Está escrito: «Nós, que somos muitos, constituímos um só corpo em Cristo» (Rom 12,5), porque Cristo nos congrega na unidade, pelos laços do amor, «Ele que, de dois povos, fez um só, destruindo o muro de inimizade que os separava, anulando pela sua carne a Lei, os preceitos e as prescrições» (Ef 2,14-15). Temos, pois, de ter os mesmos sentimentos recíprocos: «Se um membro sofre, todos os membros sofrem com ele; se um membro é honrado, todos os membros se alegram com ele» (1Cor 12,26). Por isso, prossegue São Paulo, «acolhei-vos uns aos outros, como Cristo também vos acolheu, para glória de Deus» (Rom 15,7).Leia mais →

Crê no Filho de Deus, o único, Nosso Senhor Jesus Cristo, Deus gerado de Deus, vida gerada da vida, luz gerada da luz, semelhante em tudo Àquele que O gerou; Ele que não adquiriu o ser no tempo, mas antes de todos os séculos, que foi gerado pelo Pai eternamente e sem falhas; que é Sabedoria, Poder e Justiça subsistente de Deus; que está sentado à direita do Pai desde antes de todos os séculos. Não foi depois da Paixão, ao contrário do que afirmam alguns, que, coroado por Deus em razão da sua paciência, por assim dizer, Ele recebeu o trono colocado à direitaLeia mais →

Onde decorreu o encontro [de Abraão com os três visitantes]? «Junto ao carvalho de Mambré», palavra que significa visão ou perspicácia. Vede bem em que sítios o Senhor combina os seus encontros! Pois não é verdade que as qualidades de perspicácia e clarividência de Abraão agradaram ao Senhor? Que ele tinha pureza de coração, o que lhe permitiu ver a Deus (cf Mt 5,8)? É em lugares assim e em corações assim que o Senhor reúne os seus convivas! No Evangelho, o Senhor refere aos judeus este encontro, dizendo-lhes: «Abraão, vosso pai, exultou por ver o meu dia; ele viu-o e exultou de alegria». «Viu-o»,Leia mais →

Ao conhecimento da nossa luminosa, gloriosa e santíssima fé, junta ainda, sejas tu quem fores, o conhecimento de ti mesmo. Homem, tu és duplo por natureza, composto por alma e corpo; e é o mesmo Deus que cria a alma e o corpo. Além disso, tens uma alma livre, obra-prima de Deus, criada à imagem do seu autor, imortal pela graça de Deus, que a criou imortal. És um ser vivo, racional e incorruptível, pela graça daquele que lhe conferiu estas prerrogativas, dotado da faculdade de fazer o que quer. […] Antes de nascer neste mundo, a alma não comete pecados; mas, depois de termosLeia mais →

«Não vim revogar [a Lei], mas completar». […] Naquele tempo, o Senhor exerceu o seu poder para realizar na sua Pessoa todos os mistérios que a Lei anunciava a seu respeito; na sua Paixão, levou a cabo todas as profecias. Quando, segundo a profecia de David (cf Sl 68,22), Lhe ofereceram uma esponja embebida em vinagre para Lhe acalmar a sede, aceitou-a dizendo: «Tudo está consumado». E, inclinando a cabeça, rendeu o espírito (cf. Jo 19,30). Não só realizou pessoalmente tudo o que dissera, como nos confiou os seus mandamentos para os pormos em prática. E, ao passo que os antigos não haviam podido observarLeia mais →

O homem tem uma necessidade permanente do socorro divino; é fácil demonstrar esta afirmação. A fragilidade humana nada pode fazer, por si só e sem a ajuda de Deus, pela sua salvação. […] Muitas vezes, desejamos executar um qualquer plano útil; nada falta ao ardor dos nossos desejos e temos uma boa vontade perfeita. Pois não é verdade que, apesar disto, há uma fraqueza que se atravessa no nosso caminho, tornando inúteis os votos que formámos e impedindo o bom efeito dos nossos propósitos se o Senhor, na sua misericórdia, não nos der forças para os cumprir? É imensa a multidão de quantos desejam lealmenteLeia mais →

A alma pobre em espírito reconhece as suas feridas, bem como as trevas das paixões que a rodeiam. Ela procura continuamente a redenção que lhe vem do Senhor. Carregando com as suas dores, não exulta com nenhum dos bens deste mundo, mas procura o único médico bom, não se confiando senão aos seus cuidados. Como será então que esta alma ferida se tornará bela, graciosa e apta a viver com Cristo? Como, senão recuperando a sua antiga criação e reconhecendo claramente as suas feridas e a sua pobreza? Porque, se a alma não se comprazer nos seus ferimentos e nas marcas das suas paixões, seLeia mais →

(Hab 3,2 LXX) Sejam quais forem as injúrias que descarreguem sobre o monge, ele mantém a paz; e não apenas nos lábios, mas no fundo do coração. Se se sentir minimamente perturbado, contém-se em absoluto silêncio e segue exatamente o que diz o salmista: «Fiquei perturbado sem nada dizer» (Sl 76,5 LXX). «Disse a mim próprio: vigiarei a minha conduta, para não pecar com a língua; refrearei a minha boca enquanto o ímpio estiver diante de mim. Fiquei calado e em silêncio» (Sl 38,2-3). Ele não deve deter-se considerar o presente; não deve deixar que os seus lábios profiram o que a ira lhe sugereLeia mais →

É o preceito do próprio Salvador que nos convida a esta semelhança com o Pai: «Sede perfeitos, como o vosso Pai celeste é perfeito». Nos graus inferiores, o amor do bem interrompe-se quando a tibieza, o contentamento ou o prazer vêm deter o vigor da alma e a fazem perder de vista o temor do inferno ou o desejo de felicidade futura. Eles constituem, apesar de tudo, como que degraus de progresso, de aprendizagem. Tendo, a princípio, evitado o vício por medo do castigo ou pela esperança da recompensa, torna-se-nos impossível passar para o nível da caridade: «No amor não há temor; pelo contrário, oLeia mais →

«Alegrem-se os Céus, exulte a Terra» (Is 49,13) por estes [catecúmenos] que vão ser aspergidos com o hissopo e purificados com o hissopo místico pelo poder daquele que, aquando da sua Paixão, foi dessedentado com o hissopo por meio de uma cana. Rejubilem as potências celestes e preparem-se as almas que vão unir-se ao Esposo místico; porque já se ouve a voz daquele que clama no deserto: «Preparai o caminho do Senhor» (Is 40,3). […] «Tem confiança, Jerusalém, o Senhor vai eliminar todas as tuas iniquidades» (Sof 3,14.15). O Senhor vai purificar as manchas dos teus filhos e das tuas filhas com um espírito deLeia mais →