«Onde levas o teu rebanho a pastar» (Cant 1,7), ó bom pastor que o carregas aos ombros (cf Lc 15,5)? Porque toda a raça humana é uma única ovelha que Tu tomaste aos ombros. Mostra-me o lugar da tua pastagem, faz-me conhecer as águas do repouso, leva-me às ervas suculentas, chama-me pelo nome (cf Jo 10,3), para que eu ouça a tua voz, eu que sou tua ovelha, que a tua voz seja para mim a vida eterna. Sim, diz-mo, «Tu, a quem o meu coração ama» (Cant 1,7). É assim que Te chamo porque o teu nome está acima de todo o nome (cfLeia mais →

Jesus queria armar os seus apóstolos com uma força de alma e uma constância que lhes permitissem carregar sem temor a sua cruz, a despeito da dureza desta. Queria também que eles não corassem com o seu suplício, que não considerassem uma vergonha a paciência com que Ele haveria de suportar uma Paixão cruel, sem que a glória do seu poder em nada ficasse diminuída. Por isso, Jesus «tomou consigo Pedro, Tiago e João, seu irmão, e levou-os, em particular, a um alto monte», onde lhes mostrou o esplendor da sua glória. Pois, embora tivessem compreendido que a majestade divina estava nele, os apóstolos ignoravamLeia mais →

«Mas agora estou esmagado pela minha dor e todos os meus membros estão destruídos» (Jb 16,8). A Santa Igreja é esmagada pela sua dor quando vê aumentar a malignidade dos homens perversos. E, como a ascensão dos homens perversos também excita os fracos do seu meio a seguirem as paixões da depravação, Job tem razão em dizer: «e todos os meus membros foram destruídos». Pois os ossos referem-se aos fortes, e os membros aos fracos. Os membros da Igreja são, pois, destruídos quando, imitando os perversos que crescem neste mundo, a fraqueza dos fracos se agrava cada dia: à vista da felicidade dos ímpios, muitasLeia mais →

«Chamar-me-ás e eu te responderei». […] E Job acrescenta: «Estenderás a tua mão direita para a obra das tuas mãos» (Jb 14,15). […] Com efeito, pelo próprio fato de ser criatura, a criatura humana tem a possibilidade de se afundar em si mesma; mas o homem recebeu daquele que o formou o favor de ser elevado acima de si mesmo pela contemplação, e de ser mantido em si mesmo pela sua incorrupção. Assim, pois, para não se afundar abaixo de si mesma e para subsistir na incorrupção, a criatura é elevada a um estado de imutabilidade pela mão direita daquele que dá a vida. ALeia mais →

Ser sepultado com Cristo e ressuscitar com Ele, herdar o Céu com Ele e tornarmo-nos filhos de Deus: é este o grande mistério, é isto que é para nós o Deus encarnado, que Se fez pobre por nós. Ele veio erguer a carne, salvar a sua imagem, reparar o homem. Veio tornar-nos perfeitamente unos em Cristo, nesse Cristo que veio perfeita e completamente a nós, para pôr em nós tudo o que Ele é. Já não há judeu nem gentio, já não há escravo nem homem livre, já não há homem nem mulher, que são características da carne; há apenas a imagem divina que trazemosLeia mais →

Meus irmãos, todos os tempos são bons para traduzirmos em atos o bem que é a caridade; mas os dias que vivemos exortam-nos particularmente a fazê-lo. Quem quiser acolher a Páscoa do Senhor com santidade de espírito e de corpo, deve esforçar-se sobretudo por adquirir esta graça, que é a soma de todas as virtudes e «cobre a multidão dos pecados» (1Ped 4,8). Assim, pois, estando prestes a celebrar o maior de todos os mistérios, aquele em que o sangue de Jesus Cristo apagou as nossas iniquidades, preparemos antes de mais o sacrifício de misericórdia, devolvendo a quem nos tiver ofendido aquilo que a bondadeLeia mais →

«Eu tenho a minha testemunha no Céu, um defensor nas alturas» (Job 16,19). Quando o Filho vacilou na Terra, tinha uma testemunha no Céu. Com efeito, o Pai é a testemunha do Filho, como diz no Evangelho: «O Pai, que Me enviou, também Ele deu testemunho de Mim». Mas também é justamente chamado seu confidente, porque é numa única vontade, num único conselho, que o Pai opera sempre com o Filho. E é também sua testemunha porque «ninguém conhece o Filho senão o Pai» (Mt 11,27). O Filho tinha, pois, a sua testemunha no Céu, um defensor nas alturas» no dia em que aqueles queLeia mais →

«Se ele destruir, ninguém poderá construir; se ele fechar, ninguém poderá abrir» (Jb 12,14). Deus Todo-Poderoso destrói o coração do homem quando o abandona e constrói-o quando o enche. Deus não destrói a alma do homem lutando, mas retirando-Se: entregue a si mesma, a alma está perdida. Por isso, quando, em castigo pelos seus pecados, a graça de Deus omnipotente não enche o coração de um ouvinte, é em vão que o pregador tenta instruí-lo do exterior, pois toda a boca que fala é muda se Aquele que inspira as palavras que ressoam não gritar no fundo do coração. E não deve espantar-nos que umLeia mais →

Agarrai-nos as raposas, essas raposas pequenas que destroem as vinhas; e as nossas vinhas estão em flor» (Ct 2,15). Como penetrar na profundidade deste pensamento? Que maravilha de grandeza divina se encerra aqui, que transcendência do poder de Deus nos é revelada neste texto? Que nome dá o Poder verdadeiro e único àquele de quem se fala com expressões tão fortes, ao assassino, ao poderoso em malícia, […] ao dominador do poder das trevas (cf Ef 6,12), ao que tem o poder da morte (cf Heb 2,14), […] àquele cuja natureza temível o Verbo nos descreve, mostrando-o tão grande e tão poderoso, ao chefe dasLeia mais →

«Ele multiplica as nações e as destruirá; quando são derrotadas, restabelece-as integralmente» (Job 12,23). Podemos compreender que o Senhor multiplica as nações e as destruirá, porque todos os dias nascem seres destinados a morrer, e que restabelecerá integralmente as nações derrubadas, porque os mortos ressuscitarão. Mas compreendemos melhor estas palavras se virmos como se cumprem na alma destes povos. O Senhor multiplica as nações e destruí-las-á, porque, embora as aumente pela fecundidade da sua descendência, abandona-as à sua incredulidade. Mas, uma vez derrubadas, restabelecê-las-á integralmente, porque reconduziu à estabilidade da fé as nações que tinha abandonado à sua incredulidade. E, depois de estas nações teremLeia mais →