinará Aquele que fala dentro de nós, mesmo estando nós ausentes, Aquele em quem pensamos com amor filial, que recebemos no nosso coração e de quem nos tornámos templos. […] Zacarias cala-se e perde a fala até ao nascimento de João, o precursor do Senhor; e então, recupera a fala. […] O fato de Zacarias recuperar aLeia mais →

«Insensato! Esta noite terás de entregar a tua alma. O que preparaste, para quem será?». A conduta deste homem é tanto mais ridícula quanto o castigo eterno será rigoroso. Com efeito, que projetos abriga no seu espírito este homem que em breve vai partir deste mundo? «Deitarei abaixo os meus celeiros para construir outros maiores». Eu dir-lhe-ia de bom grado: fazes bem, demolindo os celeiros da injustiça e destruindo com as tuas próprias mãos o que construíste de maneira desonesta. Deita por terra as reservas desse trigo que nunca saciou ninguém e arrasa os silos que guardam a tua avareza. Arranca-lhes os tetos, derruba-lhes asLeia mais →

Todos os povos foram libertados por Nosso Senhor Jesus Cristo das forças que os mantinham cativos. Foi Ele quem nos resgatou, como diz o apóstolo Paulo: «Perdoou-nos todas as nossas faltas, anulou o documento que, com os seus decretos, era contra nós; aboliu-o inteiramente e cravou-o na cruz. Depois de ter despojado os poderes e as autoridades, expô-los publicamente em espetáculo e celebrou o triunfo que na cruz obtivera sobre eles» (Col 2,13-15). Ele libertou os presos acorrentados e quebrou as correntes, como dissera David: «O Senhor salva os oprimidos, o Senhor liberta os prisioneiros, o Senhor dá vista aos cegos» (Sl 145,7-8). E ainda:Leia mais →

Não posso conter a minha alegria, o meu espírito exulta e salta de gozo. Quase me sinto movido pelo mesmo ardor de João a anunciar a boa nova. É verdade que não sou o Precursor, mas venho do deserto como ele. Cristo foi iluminado, resplandeçamos com Ele. Cristo foi batizado, desçamos com Ele para com Ele podermos voltar a erguer-nos. João batiza e Jesus avança, para santificar o Batista. Ele vem mergulhar o velho Adão por completo nas águas e, antes disso – e para isso -, santificar as águas do Jordão. O Batista recusa e Jesus insiste. A lamparina diz ao Céu, a vozLeia mais →

Não percas a confiança em Deus nem desesperes da sua misericórdia; não duvides nem desesperes de vir a ser melhor; mesmo que o demónio tenha conseguido precipitar-te dos altos cumes da virtude até aos abismos do mal, muito mais Deus poderá chamar-te de novo para o cume do bem, e não só reconduzir-te ao estado em que te encontravas antes dessa queda, mas tornar-te muito mais feliz do que julgavas ser. Não percas a coragem, suplico-te, não feches os olhos à esperança do bem, não vá acontecer-te o que acontece aos que não amam a Deus; porque não é o grande número de pecados queLeia mais →

«Olhai a figueira e as outras árvores: quando vedes que já têm rebentos, sabeis que o verão está próximo. Assim também, quando virdes acontecer estas coisas, sabei que está próximo o Reino de Deus». É como se o nosso Redentor dissesse claramente: se sabeis que o verão está a chegar ao ver os frutos nas árvores, também podeis reconhecer, pela ruína do mundo, que o Reino de Deus está próximo. Estas palavras mostram-nos que o fruto do mundo é a sua ruína; só cresce para depois cair; não brota senão para fazer perecer com calamidades tudo o que nele desponta. É por isso que oLeia mais →

«Sou um desconhecido aos seus olhos» (Jb 19,15). Não ser conhecido na sinagoga era, para o nosso Redentor, estar em sua casa como quem está de passagem. É o que atesta o Profeta com aquelas palavras: «Porque te comportas nesta terra como um estrangeiro, como um viajante que apenas para a pedir dormida?» (Jr 14,8). Visto que Ele não foi escutado como Senhor, não foi tido como proprietário da terra, mas como jornaleiro. E, como um viajante, parou apenas para pedir dormida: não levou para a Judeia senão alguns homens e foi por causa da vocação dos gentios que fez essa viagem. Portanto, Ele foi,Leia mais →

«Vós fizestes-vos imitadores nossos e do Senhor», diz Paulo. Como? «Acolhendo a Palavra em plena tribulação, com a alegria do Espírito Santo» (1Tess 1,6). […] As provações afetam a parte material do nosso ser; a alegria brilha nas alturas espirituais. Passo a explicar: os acidentes da vida são tristes e penosos, mas os resultados são alegres, assim o querendo o Espírito. Portanto, é possível que não nos alegremos ao sofrer, se estivermos a sofrer pelos nossos pecados, mas até deixaremos que nos flagelem com alegria, se for por Cristo (cf At 5,41). É a isto que o apóstolo chama a «alegria do Espírito»; respiramo-la naquiloLeia mais →