Introdução:

O estudo dos Padres da Igreja pode ser abordado de vários pontos de vista. Geralmente, distinguem-se três ciências interconectadas: a patrologia, que examina os aspectos históricos e biográficos; a patrística, que considera a doutrina teológica dos Padres; e a literatura cristã antiga, que estuda os escritos dos Padres como documentos literários.

Alguns Padres da Igreja:

  • Clemente Romano e Inácio de Antioquia, classificados entre os Padres Apostólicos, que viveram entre os séculos I e II d.C.

  • Justino, do século II, classificado entre os apologistas cristãos.

  • Ireneu de Lyon e Hipólito de Roma, entre os séculos II e III.

  • Clemente de Alexandria e Orígenes, dos séculos II e III, grandes expoentes da escola alexandrina.

  • Tertuliano e Cipriano de Cartago, autores latinos dos séculos II e III.

  • Atanásio, grande defensor da fé, do século IV.

  • BasílioGregório de Nissa e Gregório Nazianzeno, os Padres Capadócios, do século IV.

  • HilárioAmbrósioJerônimo e Agostinho, os Padres Latinos do século IV e início do V.

  • João Crisóstomo e Cirilo de Alexandria, Padres Gregos do final do século IV e do século V.

Para iniciar o estudo dos Padres da Igreja, recomenda-se:

  • Trevijano, RamónPatrologia, BAC, Madrid, 1994.

Para aprofundar um pouco mais, recomenda-se:

  • Altaner, B. Patrologia, Madrid, 1956.

  • Quasten, J. J. Patrologia I-II, BAC, Madrid, 1991, 1985.

  • Di Berardino, A. e outros. Patrologia III, BAC, Madrid, 1993.

Informação sobre obras publicadas em espanhol com os textos dos Padres

Nos parágrafos seguintes, destacam-se dois ou três aspectos da teologia dos Padres, que se encontram não em tratados elaborados para especialistas, mas em homilias e escritos dirigidos geralmente aos fiéis cristãos sob seu cuidado pastoral. Essa dimensão de seu trabalho teológico já indica uma das características que o tornam extremamente atraente: sua vinculação essencial à vida cristã de seus ouvintes. Trata-se, portanto, não de meros raciocínios sobre questões inúteis, mas de uma teologia centrada no cerne do cristianismo.

O que apresento nestes pontos é simplesmente um esboço que tem como objetivo despertar o interesse neles. Uma boa introdução pode ser encontrada no livro de Luigi Padovese, Introduzione alla Teologia Patristica.

O Mistério Trinitário

Falar do mistério da Santíssima Trindade é situar-nos no núcleo da novidade cristã. O seguimento de Cristo e seu reconhecimento como “Senhor” conduziram necessariamente ao tema de sua relação peculiar com o Pai. Segundo os evangelhos, a causa da decisão de matar Jesus por parte de seus oponentes foi que Ele se igualava a Deus. Jesus também se caracterizou pela plena posse do Espírito, que comunicou a seus seguidores e lhes permitiu cumprir sua missão. A fórmula batismal “Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo” não deixa dúvidas sobre a importância capital que os cristãos, desde o início, reconheciam a este mistério.

Na realidade, não era uma proposta fácil de assimilar, nem para os rígidos esquemas monoteístas judaicos, nem para a filosofia grega predominante na época. Mas para os cristãos, era uma questão vital, já que a vida cristã se definia, mais praticamente do que teoricamente, em referência ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo.

Os primeiros Padres não contavam nem com o termo “Trindade”, nem com o de “pessoa” e, assim, expressaram sua fé com uma terminologia às vezes vacilante. Esse é o caso dos Padres Apostólicos, como Santo Inácio de Antioquia, e ainda dos apologistas, como São Justino. Santo Ireneu fala do Logos como um ser gerado e coexistente sempre com Deus. Para Santo Ireneu, Deus sempre tem seu Logos e seu Espírito, a quem ele ousa chamar de suas “mãos”, em relação à criação.

Nos séculos II e III, difundiu-se, no entanto, a heresia monarquiana, que negava uma existência própria às pessoas divinas. A base dessa postura estava em querer sustentar um monoteísmo radical, incapaz de aceitar que no seio da divindade pudesse haver uma pluralidade. Essa heresia apresentou duas variantes: uma denominada adocionismo e outra denominada modalismo. O adocionismo teve seu maior expoente em Paulo de Samosata, que dava o nome de Pai a Deus, o de Filho ao homem Jesus e o de Espírito Santo à graça dada aos apóstolos. Paulo de Samosata foi condenado em um sínodo em Antioquia em 268.

Por sua vez, o modalismo afirmava que o único Deus se manifestava de modos diversos, de modo que Cristo é o mesmo que o Pai. O principal expoente desse pensamento foi Noeto, condenado pelos presbíteros de sua cidade. Mais tarde, o modalismo foi conhecido como sabelianismo, devido a Sabélio, que difundiu esses ensinamentos na Líbia. Ele foi condenado pelo Papa Calisto em 220.

Tertuliano estava ciente da dificuldade que alguns tinham em aceitar a “economia” de Deus e destacava que um monoteísmo estreito que negasse as pessoas se afastava da regra da fé tanto quanto o politeísmo.

Grande foi a contribuição desse autor para a teologia trinitária posterior, pois foi o primeiro a utilizar a palavra “Trindade” para as três pessoas divinas. No entanto, ele introduziu, como muitos pré-nicenos, uma certa subordinação entre essas pessoas divinas.

Orígenes, por sua vez, coloca no vértice de sua explicação Deus Pai, não gerado, que, para derramar sua bondade perfeita, cria, através do Verbo, um mundo de seres espirituais. O Verbo é gerado pelo Pai e é coeterno com Ele. O Espírito Santo vem através do Verbo, e somente ambos, Verbo e Espírito, conhecem o Pai, pois ambos participam das prerrogativas divinas pelas quais se reconhece precisamente sua divindade. Apesar de certo subordinacionismo, Orígenes manteve a fé que reconhece a infinita distância entre as criaturas e a Trindade.

O Concílio de Niceia, em 325, quis responder à problemática causada pelo presbítero Ário, que sustentava que o Filho não era coeterno com o Pai, pois havia sido gerado e, portanto, havia sido criado. Ário aceitava que Cristo fosse chamado de “Filho de Deus”, mas apenas por adoção ou por graça, não por natureza. O Concílio, ao condenar Ário, afirmou que o Filho é “gerado, não criado, consubstancial ao Pai”.

Mais tarde, em 381, realizou-se outro concílio, agora em Constantinopla, onde se explicitou a profissão de fé na divinidade do Espírito Santo, contra o que propagavam os chamados “pneumatômacos” ou “macedonianos”, que, em continuidade com os princípios arianos, negavam o caráter divino dessa pessoa.

Mário Victorino (280-362) foi um filósofo neoplatônico convertido ao cristianismo na idade adulta. Com as ferramentas de sua filosofia e apoiando-se principalmente em São João, elaborou uma teologia trinitária que afirma que o Pai e o Filho são “idem”, não “ipse”, notando que a unidade não exclui a alteridade. Estabelecida a relação Pai-Filho, ele também analisa a relação Filho-Espírito Santo.

São Hilário de Poitiers, contemporâneo de Mário Victorino, propôs também sua própria síntese, levando em conta os erros sabelianos e arianos. Ele afirmava a unidade da natureza divina, assim como a distinção pessoal do Pai e do Filho. O que os torna diferentes é a relação de origem, pois o Pai gerou o Filho sem diminuição de seu ser, e o Filho recebe em si tudo do Pai, sendo totalmente igual a Ele.

Santo Agostinho coloca em primeiro plano a unidade da Trindade, que transcende qualquer representação humana, e destaca que qualquer tentativa de explicá-la implica algo simbólico. Ele sublinha que a substância divina não é uma espécie de quarta pessoa, mas que cada uma das pessoas é idêntica às outras três do ponto de vista da substância e que o que pertence à natureza divina se expressa no singular. Santo Agostinho precisa que cada uma das pessoas possui a natureza divina de uma forma particular e, por isso, é correto atribuir a cada uma delas em sua ação “ad extra” o papel que lhe é próprio segundo sua origem. O Pai é Pai porque gera, o Filho porque é gerado, e o Espírito Santo porque é dado, e embora não seja o mesmo ser Pai que Filho, a substância é a mesma, pois esses nomes pertencem à ordem da relação, não da substância.

O mais original de Santo Agostinho em sua teologia trinitária é a explicação “psicológica” da Trindade, que consiste em afirmar que na alma humana se encontra uma “trindade”, porque a alma é, conhece e quer. Analogamente, o Pai, na eternidade, se conhece a si mesmo, e a imagem de si mesmo que concebe é o Filho, ama sua imagem, que por ser pessoa o ama também por sua vez, e por ser esse amor também pessoa, é o Espírito Santo. Evidentemente, a explicação psicológica é apenas analógica e tem seus limites, que o próprio Santo Agostinho reconheceu, mas também possui seus fundamentos escriturísticos.

Cristologia

Os primeiros cristãos distinguiram-se essencialmente por sua fé em Jesus morto e ressuscitado, reconhecido como Filho de Deus e como Senhor. Daí que o impulso missionário da Igreja só se compreenda à luz dessa convicção de fé.

No entanto, desde muito cedo surgiram propostas diferentes, que diminuíam a verdade cristã ao suprimir algum aspecto do mistério da pessoa de Jesus. Alguns aceitavam sua condição humana, mas não reconheciam a divina; outros aceitavam sua divindade, mas desfiguravam sua humanidade. Diante deles, os Padres da Igreja propuseram sua doutrina e procuraram dar razão de sua fé para salvaguardar a transmissão íntegra do mistério anunciado pelos apóstolos.

Primeiras Heresias

  • Ebionismo: Uma corrente judaico-cristã que negava a divindade de Jesus Cristo, reconhecendo-o apenas como homem.

  • Marcionismo: Não aceitava o Deus do Antigo Testamento, mas apenas o do Novo Testamento apresentado por Jesus Cristo.

  • Docetismo Gnóstico: Não admitia que Jesus tivesse realmente possuído um corpo humano, pois consideravam a matéria má e impossível de redimir. Assim, o corpo de Jesus seria apenas aparente.

Primeiras Respostas

  • Santo Inácio de Antioquia: Insistiu fortemente no caráter real da humanidade de Jesus, que verdadeiramente nasceu, comeu, bebeu, padeceu, morreu e ressuscitou. Ao mesmo tempo, reconheceu a divinidade de Jesus Cristo, expressa de modo supremo e definitivo na ressurreição.

  • São Justino: Utilizou o esquema medioplatônico Deus-universo-homem para explicar que entre Deus e o universo é necessário um mediador, que é o Logos, Cristo Nosso Senhor, distinto do Pai.

  • Santo Ireneu de Lyon: Debateu contra o gnosticismo e o marcionismo, apresentando a obra de Cristo no marco de uma história da salvação. Para ele, a recapitulação, através da qual Cristo assume toda a humanidade e toda a história, é de especial importância.

Adocionismo e Modalismo

  • Adocionismo: No século II, sustentava que Jesus Cristo era um anjo adotado por Deus como Cristo, ou um homem que por seus méritos foi adotado por Deus. Teodoto de Bizâncio e Teodoto, o Curtidor, foram seus principais expoentes.

  • Modalismo: Afirmava que o único Deus se manifestava de diferentes modos, como Pai, Filho ou Espírito Santo. Noeto e Práxeas representaram esse pensamento.

Tertuliano e Orígenes

  • Tertuliano: Sustentou claramente a unidade pessoal de Cristo e, ao mesmo tempo, distinguiu as propriedades das duas substâncias, divina e humana, de nosso Salvador.

  • Orígenes: Propôs uma cristologia que destacava o papel da alma humana de Jesus Cristo como ponto de união da humanidade com o Verbo.

Arianismo e Apolinarismo

  • Arianismo: Ário, um presbítero da igreja de Alexandria, afirmou que somente o Pai é ingênito e sem princípio e, portanto, o Filho é um ser criado, inferior ao Pai.

  • Apolinarismo: Apolinário de Laodiceia negava a alma humana de Cristo, embora aceitasse que o Verbo era consubstancial ao Pai.

Respostas

  • Concílio de Niceia (325): Condenou Ário e afirmou que o Filho é “gerado, não criado, consubstancial ao Pai”.

  • Santo Atanásio: Defendeu firmemente o termo “homoousios” (consubstancial) e desenvolveu uma cristologia que destacava a divinização do homem através do Verbo.

  • Teólogos Antioquenos: Como Diodoro de Tarso e Teodoro de Mopsuéstia, argumentaram contra o arianismo e o apolinarismo, afirmando a plena divindade e a plena humanidade de Cristo.

Nestório e Eutiques

  • Nestório: Patriarca de Constantinopla, afirmou que a Virgem Maria não era mãe de Deus, mas apenas mãe de um homem. Foi condenado no Concílio de Éfeso (431).

  • Eutiques: Ensinava que após a união do Verbo com a humanidade, não subsistiam mais duas naturezas, mas que a humana era absorvida pela divina. Essa postura, chamada monofisismo, foi rejeitada no Concílio de Calcedônia (451).

Mariologia dos Padres

Primeiros Elementos

O centro do anúncio cristão do primeiro século foi que Cristo, o Filho de Deus, que morreu na cruz e ressuscitou, foi elevado à condição de Senhor. A esse credo essencial, uniu-se desde muito cedo a menção do nascimento de Cristo da Virgem Maria por obra do Espírito Santo.

Dois pontos indicam a relação de Maria com Jesus: sua verdadeira maternidade e sua virgindade. A maternidade apontava para a realidade da humanidade de Jesus, negada pelos gnósticos, enquanto a virgindade apontava para a divinidade, negada pelos ebionitas e adocionistas.

  • Santo Inácio de Antioquia: Destacou o realismo do nascimento de Cristo.

  • São Justino: Insistiu na maternidade de Maria para combater as tendências docetas.

  • Santo Ireneu: Apresentou Maria como a nova Eva, cuja obediência foi causa de salvação para todo o gênero humano.

Do Século III ao V

Quatro pontos centrais da reflexão mariológica:

  1. Reconhecimento de Maria como Mãe de Deus (Theotokos): O termo já era usado pacificamente, mas a controvérsia surgiu com Nestório, que o rejeitou. O Concílio de Éfeso (431) proclamou solenemente que Maria é Mãe de Deus.

  2. Virgindade no parto: Reconhecida por autores como Santo Ireneu e Orígenes.

  3. Virgindade após o parto: Ligada ao nascimento do Deus feito homem.

  4. Santidade de Maria: Visto como uma resposta livre e responsável a Deus, com um progresso na virtude.

Santos Padres Gregos

– Afraates (século IV)
– Atenágoras (século II)
– Dídimo, o Cego (398)
– Diodoro de Tarso (392)
– Eusebio de Cesareia (340)
– Genádio I de Constantinopla (século V)
– Hermas (século II)
– Orígenes (254)
– Pseudo Dionísio Areopagita (século VI)
– Taciano (século II)
– Teodoro de Mopsuestia (428)
– Teodoreto de Ciro (458)
– Santo André de Creta (740)
– Santo Anastácio Sinaíta (700)
– Santo Arquelau (282)
– Santo Atanásio (373)
– Santo Basílio Magno (379)
– Santo Cesáreo de Nazianzo (369)
– Santo Cirilo de Alexandria (444)
– Santo Cirilo de Jerusalém (386)
– Santo Clemente de Alexandria (215)
– Santo Clemente Romano (97)
– Santo Dionísio, o Grande (264)
– Santo Epifânio (403)
– Santo Eustácio de Antioquia (século IV)
– Santo Firmiliano (268)
– Santo Germano (732)
– Santo Gregório de Nazianzo (390)
– Santo Gregório de Nissa (395)
– Santo Gregório Taumaturgo (268)
– Santo Hipólito (236)
– Santo Ignacio de Antioquia (107)
– Santo Isidoro de Pelúsio (450)
– Santo João Crisóstomo (407)
– Santo João Clímaco (649)
– Santo João Damasceno (749) *(Último dos padres do Oriente)*
– Santo Justino (165)
– Santo Leôncio de Bizâncio (século VI)
– Santo Macário (390)
– Santo Máximo, o Confessor (662)
– Santo Melitão (180)
– Santo Metódio de Olimpo (311)
– Santo Nilo, o Velho (430)
– Santo Policarpo (155)
– Santo Proclo (446)
– Santo Serapião (370)
– Santo Sofrônio (638)
– Santo Teófilo de Antioquia (século II)
– São Júlio I (352)

Santos Padres Latinos

– Arnóbio (330)
– Lactâncio (323)
– Mário Victorino (século IV)
– Minúcio Félix (século II)
– Novaciano (257)
– Rufino de Aquileia (410)
– Salviano (século V)
– Santo Ambrósio de Milão (397)
– Santo Agostinho de Hipona (430)
– Santo Bento de Núrsia (550)
– Santo Cesáreo de Arles (542)
– Santo João Cassiano (435)
– Santo Celestino I (432)
– Santo Cornélio (253)
– Santo Cipriano de Cartago (258)
– Santo Dámaso (384)
– Santo Dionísio (268)
– Santo Enódio (521)
– Santo Eucério de Lyon (450)
– Santo Fulgêncio (533)
– Santo Gregório de Elvira (392)
– Santo Gregório Magno (604)
– Santo Hilário de Poitiers (367)
– Santo Inocêncio (417)
– Santo Ireneu de Lyon (202)
– Santo Isidoro de Sevilha (636) *(Último dos padres latinos)*
– Santo Jerônimo (420)
– Santo León Magno (461)
– Santo Optato (século IV)
– Santo Paciano (390)
– Santo Pânfilo (309)
– Santo Paulino de Nola (431)
– Santo Pedro Crisólogo (450)
– Santo Febadio (século IV)
– Santo Sirício (399)
– Santo Vicente de Lerins (450)
– Mário Mercator (451)
– Tertuliano (222)

As listas foram organizadas com os nomes em português, mantendo a ordem alfabética quando possível e destacando os títulos de “santo” conforme aplicável. Os anos de morte ou séculos foram mantidos como no original.