«Santo Apóstolo e Evangelista Mateus, suplica a Deus misericordioso que conceda às nossas almas o perdão dos pecados».
D. Irineo​
Bispo de Tropaion

SUBSÍDIOS HOMILÉTICOS​

Eothinon 1: Mt 28:16-20
Apóstolos: Rm 10:11-21;11:1-2
Evangelho: Mt 9:9-13
(Modo Plagal 2º)

Festa de São Mateus, Apóstolo e Evangelista

A Liturgia deste domingo, em que celebramos também o Santo Apóstolo e Evangelista Mateus, oferece-nos um ícone luminoso da graça que chama, cura e reconcilia. O encontro decisivo entre Jesus e Mateus — “Segue-me” (Mt 9,9) — revela a força de um olhar que não julga, mas transforma. A Tradição conserva com sobriedade este gesto de Cristo, que dirige a palavra a um homem socialmente desprezado, considerado traidor do próprio povo. Mateus era publicano, cobrador de impostos para Roma, profissão associada à injustiça e à opressão. Porém, basta um único olhar do Senhor para abrir o coração desse homem à conversão.

O Tropário da festa expressa esta mesma confiança na misericórdia divina:

Santo Apóstolo e Evangelista Mateus,
suplica a Deus misericordioso
que conceda às nossas almas o perdão dos pecados.”

A Igreja reza com as mesmas palavras do Evangelho, pedindo que aquele que foi transformado pela graça interceda por nós, para que também recebamos a cura que ele experimentou.

Na Epístola aos Romanos (Rm 10,11–11,2), São Paulo recorda que “todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo”, e que a fé nasce da escuta da Palavra. Para o Apóstolo, a pregação não é argumento humano, mas prolongamento da voz de Cristo na Igreja. São João Crisóstomo, comentando este trecho, afirma que a fé só germina verdadeiramente quando a Palavra é recebida “com o ouvido do coração” (Hom. XVII in Rom., PG 60). A salvação não é fruto de distinção entre povos, mas dom oferecido a todos. E, ainda que Israel tenha resistido (Rm 10,21), Paulo insiste: “Deus não repudiou o seu povo” (Rm 11,1), porque a fidelidade divina supera a infidelidade humana.

O Evangelho segundo Mateus (9,9–13), proclamado na própria festa do evangelista, mostra o Senhor como médico das almas. Quando Jesus se reclina à mesa com publicanos e pecadores, os fariseus murmuram. Mas Cristo responde com a palavra do profeta: “Misericórdia quero, e não sacrifício”. São Jerônimo comenta que, ao chamar Mateus, o Senhor “viu não tanto com os olhos corporais, mas com os olhos da misericórdia” (Comm. in Matth., I, PL 26). O olhar do Senhor é terapêutico, e seu convite é restaurador. Santo Agostinho, por sua vez, observa que Deus prefere “o pecador que reconhece sua doença ao justo que se julga são” (Serm., 19; PL 38). Cristo não busca perfeitos, mas aqueles que se deixam tocar pela graça.

A tradição posterior preserva a memória da missão de Mateus: primeiro entre os judeus, depois entre os pagãos, anunciando a misericórdia daquele que o chamou. São Gregório Magno, refletindo sobre esta vocação, afirma que, ao chamar Mateus, Cristo mostra que “ninguém é indigno da esperança que vem da graça” (Hom. XX in Evang., PL 76). E que a resposta imediata do publicano — levantando-se, deixou tudo — ensina ao fiel que não se deve retardar quando o Senhor chama.

Assim, o percurso espiritual deste domingo pode ser resumido: a fé nasce da escuta, a misericórdia cura, e a resposta pronta transforma o discípulo em testemunha. Contemplar São Mateus é aprender que o Evangelho não é um ideal distante, mas uma presença que passa por nossa “mesa de publicano” e nos oferece um caminho novo, se tivermos coragem de levantar e seguir.

Suplemento Litúrgico

Αγγελικαί δυνάμεις επί το μνήμα σου, και οι φυλάσσοντες, απενεκρώθησαν και ίστατο Μαρία εν τω τάφω, ζητούσα το άχραντον σου σώμα. Εσκύλευσας τον άδην, μη πειρασθείς υπ’ αυτού, υπήντησας τη παρθένω, δωρούμενος την ζωήν. Ό αναστάς εκ των νεκρών, Κύριε δόξα σοι.

Enquanto Maria estava, diante do sepulcro, à procura do teu imaculado Corpo, os Anjos apareceram em teu túmulo e as sentinelas desfaleceram. Sem ser vencido pela morte, submeteste ao teu domínio o reino dos mortos; e vieste ao encontro da Virgem revelando a vida. Senhor, que ressurgiste dos mortos, glória a Ti!