«Este Jesus, que dentre vós foi elevado ao céu, virá do mesmo modo como O vistes partir» (At 1,11).
Dom Irineo de Tropaion​

SUBSÍDIOS HOMILÉTICOS​

A Festa da Ascensão do Senhor

Cristo Ascendeu aos Céus!

Apóstolos: At 1,13–20
Evangelho: Lc 24,36–53

Quarenta dias após a gloriosa Ressurreição, a Igreja celebra a santa Ascensão de Nosso Senhor Jesus Cristo aos Céus. Esta festa constitui um dos momentos culminantes da Economia Divina da salvação. Não representa o encerramento da obra de Cristo, mas sua plenitude e, ao mesmo tempo, o início de uma nova etapa na vida da Igreja.

À primeira vista, a Ascensão poderia parecer uma despedida. Os discípulos contemplam o Senhor elevar-Se aos céus, e poderíamos imaginar tristeza ou abandono. Contudo, o Evangelho narra algo surpreendente: eles retornam a Jerusalém “com grande alegria” (Lc 24,52). Não há luto; há júbilo. Não há separação definitiva; há promessa e plenitude.

A Ascensão não significa que Cristo deixou o mundo. Pelo contrário, inaugura um novo modo de presença. Aquele que antes estava visivelmente entre os discípulos agora torna-Se presente sacramentalmente na Igreja, nos santos Mistérios, na Palavra proclamada, na comunhão dos fiéis e na ação do Espírito Santo.

O próprio Senhor havia prometido:

“E eis que estou convosco todos os dias até a consumação dos séculos” (Mt 28,20).

A Ascensão também revela algo extraordinário acerca do homem. O Filho eterno de Deus não sobe sozinho aos céus: sobe levando consigo a nossa humanidade. Em Cristo, a natureza humana, outrora ferida pelo pecado e submetida à morte, entra glorificada na presença do Pai.

Os Padres da Igreja contemplaram profundamente esse mistério. São Atanásio expressa-o numa frase célebre:

“Deus fez-Se homem para que o homem se tornasse participante da vida divina.”

A Ascensão manifesta precisamente isso: o homem não foi criado apenas para a terra, mas para o Céu; não apenas para sobreviver, mas para participar da vida de Deus.

São João Crisóstomo observa que aquilo que parecia impossível foi realizado em Cristo: a carne humana foi elevada acima dos anjos e apresentada diante do trono divino. O mesmo barro que havia sido moldado no Gênesis agora é elevado à glória celeste.

Por isso, a Ascensão transforma também a maneira como compreendemos nossa própria vida espiritual. Muitas vezes fixamos nossos olhos apenas nas preocupações imediatas: trabalho, dificuldades, medos, inseguranças, projetos passageiros. A festa recorda que nossa vocação ultrapassa os limites desta existência terrena.

São Paulo escreve:

“Nossa cidadania está nos céus” (Fl 3,20).

Isso não significa fuga das responsabilidades do mundo. A tradição cristã jamais compreendeu a vida espiritual como alienação da realidade. Pelo contrário: o cristão vive plenamente neste mundo, mas orienta sua vida segundo o Reino que há de vir. Como frequentemente se resume: “os pés na terra e o coração no Céu”.

Outro aspecto importante da festa é seu caráter missionário. Antes de elevar-Se, Cristo confia aos discípulos uma missão:

“Sereis minhas testemunhas até os confins da terra” (At 1,8).

A Ascensão não encerra a missão da Igreja; ela a inicia. Os discípulos deixam de ser apenas seguidores para tornarem-se testemunhas.

São João Crisóstomo dizia:

“Nada é mais frio do que um cristão que não se preocupa com a salvação dos outros.”

Quem contempla Cristo ascendido não permanece parado olhando o céu. Recebe uma missão concreta: testemunhar o Evangelho por palavras, atitudes, misericórdia, serviço e santidade de vida.

A Ascensão aponta ainda para a esperança escatológica da Igreja. Os anjos anunciam aos discípulos:

“Este Jesus, que dentre vós foi elevado ao céu, virá do mesmo modo como O vistes partir” (At 1,11).

A festa faz nosso olhar avançar para a Parusia, a gloriosa segunda vinda do Senhor. Vivemos entre a Ascensão e a volta de Cristo: tempo de esperança, vigilância e preparação.

Celebrar a Ascensão é renovar a certeza de que o Céu foi aberto ao homem. Em Cristo, nossa humanidade já se encontra junto ao Pai. E onde está a Cabeça, também o Corpo é chamado a estar.

Pontos para aprofundamento pastoral

  • A Ascensão não é ausência de Cristo, mas novo modo de presença.
  • Cristo sobe levando consigo a nossa humanidade.
  • O homem foi criado para a comunhão com Deus.
  • A vida cristã possui horizonte eterno.
  • “Pés na terra e coração no Céu.”
  • A Igreja recebe missão e testemunho.
  • Vivemos entre a Ascensão e a segunda vinda do Senhor.
  • A esperança cristã nasce da glorificação de Cristo.

Referências Bibliográficas

  • Bíblia Sagrada: At 1,1–12; Lc 24,36–53
  • São Atanásio, Sobre a Encarnação
  • São João Crisóstomo, Homilias
  • Dom Irineo de Tropaion – Subsídios Homiléticos: A Ascensão do Senhor
  • GOARCH – Homily for the Divine Liturgy of the Ascension
  • Pe. John Karcher – Homily for the Feast of Ascension
  • Pe. Philip LeMasters – Homily for the Feast of Ascension

Suplemento Litúrgico

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Ἀνελήφθης ἐν δόξῃ, Χριστὲ ὁ Θεὸς ἡμῶν, χαροποιήσας τοὺς Μαθητάς, τῇ ἐπαγγελίᾳ τοῦ ἁγίου Πνεύματος, βεβαιωθέντων αὐτῶν διὰ τῆς εὐλογίας, ὅτι σὺ εἶ ὁ Υἱὸς τοῦ Θεοῦ, ὁ Λυτρωτὴς τοῦ κόσμου.

Foste elevado em glória, ó Cristo nosso Deus, alegrando os discípulos com a promessa do Espírito Santo, tendo sido eles confirmados por tua bênção de que Tu és o Filho de Deus, o Redentor do mundo.