Quando Pedro, cheio de audácia, avança sobre o mar, os seus passos vacilam, mas o seu amor reforça-se […]; afundam-se-lhe os pés, mas ele agarra-se à mão de Cristo. Quando sente as ondas abrirem-se, apoia-se na fé; perturbado pela tempestade, tranquiliza-se no seu amor pelo Salvador. Pedro anda sobre o mar mais levado pelo amor que pelos pés. […] Não vê por onde caminha; vê apenas o vestígio dos passos daquele que ama. Do barco, onde estava seguro, viu o Mestre e, guiado pelo amor que Lhe tem, entra no mar. Já não vê o mar, mas apenas Jesus. Quando, porém, sente a força doLeia mais →

Aconselhado pelas minhas leituras a debruçar-me sobre mim mesmo, entrei no fundo do meu coração, conduzido por Ti. Pude fazê-lo porque Tu és o meu apoio. Entrei em mim e vi, não sei com que olhos, mais alta do que o meu pensamento, uma luz imutável. Não era a luz habitual que os olhos do corpo apreendem, nem sequer uma luz do mesmo tipo mas mais poderosa, mais brilhante, que enchesse tudo com a sua imensidade. Não, não era isso, era uma luz diferente, muito diferente de tudo isso. Também não estava acima do meu pensamento como o azeite fica por cima da água, ouLeia mais →

«No meio da noite, ouviu-se um brado». Este brado é aquele de que fala o apóstolo Paulo: «Num instante, num abrir e fechar de olhos, ao som da trombeta final — pois a trombeta soará –, os mortos ressuscitarão incorruptíveis e nós seremos transformados» (1Cor 15,52). E que aconteceu depois de se ouvir este brado, que soará a meio da noite? «As virgens levantaram-se». Que quer isto dizer? O próprio Senhor no-lo explica: «É chegada a hora em que todos os que estão nos túmulos hão de ouvir a sua voz e sairão» (Jo 5,28) […]. Que querem dizer estas palavras: «Não levaram azeite consigo»?Leia mais →

Agora que estamos no tempo da graça que nos foi revelada, a observância do Sábado, outrora simbolizada pelo repouso de um único dia, foi abolida para os fiéis. Com efeito, neste tempo de graça, o cristão observa um Sábado perpétuo, se fizer todo o bem que faz na esperança do repouso que há de vir e não se gloriar das suas boas obras como se fossem um bem que tivesse por si mesmo, e não algo recebido. Assim, compreendendo e recebendo o sacramento do batismo como um Sábado, quer dizer, como o descanso do Senhor no seu sepulcro (cf Rom 6,4), o cristão repousa dasLeia mais →

A graça permaneceu velada no Antigo Testamento, mas foi revelada no Evangelho de Cristo quando chegaram os tempos previstos por Deus para a revelação da sua bondade. […] Comparando estas duas épocas, notamos uma diferença profunda. No sopé do Sinai, o povo, tomado de pavor, não ousava aproximar-se do local onde Deus dava a sua lei (Ex 19); pelo contrário, no cenáculo, o Espírito Santo desceu sobre aqueles que estavam reunidos aguardando a realização da promessa (At 2). Ali, o dedo de Deus trabalhou em tábuas de pedra (Ex 31,18); aqui, no coração dos homens (Lc 11,20). […] «A realização perfeita da lei é oLeia mais →

Que procuras? A felicidade. […] Procuras uma coisa boa, mas que não existe neste mundo. […] Tendo vindo até junto de nós, Cristo encontrou o que nós temos em abundância: penas, dores e a morte; é o que tens, e o que entre nós existe em abundância. Ele comeu contigo o que havia em abundância na pobre casa da tua infelicidade. Ele bebeu vinagre, ele provou fel (Jo 19,29) – tudo quanto encontrou na tua pobre casa. Mas convidou-te para a sua mesa magnífica, para a sua mesa do Céu, para a sua mesa dos Anjos, onde Ele mesmo é o pão (Jo 6,34). DescendoLeia mais →

«Quando o que é corruptível se revestir da incorruptibilidade, e o que é mortal se revestir da imortalidade» (1Cor 15,54), o amor será perfeito, o júbilo será perfeito, um louvor sem fim, um amor sem ameaças. […] E neste mundo? Não experimentaremos nenhuma alegria? […] Seguramente que sim; neste mundo, experimentaremos, na esperança da vida futura, uma alegria da qual seremos plenamente saciados no Céu. Mas é preciso que o trigo suporte muitas coisas no meio do joio. Os grãos são lançados à palha e o lírio cresce no meio dos espinhos. Com efeito, que foi dito à Igreja? «Tal como um lírio entre osLeia mais →

O que vedes no altar de Deus é o pão e o cálice: é isso que os olhos identificam. Mas a vossa fé é instruída e sabe que este pão é o corpo de Cristo e este cálice é o seu sangue. […] Mas como pode este pão ser o seu corpo, e este cálice, ou melhor, o seu conteúdo, ser o seu sangue? Irmãos, é a isto que se chama os sacramentos: eles mostram uma realidade e, a partir dela, fazem-nos compreender outra realidade. O que vemos é uma aparência corporal, mas o que compreendemos é um fruto espiritual. Se quereis compreender o queLeia mais →

Dois amores construíram duas cidades: o amor de si próprio até ao desprezo de Deus fez a cidade terrestre; o amor de Deus até ao desprezo de si próprio, a cidade celeste. Uma gloria-se a si própria; a outra ao Senhor. Uma procura a glória que vem dos homens (cf Jo 5,44); a outra coloca toda a sua glória em Deus, testemunha da sua consciência. Uma, inchada de vanglória, levanta a cabeça; a outra diz ao seu Deus: «Tu és a minha glória e aquele que me faz levantar a cabeça» (Sl 3,4). Numa, os príncipes são dominados pela paixão de dominar os seus súbditosLeia mais →

“Quer que a tua oração chegue até Deus” coloque duas asas, o jejum e a esmola”. “Reparte o teu pão com o faminto” (Is 58,7), disse Isaías; não creias que seja suficiente o jejum. O jejum te mortifica, não socorre os outros. Serão frutuosas as tuas privações quando deres aos outros com abundância. Eis que hás defraudado a tua alma; a quem darás aquilo que tiraste a ti? Onde colocarás o que negaste a si mesmo? Quantos pobres poderiam ser saciados com o alimento que hoje interrompemos! O teu jejum deve ser este: enquanto um outro se alimenta, beneficia-te na oração pela qual serás atendido.Leia mais →