«Tu és bendito, ó Cristo, nosso Deus, que estabeleceste nossos Padres como luminares sobre a terra e, através deles, conduziste-nos a todos à verdadeira fé. Ó compassivo, glória a Ti!»
D. Irineo​
Bispo de Tropaion

SUBSÍDIOS HOMILÉTICOS​

«Os Santos Concílios Ecumênicos»

Celebramos hoje os Santos Padres do IV Concílio Ecumênico, reunidos em Calcedônia no ano 451, para proteger a verdade da nossa fé: Jesus Cristo é verdadeiro Deus e verdadeiro homem, com duas naturezas perfeitas e inseparáveis, numa só Pessoa.

As leituras que ouvimos nos convidam a viver essa verdade como luz para nossa vida. São Paulo diz a Tito: «pratica boas obras para que a tua fé seja frutuosa»; e o Senhor nos chama: «vós sois a luz do mundo».

Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem: a nossa ponte para Deus

O Concílio de Calcedônia nos ensinou que o Filho eterno de Deus assumiu a nossa humanidade completa — corpo, alma, sentimentos — sem deixar de ser Deus.

É a verdade que São Gregório resume: «O que não é assumido não é redimido».

Vemos no Evangelho que Jesus chora, sente fome, cansaço — porque é homem —, mas também perdoa, cura, ressuscita os mortos — porque é Deus.

Esse mistério nos consola: Ele sabe das nossas dores porque as viveu; e pode nos salvar porque é Deus.

A unidade de Cristo: modelo para nossa união com Deus

Alguns, como Eutiques, confundiram a unidade de Cristo, pensando que sua humanidade desapareceu diante da divindade — como ferro fundido no fogo.

Mas os Santos Padres afirmaram: em Cristo não há confusão nem divisão. Ele é um só, sem perder a humanidade nem a divindade.

Essa verdade nos mostra o caminho: também nós podemos unir-nos a Deus sem perder nossa humanidade.

Os Santos Padres: guardiões da fé e guias para nós

Neste domingo honramos os santos bispos que, como “astros do firmamento místico”, iluminaram a Igreja com a verdade.

Eles nos lembram que a fé não é invenção pessoal: é um tesouro que a Igreja guarda para nós.

«A Igreja, que vive nos dias atuais enfrentando tantas adversidades, reporta-se constantemente às límpidas fontes das verdades promulgadas nos primeiros concílios, para permanecer fiel ao seu caráter de catolicidade e apostolicidade. Assim, mesmo que não seja compreendida pelo mundo, conservar-se-á pura sem correr riscos de se desviar da reta doutrina. Mesmo que o mundo lhe implore para que ela se adeque às exigências da modernidade, a intransigência será sua marca e salvação. A essência da verdade não é objeto de mudanças, pois assim sendo, deixa de ser essência. Logo não existe a verdade. Quando defendemos a verdade, naturalmente, queremos honrar a essência que dela foi gerada. Os Primeiros seis Concílios da Igreja revelaram ao mundo as verdades de nossa fé. Sobre estas verdades foram edificadas doutrinas, dogmas, conceitos, regras, orações, cânticos, Liturgias, Ofícios religiosos etc. Por isso, a Igreja bebendo das águas puras e refrescantes da fonte de sua tradição continuará inalterada, pois ela guarda um grande tesouro, mesmo que em vasos de argila». (J. Danielou).

Somos chamados, como diz São Paulo a Tito, a viver boas obras que reflitam essa fé, e, como o Senhor nos pede, a ser luz do mundo.

Confessemos juntos, com a Igreja de todos os tempos:

“Cremos e ensinamos um só e mesmo Cristo, Filho, Senhor, Unigênito, conhecido em duas naturezas, sem confusão, sem mudança, sem divisão, sem separação.”

Que os Santos Padres nos inspirem a permanecer fiéis à verdade, para adorarmos a Cristo corretamente e para vivermos como luz no mundo.

Suplemento Litúrgico

Ὑπερδεδοξασμένος εἶ, Χριστὲ ὁ Θεὸς ἡμῶν, ὁ φωστῆρας ἐπὶ γῆς τοὺς Πατέρας ἡμῶν θεμελιώσας, καὶ δι’ αὐτῶν πρὸς τὴν ἀληθινὴν πίστιν, πάντας ἡμᾶς ὁδηγήσας, Πολυεύσπλαγχνε δόξα σοι.

Tu és digno de toda a glória, ó Cristo nosso Deus, porque constituíste nossos Padres como astros sobre a terra, e por eles nos guiaste à verdadeira fé. Ó compassivo, glória a Ti.