Por Frederica Mathewes-Green
Tradução e adaptação por Máximo Cardoso e Pe. André Sperandio

Atualmente, muitas comunidades enfrentam uma crise no engajamento masculino, mas as igrejas ortodoxas desafiam essa tendência, atraindo e mantendo homens em números que, se não impressionantes, são certamente intrigantes. Como observou Leon Podles em seu livro The Church Impotent: The Feminization of Christianity (A Igreja Impotente: A Feminização do Cristianismo), “Os ortodoxos são os únicos cristãos que escrevem música litúrgica em baixo profundo, ou os únicos que precisam fazer isso”.

Para entender melhor esse fenômeno, enviei um e-mail a uma centena de homens ortodoxos, a maioria convertida na idade adulta. O que torna essa Igreja particularmente atraente para eles? Suas respostas revelam elementos que podem inspirar líderes religiosos em outras tradições a refletirem sobre como manter os homens envolvidos na vida eclesial.

1. Um Caminho Desafiador

A palavra mais citada por esses homens foi desafio. “A Ortodoxia é ativa, não passiva”. “É a única Igreja onde você precisa se adaptar a ela, em vez de esperar que ela se adapte a você”. “Quanto mais tempo você está nela, mais percebe o quanto ela exige”.

A fisicalidade do culto ortodoxo é parte desse apelo: dias regulares de jejum, longos períodos em pé, prostrações, abstinência alimentar antes da Comunhão. “Quando você chega ao fim, sente que superou um desafio”. Como afirmou um recém-converso: “A Ortodoxia é séria. É exigente. Envolve misericórdia, mas também autossuperação. No rigor, encontro a liberdade”.

2. Uma Igreja Que Exige Algo

Vários entrevistados destacaram que a Ortodoxia estabelece desafios claros e bem definidos. “A maioria dos rapazes se sente mais confortável quando sabe o que se espera deles”. “A Ortodoxia oferece limites razoáveis”. “É mais fácil para os rapazes se expressarem na adoração quando há diretrizes claras sobre como proceder”.

As orações fixas, como as matinais, noturnas e antes das refeições, dão aos homens um caminho de engajamento espiritual sem pressão. “Aprende-se imediatamente por meio de rituais e simbolismos, como o sinal da cruz, que nos conscientizam de nossa relação com Deus e a Igreja”.

3. Um Objetivo Claro

Os homens entrevistados veem a Ortodoxia como um caminho definido para a theosis, a união com Deus. “Na minha antiga igreja, eu não sentia que estava chegando a algum lugar espiritualmente. Mas algo estava faltando. Não havia algo que eu deveria estar fazendo, Senhor?”.

A Ortodoxia preserva a antiga sabedoria cristã sobre o progresso espiritual, transformando corpo e alma para a consciência da presença de Cristo. Como afirmou Santo Irineu (século II): “Deus se fez homem para que o homem se tornasse deus”.

4. O Cristo Central

O que atrai os homens para a Ortodoxia não é apenas seu desafio ou mística, mas a centralidade de Jesus Cristo. “A Ortodoxia oferece um Jesus robusto”. Muitos contrastaram essa imagem com “as representações feminilizadas de Cristo que encontrei na minha infância”. Um padre escreveu: “Cristo na Ortodoxia é triunfante, guerreiro, destrói o inferno e leva o cativo ao cativeiro”.

5. Continuidade e Tradição

Muitos homens, ao estudar a história da Igreja, encontraram na Ortodoxia a continuidade com os primeiros cristãos. “A Igreja Ortodoxa oferece o que outras não oferecem: uma continuidade real com os seguidores originais de Cristo”.

Um catecúmeno compartilhou sua experiência: “Ao tentar entender as Escrituras por conta própria, percebi que poderia manipulá-las para dizer qualquer coisa. A única alternativa ao cinismo era a Tradição. A Ortodoxia me ofereceu isso”.

6. Objetividade e Sobriedade

Leon Podles argumenta que a piedade cristã ocidental tornou-se feminilizada nos séculos XII e XIII, com uma devoção sentimental e emocional. “No Oriente, no entanto, a espiritualidade permaneceu equilibrada, enfatizando a presença interior de Cristo por meio de disciplina e humildade”.

Muitos homens entrevistados rejeitaram abordagens religiosas baseadas em emoções voláteis. “Os homens ficam cínicos quando percebem que estão sendo manipulados emocionalmente. A Ortodoxia não busca provocar sentimentos religiosos, mas cumprir um dever objetivo”.

7. O Propósito Supremo

Por fim, nada secundário pode substituir o essencial. “Esta vida não é o objetivo. Cristo é o alvo. Um espírito livre ou uma vida disciplinada não são o objetivo. Cristo é o alvo. Ele é a pessoa (Divina) que veio ao mundo e diante de quem todo joelho se dobrará”.

Considerações Finais

Os testemunhos desses homens revelam que a Igreja Ortodoxa atrai e retém fiéis masculinos porque desafia, exige algo concreto, dá um objetivo claro, centra-se em Cristo, preserva a tradição e evita sentimentalismos. Essa abordagem pode oferecer insights valiosos para outras comunidades religiosas que buscam aprofundar o compromisso de seus membros.

Fonte: Texto original