SUBSÍDIOS HOMILÉTICOS
V Domingo da Quaresma:
(Domingo de Santa Maria do Egito)
O relato de Marcos começa com o terceiro anúncio da Paixão e morte que o Senhor sofreria em Jerusalém, feito por Ele mesmo enquanto caminhava com os discípulos. Estes, tomados de temor e admiração, observavam o Senhor seguir decididamente rumo à cidade onde o aguardavam tantos sofrimentos. Diante de tal anúncio, porém, permaneceram em silêncio. O diálogo é retomado pelos filhos de Zebedeu — Tiago e João — que fazem a Jesus um pedido ousado: ocupar, no Reino dos Céus, os lugares de honra, à sua direita e à sua esquerda.
Esse pedido, feito logo após o anúncio da Paixão, revela uma grande falta de solidariedade e compaixão, somada a um egoísmo profundo. Seria como se alguém muito próximo de nós anunciasse sua morte e, em seguida, perguntássemos o que e quanto herdaríamos com isso.
A esse respeito comenta São João Damasceno:
“Um coração repleto de preocupações mundanas deixa revelar, pela boca, que não conhece verdadeiramente a Deus. Os filhos de Zebedeu, ao solicitarem os primeiros lugares após a morte do Senhor, demonstraram sua cegueira e rusticidade diante do Divino que ali estava.”
Tiago e João ainda cultivavam uma visão política do messianismo de Jesus. Imaginavam um reinado terreno e queriam garantir, antecipadamente, os lugares mais nobres no Banquete Celeste. Jesus, porém, transforma seus pensamentos cheios de soberba e ambição, fazendo-os recordar do serviço e da entrega. Do banquete, passa a falar sobre o cálice que deve beber.
Mesmo assim, os discípulos se mostram dispostos a beber do cálice reservado ao Senhor. Jesus os admoesta, afirmando que de fato compartilhariam de sua sorte, mas em tempos diferentes. Quanto aos lugares que pediram, não cabia a Ele concedê-los, pois pertencem àqueles a quem o Pai os destinou.
No Reino dos Céus, quem ambiciona os primeiros lugares não é digno. Ao contrário, deve aprender a servir. Os discípulos de Jesus devem ser guiados por princípios opostos aos do mundo. Na comunidade cristã, toda forma de ambição precisa ser substituída pelo espírito de serviço e humildade, pois é por meio deles que se manifesta o amor verdadeiro, a entrega e a oblação pelo irmão.
“O Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate de muitos.” (Mc 10,45)
Nessa frase, Jesus revela o sentido de sua morte: redimir os filhos de Deus, resgatá-los para o Pai por meio do serviço e da entrega total.
O poder no Reino de Deus consiste em servir. O poder no reino do mundo consiste em ser servido. No Reino do amor, tudo é diferente: o amor só tem poder quando é doado e se coloca a serviço do outro. Servir é tornar-se pequeno, frágil. E é diante do pequeno que revelamos quem somos: solidários ou despóticos, capazes de amar ou de dominar. É diante do irmão simples e aparentemente sem importância que testamos a nossa capacidade de amar.
A Festa de Santa Maria do Egito nos inspira a seguir com coragem o Senhor, no serviço aos irmãos. De grande pecadora, tornou-se grande santa da Igreja. Aquela que estava perdida foi encontrada pelo Senhor. Que o seu exemplo nos anime a não desanimar em nossas quedas e pecados. Que eles se tornem trampolins que nos lancem para os braços misericordiosos do Pai.
Suplemento Litúrgico
Apolitikion De Santa Maria do Egito (Modo Pl. 4º)
Ἐν σοὶ Μῆτερ ἀκριβῶς διεσώθη τὸ κατʼ εἰκόνα· λαβοῦσα γὰρ τὸν σταυρόν, ἠκολούθησας τῷ Χριστῷ, καὶ πράττουσα ἐδίδασκες ὑπερορᾶν μὲν σαρκὸς παρέρχεται γάρ, ἐπιμελεῖσθαι δὲ ψυχῆς, πράγματος ἀθανάτου· διὸ καὶ μετὰ Ἀγγέλων συναγάλλεται Ὁσία Μαρία τὸ πνεῦμά σου.
Em ti, ó Mãe, foi fielmente preservada a imagem [de Deus]; pois, tomando a cruz, seguiste a Cristo e com tuas ações ensinaste a desprezar a carne — pois ela passa — e a cuidar da alma, realidade imortal. Por isso também, ó Santa Maria, teu espírito exulta com os Anjos.
São Sofrônio, patriarca de Jerusalém:
A Vida de Santa MARIA DO EGITO


