«Agios o Theós, Agios Ischiros, Agios Athanatos...»
Dom Irineo​
Bispo de Tropaion

SUBSÍDIOS HOMILÉTICOS​

«O Domingo de Todos os Santos»

† Apóstolo: Hebreus 11,33–40; 12,1–2
† Evangelho: Mateus 10,32–33; 37–38; 19,27–30

O primeiro domingo após Pentecostes ocupa um lugar profundamente significativo na tradição litúrgica da Igreja. Não se trata apenas de uma comemoração dos santos conhecidos e desconhecidos, mas da manifestação concreta do fruto da descida do Espírito Santo sobre a Igreja. Se Pentecostes revela a presença do Espírito no mundo, o Domingo de Todos os Santos revela aquilo que esta presença produz: homens e mulheres transformados pela graça, renovados em Cristo e participantes da vida divina.

Por isso a Igreja celebra Todos os Santos imediatamente após Pentecostes. A sequência não é apenas cronológica; é teológica. O Espírito Santo desceu sobre os Apóstolos, mas não permaneceu limitado ao Cenáculo. Sua ação prolongou-se ao longo dos séculos, formando mártires, confessores, bispos, monges, ascetas, pais e mães de família, missionários e inúmeros santos cujos nomes somente Deus conhece.

A Epístola aos Hebreus apresenta esta realidade mediante uma imagem extraordinariamente bela:

“Portanto, também nós, rodeados por tão grande nuvem de testemunhas…” (Hb 12,1)

A Igreja não entende os santos como figuras do passado ou personagens históricos cuja memória simplesmente recordamos. Eles permanecem vivos em Cristo. A expressão professada no Credo — “Creio na comunhão dos santos” — exprime precisamente esta realidade: não caminhamos sozinhos. Aqueles que completaram a corrida permanecem unidos a nós e tornam-se companheiros em nossa peregrinação.

Ao recordar os santos, porém, a Igreja não deseja apenas despertar admiração. O objetivo é mais profundo: conduzir-nos à imitação. São João Crisóstomo observa que não basta honrar os santos; é necessário aprender a seguir seus passos.

A mensagem central deste domingo talvez possa ser resumida nas palavras do Apóstolo Paulo: somos “chamados à santidade”. Não chamados a uma existência extraordinária aos olhos do mundo, mas chamados a participar da vida divina.

Frequentemente existe a impressão de que a santidade pertence apenas a algumas figuras excepcionais: grandes ascetas, mártires heroicos ou homens e mulheres de virtudes quase inacessíveis. Contudo, a tradição da Igreja apresenta algo diferente. A santidade não constitui uma exceção; ela é a vocação normal do cristão.

Os santos não eram pessoas sem fraquezas. Experimentaram medos, lutas, dúvidas e quedas. O que os distinguiu não foi ausência de limitações, mas abertura à ação da graça.

Nas ordenações da Igreja ouvimos a conhecida fórmula:

“A graça divina, que sempre cura o que é enfermo e supre o que falta…”

A santidade nasce precisamente aqui: não de nossas capacidades, mas da ação de Deus em nossa pobreza.

Também o Evangelho deste domingo aponta para esta realidade quando Cristo afirma:

“Quem ama pai ou mãe mais do que a Mim não é digno de Mim.”

À primeira vista estas palavras podem parecer severas. Entretanto, Cristo não ensina desprezo pelas relações humanas; ensina a ordem correta do amor. Nada deve ocupar o centro que pertence somente a Deus.

Hoje poderíamos ampliar a lista apresentada pelo Evangelho: prestígio, conforto, reconhecimento, opiniões, projetos pessoais, carreira ou até mesmo nossa própria vontade podem tornar-se obstáculos quando assumem o lugar que pertence a Cristo.

Os santos compreenderam algo essencial: amar verdadeiramente todas as coisas exige amar primeiro a Deus.

São Gregório Palamás escreve:

“Cada um dos santos se declara por Cristo nesta vida passageira; e Cristo se declara por eles diante do Pai.”

A santidade, portanto, não consiste em feitos extraordinários, mas numa fidelidade concreta e diária: aprender a carregar a cruz, recomeçar após as quedas, perdoar, rezar, servir e amar.

Num mundo marcado pela superficialidade, pela busca constante de aprovação e pelo imediatismo, os santos oferecem um caminho diferente. Eles recordam que a vida cristã não consiste em perguntar apenas: “o que me faz feliz?”, mas sobretudo: “como posso tornar Cristo presente?”

E talvez esta seja a pergunta que a Igreja coloca diante de nós neste Domingo de Todos os Santos: não apenas quem foram os santos, mas quem estamos sendo nós.

Referências Bibliográficas:
  • Bíblia Sagrada: Hebreus 11,33–40; 12,1–2; Mateus 10,32–33; 37–38; 19,27–30.
  • São João Crisóstomo – Homilias
  • São Gregório Palamás – Sermão para o Domingo de Todos os Santos
  • Pe. Andrew Louth – Homily for the Sunday of All Saints
  • Santo Inácio Brianchaninov – Homily on the Signs of God’s Chosen
  • Pe. Philip LeMasters – Homily for the Sunday of All Saints

Suplemento Litúrgico

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Τῶν ἐν ὅλῳ τῷ κόσμῳ Μαρτύρων σου, ὡς πορφύραν καὶ βύσσον τὰ αἵματα, ἡ Ἐκκλησία σου στολισαμένη, δι’ αὐτῶν βοᾷ σοι, Χριστὲ ὁ Θεός, τῷ λαῷ σου τοὺς οἰκτιρμούς σου κατάπεμψον, εἰρήνην τῇ πολιτείᾳ σου δώρησαι, καὶ ταῖς ψυχαῖς ἡμῶν τὸ μέγα ἔλεος.

Revestida, como de púrpura e de linho fino, do sangue de todos aqueles que, no mundo inteiro, foram tuas testemunhas, tua Igreja por eles te clama, ó Cristo Deus: «mostra ao teu povo a tua compaixão; concede a paz à nossa pátria e a grande misericórdia às nossas almas».