Do gr.: ϑεός (theós) = Deus; φαίνω (faíno) = manifestar
Festa celebrada em 6 de janeiro, comemorando o Batismo de Cristo. É também chamada de Epifania ou Festa das Luzes.
Do grego Τυπικά e, em eslavão, Izobrazítelnaya (Изобразительные), o ofício das Típika não possui um equivalente exato no Ocidente, embora seja, às vezes, comparado à “Missa Seca” (Missa sicca) da Igreja Romana ou ao Ofício Anglicano de Ante-comunhão, paralelos que são apenas aproximados.
Descrição e Finalidade:
O ofício das Típika consiste em hinos, orações e leituras extraídas da Liturgia Divina. Originalmente, foi instituído para os dias em que a Eucaristia não era celebrada.
Uso Litúrgico:
- Na prática moderna, as Típika são realizadas ocasionalmente em dias em que a Liturgia ocorre, como nas Vigílias do Natal e da Teofania, exceto quando estas caem num domingo ou segunda-feira.
- Quando as Típika e a Liturgia são realizadas juntas (por exemplo, em 6 e 18 de janeiro), a regra de que o ofício das Típika é feito apenas em dias sem Liturgia permanece válida em teoria, pois a Liturgia nesses casos segue as Vésperas, que tecnicamente iniciam um novo dia litúrgico.
- As Típika são sempre realizadas nos dias em que ocorre a Liturgia dos Dons Pré-Santificados.
Significado Litúrgico:
As Típika oferecem um meio de oração litúrgica comunitária em dias sem celebração eucarística, preservando o caráter sagrado e a espiritualidade do ciclo diário da Igreja.
Do grego Τυπικόν (de τύπος, “decreto” ou “ritual”), o Tipikon é o livro que contém as regras e rubricas para a realização dos ofícios litúrgicos, oferecendo orientações detalhadas para todas as combinações de celebrações ao longo do ano. É equivalente, no Ocidente, ao Ordo Missae.
Breve História:
O Tipikon está associado à figura de São Sawa (439-532), abade do Mosteiro da Santa Lavra em Jerusalém, que elaborou as bases do livro. Revisões posteriores foram realizadas por:
- São Sofrônio, Patriarca de Jerusalém (c. 560-638), que incorporou elementos do Mosteiro de Santa Catarina no Sinai.
- São João Damasceno (c. 675-749), monge na Lavra de São Sawa.
A forma atual do Tipikon surgiu entre os séculos IX e XII, como uma síntese de duas tradições:
- Rito de Catedral: Observado na Grande Igreja de Agia Sofia e outras catedrais.
- Rito Monástico: Praticado em mosteiros, especialmente na Lavra de São Sawa e no Mosteiro de Studios, em Constantinopla.
Desde o século IX, esses ritos foram combinados, unificando práticas monásticas e paroquiais. Apesar disso, paróquias frequentemente aplicam simplificações e abreviações.
Evolução Moderna:
- Em 1888, uma nova edição do Tipikon foi publicada em Constantinopla por George Violakis, introduzindo alterações, como mudanças na ordem do Evangelho e das katavasiae nas Matinas. Essa edição foi amplamente adotada pelas Igrejas de língua grega, enquanto a Igreja Russa permaneceu fiel ao antigo Tipikon de São Sawa.
Uso Atual:
- O Tipikon de Violakis é seguido pelas Igrejas Ortodoxas de língua grega.
- O antigo Tipikon ainda é estritamente usado em mosteiros como a Lavra de São Sawa, o Monte Atos e o Mosteiro de São João em Patmos.
Significado Litúrgico:
O Tipikon regula todos os aspectos da vida litúrgica, proporcionando uniformidade e profundidade teológica à celebração dos ofícios. Apesar de suas variações, continua sendo um elemento central na prática ortodoxa.
Do grego θεοτοκίον, refere-se a um tropário ou estikério em honra à Theotokos (Mãe de Deus). Normalmente, o último de uma série de troparia, estikera ou odes de um cânon assume a forma de um Theotokion.
Variações e Contexto Litúrgico:
- Stavrotheotokion (Σταυροθεοτοκίον): Às quartas e sextas-feiras, dias dedicados à memória da Paixão de Nosso Senhor, o Theotokion é substituído por um Stavrotheotokion. Este é um tropário que honra tanto a Cruz quanto a Theotokos, evocando especialmente o sofrimento da Mãe de Deus ao testemunhar a crucificação de seu Filho.
Os Theotokia são uma expressão da veneração à Mãe de Deus, sublinhando seu papel teológico central no mistério da Encarnação e da Redenção. Já os Stavrotheotokia conectam esse papel ao drama da Cruz, aprofundando o tom de compaixão e devoção em dias penitenciais.
A palavra Triódion (do grego Τριῴδιον) significa “cânon com três odes”, refletindo a estrutura dos cânones litúrgicos contidos nos livros que levam esse nome.
Tipos de Triódion:
Triódion de Quaresma:
Livro litúrgico que contém os textos próprios da Grande Quaresma, chamado assim porque os cânones das Matinas durante este período frequentemente possuem apenas três odes. Este livro cobre o período desde o Domingo do Fariseu e do Publicano até o Grande Sábado Santo.- Substitui o Octoecos durante esse tempo, exceto para os Hinos Triádicos, o primeiro catisma-poético e os Photagogika, que são incluídos como adendos ao Triódion.
- A característica predominante desses textos é seu caráter penitencial, convidando os fiéis à purificação e preparação espiritual para as solenidades da Paixão e da Ressurreição do Senhor.
Triódion Pascal ou Pentecostário:
Este livro abrange os textos litúrgicos usados a partir da Páscoa até o Domingo de Todos os Santos, que sucede o Pentecostes.- Os textos celebram a alegria da Ressurreição do Salvador, que inaugura a ressurreição de toda a humanidade.
- Os temas ao longo desse período elucidam o mistério da Redenção e da Salvação, culminando na Ascensão e no Pentecostes.
Do grego τρισάγιον (“três vezes Santo”) e, em eslavão, trisvyatóe. O Triságion consiste nas palavras:
“Santo Deus, Santo Forte, Santo Imortal, tem piedade de nós”, repetidas três ou mais vezes.
Uso Litúrgico:
O Triságion é recitado ou cantado em diversas ocasiões:
- Na Liturgia Divina, após os hinos que seguem a Pequena Entrada e antes do prokímenon.
- Nas Matinas, ao final da Grande Doxologia.
- Em quase todos os ofícios, como parte das orações iniciais, precedendo o Pai-Nosso.
Origem e Substituições:
- O hino tem raízes na visão do profeta Isaías (Is 6, 3) e foi integrado à liturgia segundo uma tradição vinculada a um milagre ocorrido em Constantinopla.
- É substituído nos seguintes dias solenes por outros hinos específicos:
- Natal, Epifania, Páscoa, Pentecostes, Sábado de Lázaro e Sábado de Aleluia: “Vós que fostes batizados em Cristo, de Cristo vos revestistes. Aleluia.”
Este hino era tradicionalmente usado para saudar os recém-batizados, conforme os costumes da Igreja primitiva. - Exaltação da Santa Cruz (14 de setembro) e Terceiro Domingo da Quaresma: “Adoramos a tua Cruz, ó Mestre, e glorificamos a tua santa Ressurreição.”
- Natal, Epifania, Páscoa, Pentecostes, Sábado de Lázaro e Sábado de Aleluia: “Vós que fostes batizados em Cristo, de Cristo vos revestistes. Aleluia.”
Do grego τροπάριον, o termo tropário refere-se a uma estância de um poema religioso, sendo usado de forma genérica para designar composições poéticas na tradição litúrgica bizantina.
Usos Específicos:
- Apolitikion: Também conhecido como “tropário-apolitikion”, “tropário da festa” ou “tropário do dia”, é um hino central relacionado à celebração litúrgica.
- Estâncias do Cânon: Partes poéticas que compõem o cânon litúrgico.
O tropário é um hino ou composição que exalta a festa do Senhor, da Mãe de Deus ou dos santos comemorados pela Igreja em determinado dia. Ele pode ser comparado a uma pregação feita pelo exemplo, que antecede e complementa a pregação pela palavra.

