Neste dia realiza-se, nas igrejas ortodoxas, um rito especial durante o qual todos, começando pelos sacerdotes, pedem perdão uns aos outros pelas ofensas cometidas, intencionais ou não. A Quaresma é um tempo de intensa luta contra o pecado e é muito importante começar o jejum com uma consciência limpa, sem o peso de saber que estamos em dívida moral com alguém. O Evangelho nos diz que, se não perdoarmos aos outros as suas faltas, o Pai também não nos perdoará as nossas. Neste dia, vamos à Igreja para pôr em prática estas palavras, aproximando-nos uns dos outros e pedindo perdão. E ouviremos a resposta tradicional: «Deus perdoará!» Com o perdão, começamos o caminho rumo ao renascimento espiritual, e o Senhor nos ajudará a dar este primeiro passo. «Abençoai e perdoai-me, pais, irmãos e irmãs»!
Particularidades:
- Último dia para consumo de laticínios antes da Quaresma;
- À noite, Vésperas do Perdão com o rito do perdão mútuo;
- Primeira recitação da Oração de São Efraim com prostrações.
O DOMINGO DO PERDÃO: A entrada na Grande Quaresma: Chamados à reconciliação e ao retorno ao Paraíso
Leituras Bíblicas: Epístola: Romanos 13,11–14,4 | Evangelho: Mateus 6,14–21 |
Domingo da Tirofagia
Introdução: O significado deste domingo
O Domingo do Perdão — também conhecido como Domingo da Tirofagia ou Domingo da Abstinência de Laticínios — é o último domingo antes do início da Grande Quaresma. Neste dia, a Igreja nos propõe dois temas fundamentais que se entrelaçam profundamente: a memória da expulsão de Adão e Eva do Paraíso e a centralidade do perdão como condição indispensável para a verdadeira vida espiritual.
Neste dia realiza-se, nas igrejas ortodoxas, um rito especial durante o qual todos, começando pelos sacerdotes, pedem perdão uns aos outros pelas ofensas cometidas, intencionais ou não. A Quaresma é um tempo de intensa luta contra o pecado e é muito importante começar o jejum com uma consciência limpa, sem o peso de saber que estamos em dívida moral com alguém. O Evangelho nos diz que, se não perdoarmos aos outros as suas faltas, o Pai também não nos perdoará as nossas. Neste dia, vamos à Igreja para pôr em prática estas palavras, aproximando-nos uns dos outros e pedindo perdão. E ouviremos a resposta tradicional: «Deus perdoará!» Com o perdão, começamos o caminho rumo ao renascimento espiritual, e o Senhor nos ajudará a dar este primeiro passo. «Abençoai e perdoai-me, pais, irmãos e irmãs!»
I. O TEMA DA EXPULSÃO DO PARAÍSO: Nossa verdadeira condição
O Domingo do Perdão é o último dos domingos preparatórios antes da Grande Quaresma e tem como um de seus temas centrais a comemoração da expulsão de Adão e Eva do Paraíso. Há razões evidentes para que este evento seja trazido à nossa atenção precisamente quando estamos prestes a adentrar o período quaresmal.
Uma das imagens primordiais do Triódio é a do retorno ao Paraíso. A Quaresma é um tempo em que choramos com Adão e Eva diante da porta fechada do Éden, arrependemo-nos com eles pelos pecados que nos privaram da livre comunhão com Deus. Mas a Quaresma é também o tempo em que nos preparamos para celebrar o evento salvífico da morte e ressurreição de Cristo, que nos reabriu as portas do Paraíso (Lc 23,43). Assim, a tristeza pelo nosso exílio no pecado é temperada pela esperança de nosso reingresso no Paraíso.
Recordamos a expulsão da humanidade do Paraíso porque ela demonstra o quanto nos afundamos no pecado e nos afastamos de Deus. Ela nos mostra o que desejamos restaurar em nossas vidas: uma comunhão com Deus, onde possamos caminhar e conversar com Ele no Paraíso. A Grande Quaresma nos encoraja a buscar essa comunhão novamente, lembrando-nos do que perdemos e da nossa necessidade do perdão de Deus.
O Ícone da Expulsão
No ícone desta festa, vemos a história da expulsão de Adão e Eva representada visualmente. No canto superior esquerdo, vemos Deus criando a humanidade e, no canto superior direito, a humanidade caminhando com Deus. Aqui, Adão e Eva desfrutam de comunhão e intimidade com Ele.
No canto inferior esquerdo, vemos a serpente falando com eles (Gn 3,1-5) e os encontramos desobedecendo ao mandamento de Deus de não comerem do fruto da árvore. Quando comeram do fruto e pecaram, perceberam sua nudez. E quando “ouviram a voz do Senhor Deus, que passeava no jardim”, esconderam-se “da presença do Senhor” (Gn 3,8).
No canto inferior direito, vemos a conclusão da história. Por causa de sua desobediência, o Senhor expulsou Adão e Eva do jardim. O ícone mostra o Arcanjo do Senhor os conduzindo para fora do Paraíso, através do portão onde Deus colocou “os querubins e uma espada flamejante que guardavam o caminho para a árvore da vida” (Gn 3,23-24). Adão e Eva vestem roupas de folhas, em vez das vestes celestiais que usavam antes de pecarem contra o Senhor.
O hino da Igreja expressa esta realidade com profunda comoção:
Miserável que sou, desobedeci ao Vosso bom mandamento, ó meu Senhor. E, despojado da Vossa glória, ai de mim, estou carregado de vergonha. E fui expulso das puras delícias do Paraíso. Ó misericordioso e compassivo, tem piedade de mim, que justamente fui privado da Vossa bondade.
Fomos expulsos outrora, ó Senhor, do Jardim do Éden, por termos comido indevidamente da árvore. Mas, ó meu Deus e Salvador, Tu nos restaurastes novamente pela Tua Cruz e pela Tua Paixão. Por isso, ó Mestre, fortalece-nos e torna-nos capazes de cumprir puramente a Quaresma e de adorar a Tua santa ressurreição, a Páscoa, nossa salvação pascal, pelas orações da Tua Mãe.
II. O TEMA DO PERDÃO: Condição para a verdadeira Quaresma
O segundo tema, o do perdão, é enfatizado na leitura evangélica deste domingo (Mt 6,14-21) e no cerimonial especial do perdão mútuo ao final das Vésperas do domingo à noite. Antes de entrarmos no jejum quaresmal, somos lembrados de que não pode haver verdadeiro jejum, nem genuíno arrependimento, nem reconciliação com Deus, a menos que estejamos ao mesmo tempo reconciliados uns com os outros. Um jejum sem amor mútuo é o jejum dos demônios.
O Domingo do Perdão também nos orienta a ver que a Grande Quaresma é uma jornada de libertação da nossa escravidão ao pecado. A lição evangélica estabelece as condições para esta libertação. A primeira é o jejum — a recusa em aceitar como normais os desejos e impulsos da nossa natureza decaída, o esforço para nos libertarmos da ditadura da carne e da matéria sobre o espírito. Para ser eficaz, porém, nosso jejum não deve ser hipócrita, uma “exibição”. Devemos “não parecer aos homens que jejuamos, mas ao nosso Pai que está em secreto” (vv. 16-18).
A segunda condição é o perdão:
“Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celestial vos perdoará a vós; se, porém, não perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai não perdoará as vossas ofensas” (vv. 14-15).
O triunfo do pecado, o principal sinal do seu domínio sobre o mundo, é a divisão, a oposição, a separação, o ódio. Portanto, a primeira brecha nesta fortaleza do pecado é o perdão — o retorno à unidade, à solidariedade, ao amor. Perdoar é colocar entre mim e meu “inimigo” o perdão radiante do próprio Deus. Perdoar é rejeitar os becos sem saída das relações humanas e referi-las a Cristo. O perdão é verdadeiramente uma “irrupção” do Reino neste mundo pecador e decaído.
“Doar amor através do ofensor”
O teólogo e filósofo Artur da Távola, em uma crônica publicada no jornal O Dia (RJ, 28 de março de 2002), intitulada “Como é difícil perdoar!”, faz uma constatação profunda:
“Poucos, mesmo entre os cristãos, compreendem o verdadeiro sentido do perdão. Muitos acreditam que seja apenas um ato interno de desculpa ao ofensor, no fundo do coração. Mas o cristianismo exige algo mais radical: mais do que a ausência de ódio, o perdão é uma ação de amor em direção ao ofensor. O cristianismo nos ensina não apenas a grandeza de compreender e desculpar o ofensor, mas a capacidade de amá-lo. Perdoar é per + doar, ou seja, ‘doar amor através do ofensor’.”
Quem doa amor ao ofensor lhe proporciona a oportunidade de arrependimento e conversão. O perdão é o único meio pelo qual o ofensor pode ser tocado pela graça e transformado. Qualquer forma de cobrança ou vingança apenas endurece ainda mais seu coração. Embora o gesto de perdoar nem sempre produza efeitos imediatos, é a única chance real de redenção para quem nos feriu.
Ser bom, praticar a religião, ser justo e solidário é algo relativamente fácil e, muitas vezes, alimenta o ego. O verdadeiro desafio é perdoar, não apenas desculpando, mas amando plenamente aquele que nos fez mal. O cristianismo encontra resistência justamente porque exige a descoberta da grandeza humana e a prática da única força capaz de transformar o mundo: o amor real.
III. O PERDÃO E A LEI DO AMOR
O perdão é o tema central do Evangelho deste domingo. A Igreja, como Mãe e Mestra, nos propõe a abstinência de certos alimentos, não para nos punir, mas para nos educar. O verdadeiro amor não se expressa apenas por gestos de carinho e afeto, mas também pela correção. A Igreja nos ama e nos corrige para nos conduzir à santidade. Se seguirmos nossas vontades sem disciplina, nos tornaremos escravos delas. A abstinência de carne e produtos lácteos não se trata apenas de um preceito, mas de uma oportunidade para avaliarmos o quanto somos dominados pelos desejos da carne.
O excesso de comida e bebida “destrói a obra de Deus”, nos adverte São Paulo (Rm 14). Na Epístola deste domingo, ele nos exorta:
“Despojemo-nos, pois, das obras das trevas e revistamo-nos das armas da luz. Revesti-vos do Senhor Jesus e não satisfaçais os desejos da carne” (Rm 13).
O Pai misericordioso está sempre pronto a nos conceder Seu perdão. No entanto, a condição para recebê-lo é que também estejamos dispostos a perdoar nossos irmãos. No ato de perdoar, manifestamos nossa identidade cristã, revelando a misericórdia divina. Perdoar é alcançar o grau mais elevado do amor pelo inimigo: um amor que cura feridas e restaura dores a partir do interior.
Amar os inimigos, ensinamento máximo de Cristo, significa ser capaz de perdoar os que nos prejudicaram. O perdão substitui a vingança e a justiça humana pela lei do Amor, razão pela qual muitas vezes não é compreendido.
IV. HOMILIA DE SÃO JOÃO DE KRONSTADT
«Se, porém, não perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai não perdoará as vossas» (Mt 6,15).
Desde os tempos antigos, a tradição cristã conserva o costume de pedir perdão uns aos outros neste dia e durante toda a semana da Tirofagia. Esse costume autêntico expressa a fé no Evangelho, a humildade, o repúdio ao mal e o desejo pela paz. A recusa em pedir perdão, por outro lado, revela orgulho, resistência ao Evangelho e cumplicidade com o maligno.
Somos todos filhos do Pai celestial, membros de Cristo e da Sua Igreja. Deus é amor (1Jo 4,8) e deseja que vivamos no amor mútuo, como nos ensina São Paulo:
«A caridade é paciente, é benigna, não tem inveja, não se ostenta, não se enche de orgulho. Não se irrita, não guarda rancor. Tudo suporta, tudo crê, tudo espera, tudo perdoa» (1Cor 13,4-8).
Nosso coração humano, no entanto, tende ao egoísmo, à impaciência e ao rancor. Mesmo diante de ofensas triviais, o ressentimento se instala, levando-nos a nutrir hostilidade contra nosso próximo. O Senhor, que sonda os corações, nos adverte:
«É de dentro do coração dos homens que saem as intenções malignas: prostituições, roubos, homicídios, adultérios, cobiças, maldades, invejas, blasfêmias, orgulho e insensatez» (Mc 7,21-22).
A maldade humana só pode ser vencida pela bondade infinita de Deus. Somente através da doçura, da paciência e da longanimidade podemos combater o mal. O próprio Cristo nos ensina:
«Amai vossos inimigos, fazei o bem aos que vos odeiam» (Mt 5,44).
Se perdoarmos nosso próximo, Deus nos perdoará. Mas se guardarmos rancor, perderemos Sua misericórdia. Que o Senhor nos conceda a graça de perdoar, para que também sejamos perdoados. Amém.
V. A QUARESMA COMO CAMINHO DE LIBERTAÇÃO
A Quaresma é o tempo em que a Graça de Deus se manifesta com maior intensidade diante de nossos olhos. A liturgia, as orações, os jejuns e a penitência nos ajudam a experimentar em nossas vidas a misericórdia divina, o perdão que nos é concedido e o convite contínuo à conversão. É um tempo de espera, meditação e silêncio, no qual o exterior se torna secundário diante da realeza que se revela ao penetrarmos em nossa interioridade. É o momento de parar, refletir, silenciar os ruídos do dia a dia e ouvir atentamente o que o Senhor nos fala.
A Quaresma é também o tempo do deserto e da ausência. Experienciamos o vazio, a solidão e o afastamento das distrações mundanas. Abandonamos o barulho e as preocupações para nos encontrarmos conosco mesmos. Trata-se de um retiro essencial para a edificação de nossa vida espiritual.
«Em cada pedra vejo um sinal da presença de Deus e, na ausência dos ruídos, percebo que poderiam me afastar do Senhor. Em cada noite escura, me refugio na proteção do Altíssimo, sentindo apenas que Ele me envolve com sua mão poderosa» (Santo Epifânio, monge e bispo de Chipre).
O tempo do “deserto” nos torna conscientes de nossa realidade mais essencial: somos filhos amados de Deus em Seu Filho, criados à Sua imagem e semelhança. A necessidade de restaurarmos essa “imagem e semelhança” nos inquieta e nos impulsiona ao deserto espiritual, onde buscamos o Pai e nos identificamos com Ele. A Quaresma é o tempo propício para esse encontro, no qual recuperamos a consciência de nossa verdadeira identidade. Não pertencemos ao mundo, mas estamos nele para transformá-lo. Somos fermento na massa, como nos ensina Nosso Senhor. Tomar consciência dessa realidade nos faz pessoas renovadas.
VI. O RITO DO PERDÃO
Na noite do Domingo do Perdão, a Igreja celebra as Primeiras Vésperas da Grande Quaresma, as Vésperas do Perdão. Este é o primeiro momento em que a oração de São Efraim, acompanhada de prostrações, é recitada. Ao final da celebração, todos os fiéis aproximam-se do sacerdote e uns dos outros, pedindo perdão mútuo.
Você pode se perguntar por que deveríamos pedir perdão a pessoas que não nos fizeram mal algum, algumas das quais mal conhecemos. Em sua sabedoria, a Igreja nos mostra que existem muitas maneiras sutis de ofender o Amor Divino. Indiferença, egoísmo, falta de interesse e preocupação com os outros — em suma, aquele muro que erguemos ao nosso redor, pensando que, sendo “educados” e “amigáveis”, cumprimos os mandamentos de Deus. O rito do perdão é tão importante justamente porque nos faz perceber que toda a nossa relação com outros seres humanos está profundamente corrompida. Ele nos permite encontrar uns aos outros como filhos de Deus, para que possamos sentir esse “reconhecimento” mútuo que falta em nosso mundo frio e desumanizado.
Não sabemos exatamente quando a Igreja começou a celebrar este belo serviço, mas sabemos que as Vésperas do Perdão são praticadas desde pelo menos 520 d.C.; vemos menção a elas na história da Vida de Santa Maria do Egito, que viveu por volta dessa época.
O Hino Kondakion do Domingo do Perdão
Ó Mestre, Guia para a sabedoria, Doador de prudente conselho, Instrutor dos insensatos e Defensor dos pobres, fortalece meu coração e concede-lhe entendimento. Ó Verbo do Pai, dá-me palavras, pois eis que não impedirei meus lábios de clamar a Ti: Caí, em Tua compaixão tem piedade de mim.
VII. O JEJUM COMO MEIO, NÃO COMO FIM
É fundamental compreender que o jejum não é um fim em si mesmo, mas um meio. Através dele, torna-se mais fácil o nosso caminho para o Rei Celestial, Cristo. Isto significa o verdadeiro jejum segundo a tradição da nossa Santa Igreja.
Para muitas pessoas, a Quaresma significa uma simples mudança na alimentação, uma forma de cumprir exigências da Igreja quanto ao que, por algum motivo, não se deve comer. Elas veem o jejum como um fim em si mesmo, como uma “boa ação” exigida por Deus, que traz consigo mérito e recompensa. Mas a Igreja Ortodoxa deixa claro que o jejum é um meio para um objetivo maior: nossa renovação espiritual, nosso retorno a Deus por meio do verdadeiro arrependimento e reconciliação. Se transformarmos o jejum em uma obrigação legalista, colocamos em risco nossas próprias almas. Como diz um hino da Quaresma:
“Em vão te alegras em não comer, ó alma! Pois te absténs da comida, mas das paixões não és purificada. Se perseverares no pecado, farás um jejum inútil.”
O jejum verdadeiro, segundo os Santos Padres, é integral: não apenas da boca, mas também dos olhos, dos ouvidos, das mãos, dos pés. Como ensina São João Crisóstomo:
“Jejuas? Prova-mo através das obras. Se vires um pobre, tem piedade dele. Se vires um inimigo, reconcilia-te com ele. Se vires uma mulher bonita, ignora-a. Que não jejue apenas a boca, mas também o olho, o ouvido, os pés, as mãos e todos os membros do nosso corpo. Jejuem as mãos, permanecendo limpas da rapina e da cobiça. Jejuem os pés, afastando-se dos caminhos que levam a espetáculos pecaminosos. Jejuem os olhos… Jejue também o ouvido… Jejue também a boca de palavras obscenas e insultos. Pois que proveito temos em abster-nos de aves e peixes, se mordemos e devoramos os nossos irmãos?”
VIII. CONCLUSÃO: O PERDÃO COMO PORTA DE ENTRADA NA QUARESMA
O perdão está no próprio centro da fé e da vida cristãs, porque o cristianismo é, acima de tudo, a religião do perdão. Deus nos perdoa, e o Seu perdão está em Cristo, Seu Filho, a quem Ele nos envia. Assim, ao participarmos da Sua humanidade, podemos participar do Seu amor e sermos verdadeiramente reconciliados com Deus. De fato, o cristianismo não tem outro conteúdo senão o amor. E é principalmente a renovação desse amor, um retorno a ele, um crescimento nele, que buscamos na Grande Quaresma, no jejum e na oração, em todo o espírito e em todo o esforço desse período. Portanto, o perdão é verdadeiramente o início e a condição necessária para o período quaresmal.
O Domingo do Perdão nos ajuda a entrar no estado de espírito correto para o início do Grande Jejum. Reservemos um tempo para meditar sobre esses ensinamentos de Nosso Senhor, para que possamos jejuar de maneira genuína e alegre, perdoando os outros como Deus nos perdoa.
“Não nos afastes da Tua face, ó Senhor, nem nos prives do Teu santo Reino, mas concede-nos, por amor, a graça de Te imitar no perdão e no amor, para que, reconciliados com nossos irmãos, possamos com pureza iniciar o bom combate da Quaresma e chegar à alegria da Tua santa Ressurreição. Amém.”
Fontes e referências bibliográficas:
- [1] TROPAION, Irineo (Bispo de). Subsídios Homiléticos para o Domingo do Perdã. Ecclesia Brasil.
- [2] The Sunday of Forgiveness (Cheesefare). Greek Orthodox Archdiocese of America. Disponível em: https://www.goarch.org/cheesefare-learn. Acesso em: 16 fev. 2026.
- [3] Domingo do Perdão (Cheesefare)*. Koinonia Orthodoxias, 15 mar. 2024. Disponível em: https://www.koinoniaorthodoxias.org/martiria-kai-didaxi/nisteia-i-vasilissa-twn-aretwn/. Acesso em: 16 fev. 2026.
- [4] SÃO JOÃO DE KRONSTADT. Homilia sobre o Domingo do Perdão. In: TAMANINI, Irineo. Op. cit.
- [5] TÁVOLA, Artur da. Como é difícil perdoar! O Dia, Rio de Janeiro, 28 mar. 2002. In: TAMANINI, Irineo. Op. cit.
- [6] POLIMOU, Taxiarchis. Η νηστεία κατά τη βιβλική και πατερική παράδοση (O jejum segundo a tradição bíblica e patrística). Romfea.gr. Disponível em: https://www.romfea.gr/pneumatika/6925-i-nisteia-kata-ti-bibliki-kai-pateriki-paradosi. Acesso em: 16 fev. 2026.
- [7] BOKOS, Pe. Demétrios. Νηστεία, η βασίλισσα των αρετών (O jejum, a rainha das virtudes). Koinonia Orthodoxias, 06 mar. 2025. Disponível em: https://www.koinoniaorthodoxias.org/martiria-kai-didaxi/nisteia-i-vasilissa-twn-aretwn/. Acesso em: 16 fev. 2026.
Que Deus nos perdoe a todos e nos restaure a um relacionamento correto com Ele. Amém!
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Apolitíkion da Ressurreição (Modo 4º)
Το φαιδρόν της αναστάσεως κήρυγμα, εκ του αγγέλου μαθούσαι αι του Κυρίου μαθήτριαι, και την προγονικήν απόφασιν απορρίψασαι, τοις αποστόλοις καυχώμεναι έλεγον, εσκύλευται ο θάνατος, ηγέρθη Χριστός ο Θεός, δωρούμενος τω κόσμω το μέγα έλεος.
Ouvindo do Anjo o alegre anúncio da ressurreição, que da antiga condenação nos libertou, as discípulas do Senhor disseram envaidecidas aos apóstolos: «A morte foi vencida, o Cristo Deus ressuscitou, revelando ao mundo a grande misericórdia!»


