O calendário juliano excedia o ano astronômico em 11 minutos, acumulando um desvio de três dias a cada 400 anos. Em 1582, o Papa Gregório XIII promulgou uma reforma eliminando 10 dias do calendário e ajustando os anos bissextos: apenas os anos seculares divisíveis por 400 seriam bissextos. Essa reforma foi adotada imediatamente pelos países católicos, mas enfrentou resistência política e religiosa em outros lugares. Na Igreja Ortodoxa, o calendário juliano reformado é usado para festas fixas, enquanto o juliano tradicional determina a data da Páscoa. As comunidades católicas em países ortodoxos podem celebrar a Páscoa em sincronia com a maioria da população local.
O calendário promulgado por Júlio César em 46 a.C. Possui um ano de 365,25 dias, com anos bissextos a cada quatro anos.
Modalidade de canto litúrgico bizantino caracterizada por ornamentação elaborada.
Do gr.: καλός (kalós) = belo; γέρων (géron) = ancião
Título tradicionalmente usado para se referir a um monge, significando “belo ancião”.
Imagem de Cristo crucificado, ladeado por Maria e João. É normalmente colocado no topo do iconostásio, visível de qualquer ponto da igreja.
Do gr.: κανών (kanón) = regra; ἄρχης (árches) = líder
Cantor responsável por guiar os coros, indicando as palavras e melodias dos hinos.
- Composição hinográfica composta de nove odes (geralmente oito, sem a segunda). Cada ode é precedida por um irmo e composta de vários troparios.
- Norma disciplinar ou organizativa de um Concílio.
O canto é uma parte essencial das ações litúrgicas bizantinas. Sempre monódico, rejeita o uso de instrumentos musicais e polifonia. O canto é acompanhado pelo “ison” (uma nota contínua). Caracteriza-se pela alternância de dois coros, uma prática originada no cerimonial da corte bizantina.
Do gr.: χάρτης (chártis) = documento; φύλαξ (fýlax) = guardião
Dignitário eclesiástico encarregado dos arquivos de um patriarcado ou eparquia.
Do gr.: κατήχησις (katéchesis) = instrução oral
Ensino cristão dado aos catecúmenos (aqueles que se preparam para o Batismo). A primeira parte da Divina Liturgia, até a Pequena Entrada, é chamada “Liturgia dos Catecúmenos”, pois era a única parte do rito que eles podiam assistir.
Do gr.: κατηχούμενος (katéchoumenos) = aquele que está sendo instruído
Pessoa que recebe os ensinamentos iniciais da fé cristã em preparação para o Batismo.
Do grego κάθισμα (“sentado”), é uma divisão do Saltério usada na Igreja Ortodoxa e nas igrejas católicas orientais do rito bizantino. Cada catisma é dividido em três partes chamadas estases (στάσεις, “de pé”).
História:
- Originalmente, monges eremitas recitavam todos os Salmos diariamente, como registrado por São João Cassiano no século V.
- Com o desenvolvimento do monasticismo cenobita, o Saltério foi dividido em 20 partes (cathismata) para facilitar sua recitação comunitária durante as Horas Canônicas, que incluíam também hinos, orações e leituras bíblicas.
Prática Litúrgica:
Durante os ofícios, os monges permanecem sentados enquanto o catisma é lido por um irmão em pé. Ao final de cada estase, todos se levantam e fazem o sinal da cruz ao ouvir a doxologia: “Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo”.
Divisão dos Catismas:
Os catismas são organizados de acordo com a numeração da Septuaginta e divididos em três estases cada. Abaixo está a distribuição:
Septuaginta:
| Catisma | Estase I | Estase II | Estase III |
|---|---|---|---|
| I | 1-3 | 4-6 | 7-8 |
| II | 9-10 | 11-13 | 14-16 |
| III | 17 | 18-20 | 21-23 |
| IV | 24-26 | 27-29 | 30-31 |
| V | 32-33 | 34-35 | 36 |
| VI | 37-39 | 40-42 | 43-45 |
| VII | 46-48 | 49-50 | 51-54 |
| VIII | 55-57 | 58-60 | 61-63 |
| IX | 64-66 | 67 | 68-69 |
| X | 70-71 | 72-73 | 74-76 |
| XI | 77 | 78-80 | 81-84 |
| XII | 85-87 | 88 | 89-90 |
| XIII | 91-93 | 94-96 | 97-100 |
| XIV | 101-102 | 103 | 104 |
| XV | 105 | 106 | 107-108 |
| XVI | 109-111 | 112-114 | 115-117 |
| XVII | 118:1-72 | 118:73-131 | 118:132-176 |
| XVIII | 119-123 | 124-128 | 129-133 |
| XIX | 134-136 | 137-139 | 140-142 |
| XX | 143-144 | 145-147 | 148-150 |
Do gr.: κοινόβιον (koinóbion) = vida em comum
Monastério onde os monges vivem em comunidade, compartilhando tarefas e reunindo-se para orações e refeições. É governado por um egúmeno ou archimandrita, geralmente eleito vitaliciamente.
Do gr.: λαμπάς (lampás) = lâmpada; δοῦχος (doûchos) = portador
Pessoa encarregada de carregar velas ou lampadários durante as procissões ou entradas litúrgicas.
Do gr.: κηρός (kerós) = cera; μαστίχη (mastíche) = resina mastique
Mistura de cera, mastique, pó de mármore e substâncias aromáticas, usada na consagração de altares para fixar a mesa às colunas.
Do gr.: χάρισμα (chárisma) = presente
Leigo encarregado da administração de um monastério.
Localizado em um vale no nordeste da península do Monte Atos, a 50 metros do mar, o Mosteiro Chelandari possui um Katholikon dedicado à Apresentação da Virgem Maria no Templo. Foi fundado pelo rei sérvio Stefan I Nemani e seu filho Racko, que anteriormente eram monges no Mosteiro de Vatopedi.
O mosteiro abriga 11 capelas, duas delas situadas fora dos muros. Entre seus tesouros estão preciosas relíquias, incluindo duas cruzes feitas de madeira da cruz de Cristo, uma partícula do crânio do profeta Isaías, fragmentos da coroa de espinhos e do manto de Cristo, a perna direita de São Pantaleão, além de relíquias de Santa Bárbara e Santa Catarina, entre outras.
Do gr.: χαῖρε (chaíre) = alegria
Partes do hino Akathistos, marcadas pela repetição da saudação angelical “Alegra-te”.
Do gr.: χείρ (cheír) = mão; τονία (tonía) = imposição
Imposição de mãos por um bispo para conferir ordens sagradas (diaconato, presbiterado ou episcopado).
Do gr.: χείρ (cheír) = mão; θέσις (thésis) = posição
Imposição de mãos por um bispo para conferir dignidades que não sejam ordens sagradas.
Do gr.: χιτών (chitón) = túnica
Túnica usada sob o “imation” ou “maphorion”.
Do gr.: χώνευμα (chónevma) = recipiente
Vaso próximo à prótese (local de preparação dos dons), onde se despeja a água usada no Batismo ou no lavatório de objetos sagrados.
Do gr.: Χριστός (Christós) = Cristo
Monograma de Cristo formado pelas letras X (qui) e P (ro) entrelaçadas.
Do grego Σταυρός Επιστήθιος (“cruz sobre o peito”), é usada por bispos e dignitários eclesiásticos como símbolo de sua autoridade e dedicação ao serviço de Cristo.
Uso Litúrgico e Regional:
- Igrejas Ortodoxas em Geral: Reservada aos bispos e dignitários eclesiásticos.
- Tradição Russa: Usada por todos os sacerdotes, independentemente de posição ou título.
Simbolismo:
A cruz peitoral simboliza o compromisso do clero com o serviço à Igreja e sua identificação com o sacrifício de Cristo.

