“Hoje, com Simeão e Ana,
contemplamos o Divino Menino,
o Verbo feito Carne, que é conduzido ao Templo.
Aquele que veio cumprir a Antiga Lei, como plenamente homem,
alegra o coração do povo que esperava o Messias prometido,
o Divino Filho Encarnado.”

(São João Crisóstomo)

Quarenta dias após o nascimento de Jesus, completados os dias da purificação de Maria, conforme prescrito na Lei de Israel, o Menino foi apresentado no Templo. Esse gesto expressa a consagração do Primogênito ao Senhor e a submissão à vontade divina e à cultura do povo de Deus. Como oferenda, José e Maria trouxeram um par de rolas ou pombinhos, a oferta típica dos pobres.

“Maria, a Virgem Mãe, a primeira a ser verdadeiramente o Templo Santíssimo do Deus Vivo, aquela que é toda pura e santa, cumpriu o ritual da purificação sem necessidade. Levou o Primogênito de Deus ao templo para realizar o que foi prometido a Simeão.”

(São Basílio)

A Luz do Mundo e a Festa das Candeias

A Festa da Apresentação, também conhecida como “Festa da Purificação” e “Festa da Candelária”, é marcada pela procissão de velas, em especial nas Igrejas de Jerusalém e de tradição eslava. Esse rito simboliza as palavras de Simeão ao declarar que Jesus é “Luz que brilhará sobre todas as nações e glória do teu povo, Israel” (Lc 2, 29-32).

Celebremos o mistério deste dia com lâmpadas flamejantes.” (São Cirilo de Alexandria)

Jesus é a Luz do mundo, que ilumina as trevas e traz ao coração dos seus filhos a luz eterna, aquela que jamais se extingue.

O Encontro de Deus com a Humanidade

A Festa da Apresentação é também chamada de “Hypapántê”, que significa “Festa do Encontro”. Esse título sublinha o encontro de Simeão e Ana com Jesus no Templo. Nele, a humanidade se reconcilia com a divindade, simbolizando as bodas entre Deus e o seu povo.

Movido pelo Espírito Santo, Simeão vai ao Templo e encontra o Menino conduzido por Maria e José. Tomando Jesus em seus braços, ele proclama:

“Agora, Senhor, deixa o teu servo ir em paz,
segundo a tua palavra,

porque meus olhos viram a tua salvação,
que preparaste diante de todos os povos:
luz para iluminar as nações
e glória de Israel, teu povo.”
(Lc 2, 29-32)

Nesse encontro, Jesus é apresentado ao mundo como sacramento de reconciliação com Deus. Simeão representa o Antigo Testamento, que encontra sua realização em Cristo, enquanto Ana, profetisa, anuncia o cumprimento das promessas messiânicas.

“Na pessoa do Menino, converge a Antiga e a Nova Lei. Ele é o ponto de chegada dos que esperavam o Messias e o ponto de partida para os que vivem na plenitude dos tempos.”

(São Clemente de Alexandria)

Durante a celebração, canta-se:

“O velho Simeão leva o Menino,
mas é o Menino quem o conduz.”

O Ícone da Festa

O ícone da Apresentação no Templo destaca o Menino Jesus como Senhor e Redentor. No ícone:

  • Simeão, com as mãos cobertas em sinal de veneração, forma um trono para acolher o Menino. Sua inclinação expressa humildade.
  • Maria, ligeiramente inclinada, ergue as mãos cobertas num gesto de oferenda. Jesus, que não está em seus braços, aponta para sua missão de se entregar ao mundo.
  • Ana, a profetisa, indica com o dedo a presença do Salvador.
  • Ao fundo, o templo com véus vermelhos simboliza as bodas entre Deus e a humanidade.

“Os braços da Mãe, que antes eram trono do Salvador, agora o oferecem como o mais precioso dos dons ao Altíssimo. O Menino, consciente de sua missão de oblação, deixa os braços calorosos de Maria e se entrega à Antiga Lei, como servo obediente de Deus.”

(São João Crisólogo)

O Significado Espiritual da Festa

A Apresentação do Senhor é uma celebração da filiação divina. Por meio de Cristo, somos chamados filhos de Deus (Gl 4, 4-7) e temos o privilégio de invocá-lo como Pai (Ef 1, 5; 2, 18).

Que nesta festa, assim como Simeão, possamos acolher Cristo não apenas em nossos braços, mas em nossos corações. Que o Espírito Santo nos renove e que a misericórdia divina realize em nós sua obra de salvação, iluminando nossas vidas com a luz de Cristo, o Pão Vivo que desceu do Céu.

Referências Bibliográficas

  • WEITZMANN, Kurt. Revista Fuentes: “Las Doce Fiestas”, Anuário 1994.
  • GOMES, C. Folch. Antologia dos Santos Padres. São Paulo: Ed. Paulinas, 3ª Ed.

 

Texto 2:

2 de Fevereiro – Apresentação de Nosso Senhor Jesus Cristo ao Templo

No dia 2 de fevereiro, a Igreja celebra a Apresentação de Nosso Senhor Jesus Cristo ao Templo, um evento profundamente significativo na história da salvação. Este momento marca o cumprimento da Lei mosaica: o término do período de purificação de Maria e a redenção do primogênito, como prescrito em Levítico.

De acordo com a Lei, os israelitas deveriam ofertar um cordeiro como sacrifício. Entretanto, para os que não tinham recursos, era permitido oferecer um par de pombos ou rolinhas. Este detalhe sublinha a simplicidade e humildade da Sagrada Família, que se apresentou no Templo com a oferta dos pobres.

O evento é descrito no Evangelho de São Lucas (2,22-40), que narra como Jesus foi reconhecido como o Messias por duas figuras marcantes: Simeão e Ana. Ambos, movidos pelo Espírito Santo, atestaram a identidade messiânica do Menino.

Simeão: O ancião que aguardava a Promessa

Simeão representa aqueles que, com profundo estudo e esperança, aguardam o cumprimento das promessas divinas. Inspirado pela profecia de Isaías (“Eis que uma virgem conceberá e dará à luz um filho, e será chamado o seu nome Emanuel” – Is 7,14), ele vivia na expectativa de ver o Salvador, tendo recebido do Espírito Santo a promessa de que não morreria antes disso.

Quando Maria e José chegaram ao Templo com o Menino Jesus, Simeão, movido pelo Espírito, reconheceu n’Ele o Salvador e proclamou:

“Agora, Senhor, podes deixar teu servo partir em paz, segundo a tua palavra, porque meus olhos viram a tua salvação, que preparaste diante de todos os povos: luz para iluminar as nações e glória do teu povo, Israel” (Lc 2,29-32).

Em sua profecia, Simeão também anuncia a missão redentora de Jesus e o papel de Maria no plano salvífico, ao declarar:

“Este Menino está destinado para ser causa de queda e de reerguimento de muitos em Israel, e para ser um sinal de contradição. Quanto a ti, uma espada traspassará tua alma” (Lc 2,34-35).

Ana: A profetisa da esperança

Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser, era uma viúva idosa, dedicada ao jejum e à oração. Sua vida de intimidade com Deus a preparou para reconhecer Jesus como o Salvador. Inspirada pelo Espírito Santo, ela louvou a Deus e confirmou publicamente a identidade messiânica do Menino.

A plenitude da Lei e da Profecia

Os testemunhos de Simeão e Ana representam a plenitude da Lei e da Profecia, apontando para Jesus como o cumprimento das promessas divinas. Ele não veio abolir a Lei, mas completá-la, sendo luz para iluminar as nações e glória de Israel.

Significado litúrgico e espiritual

No Ocidente, esta celebração é conhecida como Candelária, devido à procissão com velas que simbolizam Cristo como a luz do mundo. No Oriente, a ênfase recai sobre os eventos narrados no Evangelho: a purificação de Maria, o encontro de Cristo com Simeão e Ana, e Sua apresentação ao Templo.

Uma mensagem para a vida cristã

A Apresentação de Jesus ao Templo é um convite para refletirmos sobre a humildade e a obediência de Cristo e de Sua família, bem como sobre o reconhecimento da luz divina que veio ao mundo. É também uma oportunidade para renovarmos nossa esperança e nosso compromisso de viver como filhos da luz.

Neste dia, em muitas paróquias, realiza-se a bênção das velas antes da celebração litúrgica. Que possamos, como Simeão e Ana, reconhecer em Cristo a verdadeira luz que ilumina e guia nossos caminhos.