São Máximo de Turim — Antologia de homilias e reflexões

Esta antologia reúne homilias e reflexões do acervo de Sophia sob o nome de São Máximo de Turim. A seleção acompanha o nascimento de Cristo, a missão de João Batista, o batismo, a Páscoa e os frutos da vida cristã.

Os fragmentos foram organizados por tema, com as variantes repetidas reunidas e os trechos complementares preservados. As fontes e os links das publicações de origem acompanham cada seleção. Os textos que o próprio acervo apresenta como atribuídos a Máximo encontram-se em uma seção própria, conservando essa ressalva.

Sumário

O nascimento de Cristo e a conversão do coração

Nascido do Pai e da Virgem Maria

São Máximo de Turim (?-c. 420), Sermão 10, sobre o Natal do Senhor, PL 57, 24 (a partir da trad. Année en fêtes, Migne 2000, p. 78 rev.)

Caríssimos irmãos, há dois nascimentos em Cristo, e tanto um como o outro são a expressão de um poder divino que nos ultrapassa absolutamente. Por um lado, Deus gera o Seu Filho a partir de Si mesmo; por outro, Ele é concebido por uma virgem por intervenção de Deus. […] Por um lado, Ele nasce para criar a vida; por outro, para eliminar a morte. Ali, nasce de Seu Pai; aqui, é trazido ao mundo pelos homens. Por ter sido gerado pelo Pai, está na origem do homem; por ter nascido humanamente, liberta o homem. Uma e outra formas de nascimento são propriamente inexprimíveis e ao mesmo tempo inseparáveis. […]

Quando ensinamos que há dois nascimentos em Cristo, não queremos com isto dizer que o Filho de Deus nasça duas vezes; mas afirmamos a dualidade de natureza num só e mesmo Filho de Deus. Por um lado, nasceu Aquele que já existia; por outro, foi produzido Aquele que ainda não existia. O bem-aventurado evangelista João afirma isto mesmo com as seguintes palavras: «No princípio existia o Verbo; o Verbo estava em Deus; e o Verbo era Deus»; e ainda: «E o Verbo fez-Se homem».

Assim, pois, Deus, que estava junto de Deus, saiu Dele, e a carne de Deus, que não estava Nele, saiu de uma mulher. Assim, o Verbo fez-Se carne, não de maneira que Deus Se diluísse no homem, mas para que o homem fosse gloriosamente elevado em Deus. É por isso que Deus não nasce duas vezes; mas, por estes dois gêneros de nascimentos – a saber, o de Deus e o do homem –, o Filho único do Pai quis ser, a um tempo, Deus e homem na mesma pessoa: «E quem poderá contar o Seu nascimento?» (Is 53, 8 Vulg)

Publicações de origem: Nascido do Pai e da Virgem Maria.

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Responder aos apelos de Deus, que nos chama a convertermo-nos do fundo do coração

São Máximo de Turim (?-c. 420), bispo Homilia CC 61a; PL 57, 233

Mesmo que eu nada vos dissesse, irmãos, o tempo em que nos encontramos basta para nos advertir de que está próximo o aniversário da natividade de Cristo Nosso Senhor. A própria criação exprime a iminência de um acontecimento que restaura todas as coisas: também ela deseja impacientemente que as trevas sejam iluminadas pela claridade de um sol mais brilhante que o sol comum. Esta espera da criação pela renovação do seu ciclo anual convida-nos a esperar o nascimento do novo sol, que é Cristo, que ilumina as trevas dos nossos pecados. O sol da justiça (Mal 3,20), que surgirá em todo o seu esplendor, há de dissipar a obscuridade dos nossos pecados, que durou já demasiado tempo. Ele não suporta que o curso da nossa vida seja sufocado pelas trevas da existência; quer dilatá-la pelo seu poder.

Assim, da mesma maneira que, nestes dias do solstício, a criação difunde mais amplamente a sua luz, manifestemos também nós a nossa justiça. Da mesma maneira que a claridade deste dia é um bem comum a pobres e ricos, que também a nossa generosidade se alargue aos viajantes e aos pobres. Nestes tempos em que o mundo limita a duração das trevas, suprimamos nós as sombras da nossa avareza. […] Que o gelo derreta em nossos corações; que a semente da justiça se desenvolva, aquecida pelos raios do Salvador.

Preparemo-nos, pois, irmãos, para acolher o dia do nascimento do Senhor, dispondo para nós vestes estonteantes de brancura; falo das que cobrem a alma, e não o corpo. A veste que nos cobre o corpo é uma túnica sem importância; mas o corpo, objeto precioso, cobre a alma. A primeira veste é tecida por mãos humanas; a segunda é obra das mãos de Deus. E é por isso que temos de velar com a maior solicitude, a fim de preservar de toda a mancha a obra de Deus. […] Com a natividade do Senhor, purifiquemos a nossa consciência de toda a mancha. Apresentemo-nos, não revestidos de seda, mas de obras de valor. […] Comecemos, pois, por ornamentar o nosso santuário interior.

Publicações de origem: Responder aos apelos de Deus, que nos chama a convertermo-nos do fundo do coração.

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João Batista e a preparação do caminho

«Não temas, Zacarias, porque a tua súplica foi atendida»

São Máximo de Turim (?-c. 420) Sermão 5; PL 57, 863 CPL 219-221

Não foi o desejo sexual, mas a oração que levou à concepção de João Batista. O seio de Isabel tinha passado a idade de dar vida, o seu corpo tinha perdido a esperança de conceber; apesar disto, pela oração de Zacarias, esse corpo envelhecido germinou; não foi a natureza, mas a graça, que concebeu João. Este filho, cujo nascimento vem menos do abraço do que da oração, só poderia ser santo.

Apesar de tudo, não devemos espantar-nos por João ter merecido nascimento tão glorioso. O nascimento do precursor de Cristo, daquele que Lhe abriu o caminho, devia apresentar uma semelhança com o do Senhor, nosso Salvador. Se, portanto, o Senhor nasceu de uma virgem, João foi concebido por uma mulher velha e estéril. […] Não admiramos menos Isabel, que concebeu na sua velhice, do que Maria, que teve um Filho na sua virgindade.

Aqui parece-me já haver um símbolo: João representava o Antigo Testamento e nasceu do sangue já arrefecido de uma mulher idosa, enquanto o Senhor, que anuncia a Boa Nova do Reino dos Céus, é fruto duma juventude plena de seiva. Maria, consciente da sua virgindade, admira a criança gerada nas suas entranhas. Isabel, consciente da sua idade avançada, cora ao ver o seu ventre pesado pela gravidez; o evangelista diz, com efeito, que ela «permaneceu oculta durante cinco meses». Admirável é também o fato de ser o mesmo arcanjo Gabriel a anunciar os dois nascimentos: ele traz consolação a Zacarias, que permanece incrédulo; e encoraja Maria, que encontra confiante (Lc 1,26s). O primeiro, por ter duvidado, perdeu a voz; a segunda, por ter acreditado imediatamente, concebeu o Verbo Salvador.

Publicações de origem: «Não temas, Zacarias, porque a tua súplica foi atendida» · «Não temas, Zacarias: a tua súplica foi atendida».

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João Batista e a alegria da salvação

São Máximo de Turim (?-c. 420) Sermão 57, sobre o nascimento de João Batista, 1; PL 57, 647

Deus encarregara João Batista de proclamar a alegria dos homens e dos Céus; e assim, o mundo ouviu palavras admiráveis da sua boca, anunciando a presença do nosso Redentor, o Cordeiro de Deus (cf Jo 1,29). Embora seus pais tivessem perdido toda a esperança de ter descendência, o anjo, mensageiro de tão grande mistério, enviou-o para servir de testemunha ao Senhor antes mesmo de nascer (Lc 1,41). […]

Ele encheu de alegria eterna o seio de sua mãe. […] Com efeito, lemos no Evangelho as palavras que Isabel dirige a Maria: «Logo que chegou aos meus ouvidos a voz da tua saudação, o menino exultou de alegria no meu seio»; e: «Donde me é dado que venha ter comigo a mãe do meu Senhor?» (Lc 1,43-44). […] Quando, na sua velhice, ela se afligia por não ter dado filhos ao marido, subitamente, dá à luz um filho que seria o mensageiro da salvação eterna para todo o mundo. E um mensageiro que, antes de nascer, exerceu o privilégio da sua futura missão, difundindo o seu espírito profético através das palavras de sua mãe.

Depois, pelo poder do nome que o anjo lhe dera antecipadamente, abriu a boca de seu pai, fechada pela incredulidade (cf Lc 1,13.20). Com efeito, quando Zacarias ficou mudo, não foi para assim permanecer, mas para recuperar divinamente o uso da palavra e confirmar por um sinal vindo do Céu que seu filho era um profeta. O Evangelho diz de João: «Ele não era a luz, mas veio para dar testemunho da luz», «a fim de que todos acreditassem por meio dele» (Jo 1,7-8). De fato, ele não era a luz, mas todo ele estava na luz, ele, que mereceu dar testemunho da verdadeira luz.

Publicações de origem: João Batista e a alegria da salvação · «A tua mulher vai dar-te um filho. […] Será para ti motivo de regozijo e júbilo, e muitos se regozijarão com o seu nascimento» (Lc 1,13-14).

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«E tu, menino, serás chamado profeta do Altíssimo» (Lc 1,76)

São Máximo de Turim (?-c. 420), Sermão 36

De entre os títulos de glória do santo e bem-aventurado João Batista, cuja festa hoje celebramos, não sei qual prefiro: se o seu nascimento milagroso ou a sua morte, ainda mais milagrosa. O seu nascimento trouxe uma profecia (Lc 1,67ss.), a sua morte a verdade; o seu nascimento anunciou a chegada do Salvador, a sua morte condenou o incesto de Herodes. Este santo homem […] mereceu, aos olhos de Deus, não desaparecer da mesma forma que os outros homens deste mundo: deixou este corpo recebido do Senhor confessando-O. João cumpriu em tudo a vontade de Deus, uma vez que a sua vida e a sua morte correspondem aos Seus desígnios. […]

Ainda se encontrava no ventre de sua mãe e já celebrava a chegada do Senhor com os seus movimentos de alegria, uma vez que não podia fazê-lo com a voz. Isabel diz a Santa Maria: «Pois logo que chegou aos meus ouvidos a tua saudação, o menino saltou de alegria no meu seio» (Lc 1,44). João exulta antes de nascer e, antes de os seus olhos verem o mundo, o seu espírito reconhece já Aquele que é o seu Senhor. Penso que é este o sentido da frase do profeta: «Antes que fosses formado no ventre de tua mãe, Eu já te conhecia; antes que saísses do seio materno, Eu te consagrei» (Jr 1,5). Não é de surpreender que, encarcerado na prisão para onde Herodes o enviara, tenha continuado a pregar por intermédio dos seus discípulos (Mt 11,2), uma vez que, ainda no ventre de sua mãe, anunciara já com os seus movimentos a vinda do Senhor.

Publicações de origem: «E tu, menino, serás chamado profeta do Altíssimo» (Lc 1,76).

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«Com estas e muitas outras exortações, João anunciava ao povo a Boa Nova»

São Máximo de Turim (?-c. 420) Sermão 88, PL 57, 733-736

João não falou apenas no seu tempo, anunciando o Senhor aos fariseus e dizendo: «Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas» (Mt 3,3). Ainda hoje ele brada em nós e o trovão da sua voz abala o deserto dos nossos pecados. […] A sua voz ressoa ainda hoje, dizendo: «Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas». […] Pede-nos que preparemos o caminho do Senhor […] pela pureza da nossa fé. O Senhor não toma os caminhos deste mundo, mas penetra no segredo dos corações. Se esta estrada for áspera devido aos maus costumes, for dura pela nossa brutalidade, estiver manchada pelo nosso comportamento, pede-nos que a limpemos, que a aplanemos, que a nivelemos. Deste modo, aquando da sua vinda, o Senhor não tropeçará, mas encontrará um caminho balizado pela castidade, aplanado pela fé, decorado com as nossas esmolas. O Senhor tem o hábito de percorrer este gênero de vias, porque o profeta clama: «Abri caminho àquele que cavalga sobre as nuvens; o seu nome é Senhor!» (Sl 67,5). […]

O próprio João traçou na perfeição e ordenou o seu caminho para a chegada de Cristo, porque foi em todas as coisas sóbrio, humilde, pobre e virgem: «João trazia um traje de pelos de camelo e um cinto de couro à volta da cintura; alimentava-se de gafanhotos e mel silvestre» (Mt 3,4). Pois não há maior sinal de humildade que o desprezo de vestes sumptuosas e o uso de peles por tratar; nem há maior sinal de fé que estar sempre preparado, com os rins cingidos, para qualquer dever de serviço; nem há sinal mais notável de renúncia que alimentar-se de gafanhotos e mel silvestre.

Publicações de origem: «Com estas e muitas outras exortações, João anunciava ao povo a Boa Nova».

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«Preparei uma lâmpada para o Meu Cristo» (Sl 132,17)

São Máximo de Turim (? – c. 420), Sermão 62

Na altura em que todo o universo se encontrava subjugado pelas trevas do diabo e o negrume do pecado reinava sobre o mundo, um novo sol, Cristo, Nosso Senhor, quis, nos últimos tempos e na escuridão da noite, espalhar a claridade dum novo dia. Antes de surgir esta luz, isto é, antes de que se manifestasse «o sol de justiça» (Ml 3,20), Deus anunciara já, pelos profetas: «Eu vos enviei todos os Meus profetas antes da luz» (Jr 7,25 [Vulgata]). Mais tarde, o próprio Cristo enviou os Seus raios, ou seja, os Apóstolos, a fazer brilhar a Sua luz e encher de Verdade a terra inteira, a fim de que ninguém se perdesse nas trevas. […]

Nós, os homens, servimo-nos de lâmpadas para levar a cabo as nossas tarefas antes de o sol deste mundo nascer; ora, também o sol de Cristo teve uma lâmpada a preceder a Sua vinda, como diz o salmista: «Preparei uma lâmpada para o Meu Cristo» (Sl 132,17 [Vulgata]). O Senhor indica-nos quem é esta lâmpada, ao dizer, a respeito de João Baptista: «era uma lâmpada ardente e luminosa» (Jo 5,35). E o mesmo João diz de si próprio, como se fora o fraco clarão duma lanterna que se leva à nossa frente: «Mas vai chegar alguém mais forte do que eu, a quem não sou digno de desatar a correia das sandálias. Ele há-de baptizar-vos no espírito Santo e no fogo» (Lc 3,16); ao mesmo tempo, percebendo que a sua luz devia desvanecer-se perante os raios desse sol, diz: «Ele é que deve crescer, e eu diminuir» (Jo 3,30). Com efeito, assim como o clarão duma lanterna desaparece com a luz do sol, do mesmo modo o baptismo de arrependimento de João perde o valor com a chegada da graça de Cristo.

Publicações de origem: «Preparei uma lâmpada para o Meu Cristo» (Sl 132,17).

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«Ele é que deve crescer, e eu diminuir»

São Máximo de Turim (?-c. 420), Sermão 99; PL 57, 535

Com razão pode João Batista dizer de Nosso Senhor: «Ele é que deve crescer, e eu diminuir» (Jo 3,30), porque ainda hoje tem lugar o que essa afirmação nos diz; com efeito, os dias começam a crescer quando nasce o nosso Salvador, e a diminuir quando João nasce […], quer dizer, é evidente que o dia fica mais comprido logo que nos nasce o Salvador, e menor quando nasce o último dos profetas, pois está escrito: «A Lei e os Profetas subsistiram até João» (Lc 16,16). Era, pois inevitável que a observância da Lei mergulhasse nas trevas no momento em que começasse a brilhar a graça do Evangelho, e que às profecias do Antigo Testamento se sucedesse a glória do Novo. […]

Diz ainda o Evangelista a propósito do Senhor, Jesus Cristo, que «era a Luz verdadeira que […] a todo o homem ilumina» (Jo 1,9). […] Foi no preciso momento em que a duração da noite ultrapassava a do dia que, de repente, a vinda do Senhor projetou todo o seu esplendor; e se o seu nascimento afastou dos homens as trevas do pecado, a sua vinda pôs fim à noite e trouxe-lhes a luz do dia claro. […]

De João, o Senhor diz que é uma lâmpada: «João era uma lâmpada ardente e luminosa» (Jo 5,35). Ora, a luz da lâmpada empalidece assim que brilham os primeiros raios do sol; a sua chama perde força, vencida pelo esplendor duma luz muito mais radiosa, e qual será o homem sensato que quererá servir-se duma lâmpada em sol aberto? […] Quem estará disposto a receber o batismo de arrependimento de João (Mc 1,4), quando o de Jesus lhe traz a salvação?

Publicações de origem: «Ele é que deve crescer, e eu diminuir».

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Batismo e vida nova

«Ele batizar-vos-á no Espírito Santo»

São Máximo de Turim (?-c. 420) Sermão para a festa da Epifania

Hoje, o Senhor Jesus veio receber o batismo. Ele quis lavar o seu corpo na água do Jordão. Poder-se-á dizer: «Porque é que ele, que era o Santo, quis ser batizado?» Então ouçam. O Cristo é batizado não para ser santificado pelas águas, mas para santificar ele próprio as águas e purificar pelo seu ato pessoal as ondas que ele toca. Trata-se, pois, muito mais da consagração das águas, do que da de Cristo. Porque, desde que o Salvador é lavado, todas as águas se tornam puras em vista ao nosso batismo; a fonte é purificada para que a graça seja proporcionada aos povos que virão no futuro. O Cristo avança pois como o primeiro no batismo para que os povos cristãos o sigam sem hesitar.

E aqui eu entrevejo um mistério. Não tomou assim a dianteira a coluna de fogo através do Mar Vermelho para encorajar os filhos de Israel a continuar a caminhar? Ela atravessou as águas em primeiro lugar para abrir caminho aos que se seguiam. Este acontecimento foi, no testemunho do apóstolo Paulo, um símbolo do batismo (1Co 10,1s). Era sem dúvida uma espécie de batismo onde os homens estavam cobertos pela nuvem e conduzidos pelas águas. E tudo isto foi concluído pelo mesmo Cristo nosso Senhor que agora precede no batismo todos os povos cristãos na coluna do seu corpo, como precedeu através do mar os filhos de Israel na coluna de fogo. A mesma coluna que, outrora, iluminou os olhos dos caminhantes, dá agora a luz ao coração dos crentes. Então ela traçou nas ondas uma estrada sólida, agora ela fortalece neste banho os passos da fé.

Publicações de origem: «Ele batizar-vos-á no Espírito Santo».

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«A água transformada em vinho»

São Máximo de Turim (?-c. 420), CC Sermão 65

Ao transformar em vinho a água que enchia as talhas, o Salvador fez duas coisas: forneceu uma bebida aos convidados do casamento e quis dizer que, pelo baptismo, os homens ficariam cheios do Espírito Santo. Aliás, o próprio Senhor o declarou noutra altura ao dizer: «Deita-se o vinho novo em odres novos» (Mt 9,17). Os odres novos significam, com efeito, a pureza do baptismo, e o vinho, a graça do Espírito Santo.

Catecúmenos, prestai especial atenção. O vosso espírito, que ignora ainda a Trindade, assemelha-se à água fria. É preciso aquecê-la ao calor do sacramento do baptismo, como um vinho, para transformar esse líquido pobre e sem valor em graça preciosa e rica. Tal como o vinho, adquiramos bom paladar e aroma doce; então, poderemos dizer, com o apóstolo Paulo, que somos para Deus o «bom odor de Cristo» (2Cor 2,15). Antes do seu baptismo, o catecúmeno assemelha-se à água imóvel, fria, sem cor […], inútil, incapaz de restabelecer as forças. Conservada durante muito tempo, a água altera-se, fica estagnada, torna-se fétida. […] O Senhor disse: «Quem não renascer da água e do Espírito não pode entrar no Reino de Deus» (Jo 3,5).

O fiel batizado é semelhante ao vinho vigoroso e rubro. Todas as coisas da criação se estragam com o tempo, só o vinho melhora ao envelhecer. Ele perde todos os dias a sua aspereza, e adquire um «buquê» macio, com um sabor rico. De igual modo o cristão, à medida que o tempo passa, perde a aspereza da sua vida pecadora, adquirindo a sabedoria e a benevolência da Trindade divina.

Publicações de origem: «A água transformada em vinho».

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«O vinho novo da verdadeira alegria»

São Máximo de Turim (?-c. 420), Homilia 23; PL 57, 274

Está escrito que o Senhor foi a umas bodas para onde tinha sido convidado. O Filho de Deus foi a estas bodas para santificar com a Sua presença o casamento que já tinha instituído. Foi a umas bodas da Antiga Lei para escolher, no povo pagão, uma esposa que permanecesse sempre virgem. Aquele que não nasceu de um casamento humano foi às bodas, e não foi para participar num alegre banquete, mas para Se revelar por meio de um prodígio verdadeiramente admirável; não foi beber vinho, mas dar vinho. Porque, quando faltou vinho aos convidados, a bem-aventurada Virgem Maria disse-Lhe: «Não têm vinho!» Jesus, aparentemente contrariado, respondeu-lhe: «Mulher, que tem isso a ver contigo e comigo?» […] Ao responder: «Ainda não chegou a Minha hora», referia-Se certamente à hora gloriosa da Sua Paixão, onde o vinho foi derramado para vida e salvação de todos. Maria pedia-Lhe um favor temporal, enquanto Cristo preparava uma alegria eterna.

Mas o Senhor é tão bom, que não hesita em conceder pequenas coisas enquanto não chegam as grandes. A bem-aventurada Virgem Maria, sendo verdadeiramente Mãe do Senhor, via em pensamento o que ia passar-se e conhecia antecipadamente a vontade do Senhor. Foi por isso que teve o cuidado de dizer aos servidores: «Fazei o que Ele vos disser!» A Santa Mãe sabia certamente que a palavra de censura que o Filho lhe tinha dirigido não ocultava o ressentimento de um homem irritado, mas continha um mistério de compaixão. […] E eis que subitamente aquelas águas começaram a receber força, a tomar cor, a difundir um bom odor, a adquirir gosto, e a sua natureza a mudar por completo. E esta transformação das águas noutra substância manifestou a presença do Criador, porque ninguém é capaz de transformar a água noutra coisa, senão Aquele que a criou do nada.

Publicações de origem: «O vinho novo da verdadeira alegria».

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«Queres ficar são?»: A Quaresma conduz os catecúmenos às águas do batismo

São Máximo de Turim (? – c. 420), Sermão 28, sobre a Quaresma

Caríssimos irmãos, o número quarenta possui um valor simbólico, ligado ao mistério da nossa salvação. Com efeito, assim que a maldade dos homens invadiu, nos primeiros tempos, a superfície da terra, Deus fez cair do céu a chuva durante quarenta dias e inundou a terra inteira com as águas do dilúvio (Gn 7). A partir dessa altura, estava lançada simbolicamente a história da nossa salvação: as águas da chuva caíram durante quarenta dias para purificar o mundo. Agora, durante os quarenta dias da Quaresma, é oferecida aos homens a misericórdia, para que se purifiquem […]

Assim, o dilúvio é figura do batismo; o que então se verificou ainda hoje se cumpre […] e, quando o pecado do mundo desapareceu no fundo do abismo, a santidade pôde elevar-se até ao céu. Assim ainda hoje acontece na Igreja de Cristo: […] levada pelas águas do batismo, também ela se ergue até ao céu; são submersas as superstições e as idolatrias e sobre a terra se espalha a fé, resplandecente como a arca do Salvador. […] É verdade que somos pecadores e que o mundo será um dia destruído; só escaparão à ruína aqueles que a arca albergar no seu interior. Esta arca é a Igreja […] e nós vo-lo anunciamos: o mundo não escapará ao naufrágio. Por isso vos exortamos, irmãos, a todos vós, a que tomeis refúgio nesse santuário.

Quarenta dias que nos conduzem ao batismo na morte e ressurreição de Cristo

«Ouvi-te no tempo favorável; socorri-te no dia da salvação» (Is 49,8). E o apóstolo Paulo continua a citação com as palavras: «É este o tempo favorável; é este o dia da salvação» (2Cor 6,2). Também eu vos tomo por testemunhas: eis os dias da redenção, eis chegado de algum modo o momento da cura espiritual; podemos aliviar todas as nódoas dos nossos vícios, todas as feridas dos nossos pecados, se o rogarmos constantemente ao médico da nossa alma, se […] não negligenciarmos nenhuma das suas prescrições [..].

O médico é Nosso Senhor Jesus Cristo, que disse: «Sou Eu que faço morrer, sou Eu que faço viver» (Dt 32,39). O Senhor começa por fazer morrer, depois torna a dar a vida. Pelo batismo, Ele destrói em nós adultérios, homicídios, crimes e roubos; depois faz-nos reviver, como homens novos, na imortalidade eterna. Morremos para os nossos pecados pelo batismo, e retomamos a vida no Espírito da vida. […] Entreguemo-nos ao médico com paciência, para recuperarmos a saúde. Ele podará, cortará e retirará tudo o que tiver descoberto em nós de indigno, de manchado pelo pecado, de corroído pelas úlceras, por forma a que, uma vez eliminadas todas as feridas do demônio, só exista em nós o que é de Deus.

Eis a primeira das suas prescrições: consagrar quarenta dias ao jejum, à oração, às vigílias. O jejum cura a frouxidão, a oração alimenta a alma religiosa, as vigílias repelem as armadilhas do diabo. Depois deste tempo consagrado a todas estas observâncias, a alma, purificada e provada por tantos exercícios, chega ao batismo, recuperando as forças pelo mergulho nas águas do Espírito; e tudo o que tinha sido queimado pelas chamas das doenças renasce pelo orvalho da graça do céu. […] Por um novo nascimento, renascemos outros.

Publicações de origem: «Queres ficar são?»: A Quaresma conduz os catecúmenos às águas do batismo.

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A Origem da Quaresma: acompanhar os catecúmenos até ao seu batismo, na Páscoa

São Máximo de Turim (?-c. 420), bispo Sermão 28, PL 57, 587-590; CC Sermão 35, 136-139 (a partir da trad. de Les Pères dans la foi, Migne 1996, pp. 94ss.)

Depois deste tempo consagrado à observância do jejum, a alma chega, purificada e esgotada, ao batismo. Recobra então as forças mergulhando nas águas do Espírito; tudo o que tinha sido queimado pelas chamas das doenças renasce do orvalho da graça do céu. Abandonando a corrupção do homem velho, o neófito adquire uma nova juventude […]. Através de um novo nascimento, renasce outro homem, sendo embora o mesmo que tinha pecado.

Por meio de um jejum ininterrupto de quarenta dias e quarenta noites, Elias mereceu pôr fim, graças à água que veio do céu, a uma seca longa e penosa na terra inteira (1Rs 19, 8; 18, 41). Extinguiu a sede ardente do solo trazendo-lhe uma chuva abundante. Estes fatos produziram-se para nos servir de exemplo, para merecermos, após um jejum de quarenta dias, a chuva bendita do batismo, para que a água que vem do céu regue toda a terra, desde há muito tempo árida, dos nossos irmãos do mundo inteiro. O batismo, como uma rega de salvação, porá fim à longa esterilidade do mundo pagão. É, com efeito, de seca e de aridez espiritual que sofre todo aquele que não foi banhado pela graça do batismo.

Através de um jejum do mesmo número de dias e noites, o santo Moisés mereceu falar com Deus, ficar, permanecer com Ele, receber das Suas mãos os preceitos da Lei (Ex 24, 18). […] Também nós, irmãos muito queridos, jejuamos com fervor durante todo este período, para que […] também para nós se abram os céus e se fechem os infernos.

Publicações de origem: A Origem da Quaresma: acompanhar os catecúmenos até ao seu batismo, na Páscoa.

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A cruz e a ressurreição

O sinal da salvação

São Máximo de Turim (?-c. 420), bispo Sermão 38; PL 57, 341s; CCL 23, 149s

Na sua Paixão, o Senhor assumiu todos os males do gênero humano a fim de que, a partir de então, nada mais fizesse mal ao homem. A cruz é, pois, um grande mistério e, se tentarmos compreendê-lo, por via deste sinal o mundo será salvo. Com efeito, quando se fazem ao mar, os marinheiros começam por erguer a árvore do mastro, esticando a vela para que as águas se lhes abram; desse modo, formam a cruz do Senhor e, seguros por este sinal, chegam ao porto da salvação e escapam aos perigos da morte. Com efeito, a vela suspensa do mastro é a imagem deste sinal divino, da mesma maneira que Cristo foi elevado na cruz. Eis por que razão, devido à confiança que nasce deste mistério, estes homens não se assustam com as borrascas do vento, chegando ao porto desejado. Pois tal como a Igreja não pode permanecer de pé sem a cruz, também um navio enfraquece sem o mastro. O diabo atormenta-o e o vento atinge o navio mas, quando se ergue o sinal da cruz, é afastada a injustiça do diabo, e a borrasca termina imediatamente. […]

O agricultor também não empreende o seu trabalho sem o sinal da cruz: ao reunir os elementos da charrua, imita a imagem de uma cruz. […] Também o céu está disposto como uma imagem deste sinal, com as suas quatro direções, o Oriente, o Ocidente, o Meio-dia e o Norte. A forma do próprio homem, quando eleva as mãos, representa uma cruz; sobretudo quando rezamos de mãos erguidas, proclamamos a Paixão do Senhor através do nosso corpo. […] Moisés, o Santo, não saiu vencedor da guerra contra os amalecitas por via das armas, mas das mãos erguidas para Deus (Ex 17,11). […]

Assim, por este sinal do Senhor, abre-se o mar, cultiva-se a terra, é governado o céu e os homens são salvos. É também, afirmo eu, por este sinal do Senhor que se abrem as profundezas onde habitam os mortos. Porque o homem Jesus, o Senhor, que transportou a verdadeira cruz, foi sepultado na terra, e a terra que Ele tinha trabalhado em profundidade, que tinha, por assim dizer, destruído em todos os pontos, fez germinar todos os mortos que retinha em si.

Publicações de origem: O sinal da salvação.

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Este é o dia que o Senhor fez

São Máximo de Turim (?-c. 420), CC Sermão 53, sobre o salmo 117; PL 57, 361

«Este é o dia da vitória do Senhor: cantemos e alegremo-nos!» (Sl 117, 24). Não é por acaso, meus irmãos, que lemos hoje este salmo em que o profeta nos convida à alegria, em que o santo profeta David convida toda a criação a celebrar este dia; porque hoje a ressurreição de Cristo abriu a mansão dos mortos, os novos baptizados da Igreja rejuvenesceram a terra, o Espírito Santo mostrou o céu. O inferno, aberto, devolve os seus mortos; a terra, renovada, faz eclodir os ressuscitados; e o céu abre-se em toda a sua grandeza para acolher aqueles que a ele ascendem.

O ladrão subiu ao paraíso (Lc 23, 43); os corpos dos santos entram na cidade santa (Mt 27, 53). […] À ressurreição de Cristo, todos os elementos se elevam, com uma espécie de impulso, até às alturas. O inferno entrega aos anjos aqueles que guardava cativos, a terra envia para o céu aqueles que cobria, o céu apresenta ao Senhor aqueles que acolheu. […] A ressurreição de Cristo é vida para os defuntos, perdão para os pecadores, glória para os santos. Assim, o grande profeta David convida toda a criação a festejar a ressurreição de Cristo, incita-a a estremecer de alegria e de júbilo neste dia que o Senhor fez.

Dir-me-eis talvez […] que o céu e o inferno não foram estabelecidos no dia deste mundo; como podemos então pedir aos elementos que celebrem um dia com o qual nada têm de comum? O certo é que este dia que o Senhor fez tudo penetra, tudo contém, abraçando o céu, a terra e o inferno! A luz que é Cristo não se deixa tapar pelos muros, nem apagar pelos elementos, nem ensombrar pelas trevas. A luz de Cristo é verdadeiramente um dia sem noite, um dia sem ocaso. Por toda a parte resplandece, por toda a parte brilha, em toda a parte permanece.

(…) Esse dia que o Senhor fez (Sl 117,24) tudo penetra, tudo contém, tudo abarca, o céu, a terra e o inferno! […] E que dia é este, senão Cristo, do qual diz o profeta: «Um dia passa ao outro esta mensagem» (Sl 18,3). Sim, este dia é o Filho, a quem o Pai, que também está unido à luz do dia, enuncia o segredo da sua divindade. É Ele esse dia que diz pela voz do Sábio: «Irradiarei a ciência como a aurora, farei que ela brilhe bem longe» (Si 24,32). […] Assim, a luz de Cristo brilha para sempre, irradiando, sem que as trevas do pecado possam extingui-la. «A Luz brilhou nas trevas, mas as trevas não a receberam» (Jo 1,5).

À ressurreição de Cristo, todos os elementos são glorificados; estou certo de que, nesse dia, o sol brilhou com nova luminosidade. E não haveria de entrar na alegria da ressurreição aquele que se tinha entristecido com a morte de Cristo (Mt 27,45)? […] Qual servo fiel, anulou-se para acompanhar a Cristo ao túmulo; pois hoje deve resplandecer para saudar a ressurreição. […] Irmãos, alegremo-nos neste santo dia, e que ninguém deixe de se juntar à alegria comum por se lembrar dos seus pecados! Que ninguém desespere do perdão. Espera-nos um favor imenso. Se, na cruz, o Senhor teve piedade de um ladrão […], com que benefícios a glória da sua ressurreição nos não cumulará!

Publicações de origem: Este é o dia que o Senhor fez · «Ao romper da manhã, Jesus apresentou-Se na margem.».

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«Eis o dia que o Senhor fez» (Sl 117, 24)

São Máximo de Turim (?-c. 420), bispo Sermão 36; PL 57, 605 (a partir da trad. coll. Icthus t. 10, p. 262)

Deixemos irromper a nossa alegria, meus irmãos, hoje como ontem. Apesar de as sombras da noite terem interrompido o nosso regozijo, o dia santo não terminou […]: a claridade que a alegria do Senhor espalha é eterna. Cristo iluminou-nos ontem; ainda hoje a Sua luz resplandece. «Jesus Cristo é o mesmo ontem e hoje» diz o bem-aventurado apóstolo Paulo (Hb 13, 8). Sim, para nós Cristo fez-Se dia. Para nós, Ele nasceu hoje, como o anuncia Deus Seu Pai pela voz de David: «Tu és Meu filho; Eu hoje Te gerei» (Sl 2, 7). Que significa isto? Que Ele não engendrou o Seu filho um dia, mas que Ele próprio O engendra dia e noite. […]

Sim, Cristo é nosso hoje: esplendor vivo e sem declínio, Ele não cessa de inflamar o mundo que sustém (Hb 1, 3) e este clarão eterno parece ser apenas um dia. «A Teus olhos, mil anos são como um só dia», exclama o profeta (Sl 89, 4). Sim, Cristo é este dia único, porque única é a eternidade de Deus. Ele é o nosso hoje: o passado, desaparecido, não Lhe escapa; o futuro, desconhecido, não tem segredos para Ele. Luz soberana, Ele tudo abraça, tudo conhece, está presente em todos os tempos e possui-os todos. Perante Ele, o passado não pode ruir nem o futuro esquivar-se. […] Este hoje não é o tempo em que, segundo a carne, Ele nasceu da Virgem Maria, nem aquele em que, segundo a divindade, Ele sai da boca de Deus Seu Pai, mas sim o tempo em que ressuscitou dos mortos: «Ele ressuscitou Jesus, diz o apóstolo Paulo; conforme está escrito no salmo II: «Tu és Meu filho; Eu hoje Te gerei»» (At 13, 33).

Na verdade, Ele é o nosso hoje quando, saído da noite densa dos infernos, incendeia os homens. Na verdade, Ele é o nosso dia, aquele que as negras conspirações dos Seus inimigos não puderam obscurecer. Nenhum dia soube melhor do que este acolher a Sua luz: a todos os mortos, Ele deu o dia e a vida. A velhice tinha atirado os homens para a morte; Ele ergueu-os no vigor do Seu hoje.

Publicações de origem: «Eis o dia que o Senhor fez» (Sl 117, 24).

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«Se o grão de trigo, lançado à terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer, dá muito fruto» (Jo 12, 24)

São Máximo de Turim (? – c. 420), bispo CC Sermão 25; PL 57, 509ss. (a partir da trad. coll. Pères dans la foi, Migne 1996, p. 123)

«Um homem tomou um grão de mostarda e deitou-o no seu quintal; cresceu, tornou-se uma árvore, e as aves do céu vieram abrigar-se nos seus ramos.» Procuremos ver a quem se aplica tudo isto. […] Penso que a comparação se aplica mais precisamente a Cristo Nosso Senhor que, ao nascer na humildade da condição humana, como uma semente, sobe finalmente ao céu como uma árvore. Cristo é o grão esmagado na Paixão; torna-se uma árvore na ressurreição. Sim, Ele é grão quando, faminto, sofre por falta de alimento; é uma árvore quando, com cinco pães, satisfaz a fome a cinco mil pessoas (Mt 14, 13ss.). Ali, experimenta o despojamento da Sua condição humana, aqui espalha a saciedade pela força da Sua divindade.

Diria que o Senhor é grão quando é ferido, desprezado, insultado; é árvore quando devolve a vista aos cegos, reanima os mortos e perdoa os pecados. Ele mesmo reconhece que é grão: «Se o grão de trigo lançado à terra não morrer» (Jo 12, 24)

Publicações de origem: «Se o grão de trigo, lançado à terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer, dá muito fruto» (Jo 12, 24).

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«É semelhante ao grão de mostarda que um homem tomou e lançou na sua horta»

São Máximo de Turim (?-c. 420) Sermão 26

Em vossa opinião, quem é o homem que semeou na sua horta o grão que recebeu como grão de mostarda? Penso que é aquele sobre o qual o Evangelho diz: «Um membro do Conselho chamado José, natural de Arimateia […], foi ter com Pilatos, pediu-lhe o corpo de Jesus e, descendo-O da cruz, envolveu-O num lençol e depositou-O num sepulcro preparado na sua horta» (Lc 23,50-53). É por essa razão que as Escrituras dizem: «Um homem tomou-o e lançou-o na sua horta».

Na horta de José, misturavam-se perfumes de diversas flores, mas um grão como aquele nunca aí tinha sido lançado. A horta espiritual da sua alma rescendia ao perfume das suas virtudes, mas Cristo ainda não tinha sido lá colocado. Ao sepultar o Salvador no sepulcro da sua horta, ele acolheu-O mais profundamente no fundo do seu coração.

Publicações de origem: «É semelhante ao grão de mostarda que um homem tomou e lançou na sua horta» · É semelhante a um grão de mostarda que um homem tomou e deitou no seu quintal.

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«Vai ter com os Meus irmãos e diz-lhes: ‘Subo para o Meu Pai, que é vosso Pai’»

São Máximo de Turim (? – c. 420), Sermão 39 a

Depois da Ressurreição, Maria Madalena, imaginando-O prisioneiro da terra, vai ao sepulcro à procura do Senhor, esquecida da Sua promessa de regressar dos mortos ao terceiro dia. […] A sua fé humilde mas ignorante leva-a a procurar aquilo que não sabe e a esquecer aquilo que aprendeu; está pronta para a adoração mas a sua fé é ainda imperfeita. Está mais preocupada com as feridas que o Senhor sofreu na Sua carne do que com a glória da Sua Ressurreição. Chora porque ama a Cristo e aflige-se por não encontrar o Seu corpo, pois imagina morto Aquele que já reinava. […]

Assim, à bem-aventurada Madalena foi feita a censura de demorar a crer (Lc 24,5ss), pois tarde havia reconhecido o Senhor. Por isso lhe diz o Salvador: «Não me detenhas, pois ainda não subi para o Pai» […], ou seja, porque queres tocar-Me, tu, que ao procurar-Me por entre os túmulos, não crês que Eu tenha subido para junto do Pai, tu, que ao procurar-Me nos infernos, duvidas de que Eu tenha regressado ao Céu, tu, que ao procurar-Me entre os mortos, não esperas ver-Me vivo à direita do Pai? E por isso lhe diz: «Ainda não subi para o Pai», quer dizer, para ti ainda não subiu para o Pai Aquele que a tua fé ainda retém no sepulcro. […]

Por isso, quem quiser tocar o Senhor deve de antemão, na sua fé, colocá-Lo à direita de Deus, e o seu coração, em vez de O procurar entre os mortos, deve tê-Lo no Céu, uma vez que o Senhor subiu para o Pai e está sempre com o Pai: «o Verbo estava em Deus, e o Verbo era Deus» (Jo 1,1). São Paulo ensina-nos como procurar o Salvador no Céu, ao dizer: «procurai as coisas do alto, onde está Cristo, sentado à direita de Deus» (Cl 3,1); e, para que não façamos como Maria Madalena, acrescenta: «aspirai às coisas do alto e não às coisas da terra» (Cl 3,2). Assim, se quisermos encontrar o Salvador e tocá-Lo, não é nem na terra nem debaixo dela, segundo a carne, que devemos indagar por Ele, mas na glória da divina majestade.

Nota editorial: O documento Sophia.docx contém duas cópias deste fragmento, também já representado no acervo. Conserva-se uma única versão nesta antologia.

Publicações de origem: «Vai ter com os Meus irmãos e diz-lhes: ‘Subo para o Meu Pai, que é vosso Pai’».

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Renascer na inocência das crianças

São Máximo de Turim (?-c. 420) Homilia 58, para a Páscoa; PL 57, 363

Irmãos, como é grande e admirável o dom que o Senhor nos dá! Neste dia de Páscoa, dia da salvação, o Senhor ressuscitou e dá a ressurreição ao mundo. […] Nós somos o seu corpo (1Cor 12,27) […] e, como seus membros, ressuscitamos com Ele, […] que nos faz passar da morte à vida. «Páscoa» em hebraico quer dizer passagem […], e que passagem! Do pecado à justiça, do vício à virtude, da velhice à infância. […] Ontem, a queda no pecado mostrava-nos o caminho do declínio; mas a ressurreição de Cristo faz-nos reviver na inocência dos recém-nascidos.

A simplicidade cristã faz sua a infância. A infância não tem rancor, não conhece o engano, não procura a ofensa. Do mesmo modo, a criança em que o cristão se transformou já não se enfurece se é insultada, não se defende se é espoliada, não riposta se é atacada. O próprio Senhor lhe exige que reze pelos seus inimigos, que deixe a túnica e o manto aos ladrões, e que dê a outra face àqueles que lhe batem (Mt 5,39). Assim, a infância de Cristo sobrepõe-se à dos homens. […]

A infância em Cristo ultrapassa a infância simplesmente humana. Esta ignora o pecado, aquela detesta-o. Esta deve a inocência à fraqueza, aquela à virtude. Ainda é digna de mais elogios: o seu ódio ao mal provém da vontade, e não da impotência. Podemos, evidentemente, encontrar a sabedoria de um velho numa criança, ou a inocência da juventude nas pessoas idosas. E o amor reto e verdadeiro pode amadurecer os jovens: «A honra da velhice não consiste numa longa vida», diz o Profeta, «e não se mede pelo número de anos, mas pela inteligência» (Sab 4,8-9). Mas aos apóstolos já maduros e idosos, o Senhor diz: «Se não voltardes a ser como as criancinhas, não podereis entrar no reino dos céus» (Mt 18, 3). E remete-os para a própria fonte da sua vida; incita-os a retomar a infância, a fim de que os homens cujas forças declinam renasçam para a inocência do coração: «Quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no reino de Deus» (Jo 3,5).

Nota editorial: Os dois primeiros parágrafos provêm da versão «Deixai que as crianças…»; o último, da versão «Dos que são como elas…». São seleções complementares da mesma homilia. As outras variantes são indicadas nos links de origem.

Publicações de origem: Renascer na inocência das crianças · «Deixai as crianças e não as impeçais de vir ter comigo, pois delas é o Reino do Céu» · «Dos que são como elas é o reino dos Céus». · «Quem receber um destes meninos em Meu nome é a Mim que recebe».

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A Palavra e os frutos da vida cristã

«Alimentar-se da Palavra que sai da boca de Deus»

São Máximo de Turim (? – c. 420), bispo Sermão 16; PL 57, 561, CC Sermão 51, p. 206 (a partir da trad. Migne 1996, p. 85 rev.)

O Salvador responde ao diabo: «Nem só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus». O que quer dizer: «Não vive do pão deste mundo, nem do alimento material dos quais te serviste para enganar Adão, o primeiro homem, mas da Palavra de Deus, do Seu Verbo, que contém o alimento da vida celestial». Ora, o Verbo de Deus é Cristo Nosso Senhor, como diz o evangelista: «No princípio existia o Verbo; o Verbo estava em Deus» (Jo 1, 1). Por conseguinte, todo aquele que se alimenta da palavra de Cristo já não necessita de alimento terreno. Porque quem se renova com o pão do Senhor não pode desejar o pão deste mundo. Efetivamente, o Senhor tem o Seu próprio pão, ou melhor, o Salvador é Ele próprio pão, como nos ensina com estas palavras: «Eu sou o pão que desceu do Céu» (Jo 6, 41). É a este pão que o profeta chama «o pão que lhe robustece as forças» (Sl 103, 15).

Que me importa o pão que oferece o diabo, quando tenho o pão em que comungo com Cristo? Que me importa o alimento […] por causa do qual o primeiro homem perdeu o Paraíso, Esaú o direito de primogenitura […] (Gn 25, 29ss.), que designou Judas Iscariotes como traidor (Jo 13, 26ss.)? Com efeito, Adão perdeu o Paraíso devido ao alimento, Esaú perdeu o seu direito de primogenitura por um prato de lentilhas, e Judas renunciou à sua condição de apóstolo por um punhado de moedas; porque, no momento em que o tomou, deixou de ser apóstolo para se tornar traidor. […] O alimento que devemos tomar é aquele que abre o caminho ao Salvador, não ao diabo, o que transforma quem o toma em proclamador da fé e não em traidor.

O Senhor tem razão em dizer, neste tempo de jejum, que é o Verbo de Deus que alimenta, para nos ensinar que não devemos viver os nossos jejuns preocupados com o mundo, mas lendo os textos sagrados. Com efeito, o que se alimenta das Escrituras esquece a fome do corpo; o que se alimenta do Verbo celestial esquece a fome. Eis o alimento que alimenta a alma e alivia o faminto […], que confere a vida eterna e afasta de nós as armadilhas das tentações do diabo. A leitura dos textos sagrados é vida, como afirma o Senhor: «As palavras que vos disse são espírito e são vida» (Jo 6, 63)…

Publicações de origem: «Alimentar-se da Palavra que sai da boca de Deus».

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Dar fruto

São Máximo de Turim (?-c. 420), Sermão para festa de São Cipriano; CC Sermão 11, p.38; PL 57, 687

«A vinha do Senhor do universo, diz o profeta, é a casa de Israel» (Is 5,7). Ora, tal casa somos nós […] e como nós somos Israel, somos a vinha. Zelemos, pois, por que não nos nasçam dos sarmentos, em vez de uvas de doçura, uvas de ira (Ap 14, 19), para que não nos digam […]: «Porque é que, esperando Eu que desse boas uvas, apenas produziu agraços?» (Is 5,4). Terra ingrata! Ela, que deveria oferecer a seu Dono frutos de doçura, trespassou-O com agudos espinhos. De igual forma os Seus inimigos, que deveriam ter acolhido o Salvador com toda a devoção da sua fé, coroaram-n’O com os espinhos da Paixão. Para eles essa coroa significava ultraje e injúria, mas aos olhos do Senhor, era a coroa das virtudes. […]

Tende cautela, irmãos, para que não seja dito acerca dessa terra que vós sois: «Esperou que lhe desse boas uvas, mas ela só produziu agraços» (Is 5,2) […]. Tenhamos cautela, para que as nossas más ações não firam, quais espinhos, a cabeça do Senhor. Foram os espinhos do coração que feriram a palavra de Deus, como diz o Senhor no evangelho quando conta que o grão do semeador caiu entre os espinhos, e que estes cresceram e sufocaram o que tinha sido semeado (Mt 13,7). […] Velai, portanto para que a vossa vinha não dê espinhos em vez de uvas; para que a vossa vindima não produza vinagre em vez de vinho. Todo aquele que faz vindima sem dela dar aos pobres recolhe vinagre e não vinho; e aquele que enceleira as suas colheitas de trigo sem delas distribuir aos indigentes, não é o fruto da esmola que põe de reserva, mas os cardos da avareza.

Nota editorial: O documento Sophia.docx contém duas cópias deste fragmento, com pequenas diferenças em relação ao post. Conserva-se a redação já publicada, uma única vez.

Publicações de origem: Dar fruto.

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«Dar-te-ei as chaves do Reino dos Céus»

São Máximo de Turim (?-c. 420) Sermão CC1 Evangelho Cotidiano

O Senhor reconheceu em Pedro o intendente fiel, a quem confiou as chaves do Reino, e em Paulo um mestre qualificado, que encarregou de ensinar na Igreja. Para prometer aos que foram formados por Paulo que encontrariam a salvação, era preciso que Pedro os acolhesse para lhes dar repouso. Quando Paulo tiver aberto os corações com a sua pregação, Pedro abrirá às almas o Reino dos Céus. Assim, pois, também Paulo recebeu de Cristo uma espécie de chave, a chave da ciência, que permite abrir em profundidade os corações endurecidos para a fé, para em seguida trazer à superfície, por uma revelação espiritual, aquilo que se encontrava escondido no interior. Trata-se de uma chave que deixa escapar da consciência a confissão do pecado e que nela encerra para sempre a graça do mistério do Salvador.

Ambos receberam, pois, chaves das mãos do Senhor; um deles recebeu a chave da ciência, o outro a chave do poder; este dispensa as riquezas da imortalidade, aquele distribui os tesouros da sabedoria. Porque há tesouros do conhecimento, como está escrito: «O mistério de Deus, isto é, Cristo, no Qual estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e da ciência» (Col 2,2-3).

Publicações de origem: «Dar-te-ei as chaves do Reino dos Céus».

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Textos atribuídos a São Máximo de Turim

Daqui em diante, serás pescador de homens

Sermão atribuído a São Máximo de Turim, 39. Atribuição conservada tal como indicada nas publicações de origem.

Quando o Senhor, sentado no barco de pesca, disse a Pedro: «Faz-te ao largo e lançai as redes para a pesca», quis aconselhá-lo não tanto a lançar às profundezas da água as redes de pesca, mas a derramar no fundo dos corações as palavras da pregação. Foi neste abismo do coração que São Paulo penetrou ao clamar: «Oh, que profundidade de riqueza, de sabedoria e de ciência é a de Deus!» (Rom 11,33). […] Tal como as redes trazem nas suas malhas, para dentro do barco, os peixes que apanharam, assim a fé conduz ao seu seio, para o descanso, todos os homens recolhidos por ela.

Para fazer compreender que o Senhor estava a referir-Se à pesca espiritual, disse Pedro: «Mestre, andámos na faina toda a noite e não apanhámos nada. Mas, já que o dizes, lançarei as redes». O Senhor, nosso Salvador, é o Verbo, a Palavra de Deus; […] ao lançar as redes a esta Palavra, Pedro estende a sua eloquência segundo Cristo: estende as malhas da rede aparelhada segundo as diretrizes do Mestre, lançando, em nome do Senhor, palavras claras e eficazes que permitem salvar homens e já não criaturas sem razão.

«Andamos na faina toda a noite e não apanhámos nada». Sim, toda a noite trabalhara Pedro […] mas, assim que brilhou a luz do Senhor, dispersaram-se as trevas e a fé permitiu-lhe distinguir nas profundezas da água aquilo que os seus olhos não podiam ver. Pedro sofreu a noite inteira até que o dia que é Cristo viesse em seu auxílio, conforme as palavras do apóstolo Paulo: «A noite vai adiantada e o dia está próximo» (Rom 13,12).

Publicações de origem: Daqui em diante, serás pescador de homens · «De futuro, serás pescador de homens».

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«Vós sois o sal da terra. Vós sois a luz do mundo»

Sermão atribuído a São Máximo de Turim. Fonte indicada no post: Evangelho Cotidiano. O documento Sophia.docx acrescenta a referência «Kephas, vol. 1».

O Senhor disse aos Seus apóstolos: «Vós sois a luz do mundo». Como são justas as comparações que o Senhor emprega para designar os nossos pais na fé! Chama-lhes «sal», a eles que nos ensinam a sabedoria de Deus, e «luz», a eles que afastam dos nossos corações a cegueira e as trevas da nossa incredulidade. Mas é justo que os apóstolos recebam o nome de luz: eles anunciam, na obscuridade do mundo, a claridade do céu e o esplendor da eternidade. Não se tornou Pedro uma luz para o mundo inteiro e para todos os fiéis quando disse ao Senhor: «Tu és Cristo, o Filho de Deus vivo»? (Mt 16,16) Que maior claridade teria o género humano podido receber do que ficar a saber por Pedro que o Filho de Deus vivo era o criador da sua luz?

E São Paulo não é uma luz menor para o mundo: enquanto toda a terra estava cega pelas trevas da maldade, ele subiu ao céu (2Co 12,2) e, no seu regresso, revelou os mistérios do esplendor eterno. Foi por isso que não pôde, nem esconder-se, tal como uma cidade fundada no alto duma montanha, nem deixar que o escondessem, pois Cristo, pela luz da Sua majestade, tinha-o incendiado como uma candeia cheia do óleo do Espírito Santo. Por isso, bem-amados, se, renunciando às ilusões deste mundo, queremos procurar o sabor da sabedoria de Deus, provemos o sal dos apóstolos.

Nota editorial: O texto consta do documento Sophia.docx como homilia atribuída a São Máximo de Turim; essa ressalva foi preservada.

Publicações de origem: «Vós sois o sal da terra. Vós sois a luz do mundo».

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Fontes e critérios da seleção

As traduções são as já publicadas em Sophia, cujos posts indicam Evangelho Cotidiano como fonte. Esta organização não constitui uma nova tradução. As referências de sermão, homilia e edição foram conservadas conforme o acervo; a numeração pode variar entre edições. PL designa Patrologia Latina, e CCL designa Corpus Christianorum Series Latina. A abreviatura CC foi mantida nos registros em que aparece na fonte.

Os sinais […] e […] indicam omissões presentes nas fontes. As versões repetidas foram reunidas sem apagar os endereços antigos. As seleções complementares da mesma homilia foram mantidas, com indicação editorial quando provenientes de versões diferentes.

Não foram incluídos dois posts classificados na categoria Máximo de Turim: «Este é o dia […] que o Senhor fez, cantemos e alegremo-nos nele!», cujo próprio corpo atribui a autoria a Proclo de Constantinopla; e «Reconduzirá muitos dos filhos de Israel ao Senhor, seu Deus», para o qual foi localizada uma atribuição divergente a Gregório Palamas, Homilia 40. O segundo caso permanece reservado à conferência bibliográfica antes de qualquer reclassificação.

No fragmento sobre as lâmpadas e João Batista, corrigiu-se «não dou digno» para «não sou digno». No fragmento sobre Maria Madalena, reuniu-se a citação de Jo 1,1, que estava dividida por uma quebra acidental de parágrafo. Os títulos abreviados no sumário são guias editoriais de leitura; os posts originais continuam acessíveis pelos links de origem.

O documento Sophia.docx forneceu versões de «Dar fruto», «Vai ter com os meus irmãos» e «Vós sois o sal da terra». Esses três textos já estavam representados no acervo e foram reunidos aqui sem nova publicação avulsa.

Organização editorial preparada em 14 de outubro de 2026.

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